Texto: Eduardo Bernasconi
Fotos: João Mantovani
O piloto de motovelocidade mais conhecido do Brasil, Alexandre Barros, é fissurado por performance e visual desde cedo. Agora, aos 34 anos e com seu primeiro carro mexido (este S3 fabricado em 2000), lembra do Maverick GT do seu pai (laranjão com duas faixas negras e mais de 350 cv no V8 aspiradão). "O Maverick do meu pai foi um carro que ficou na memória. Era o bicho!", comentou o piloto da Honda (no mundial de motovelô ele acelera uma máquina que vara os 300 km/h, tem mais de 230 cv e pesa menos de 150 kg). Ou seja, fazer uma caranga que o satisfaça é complicado!
Em um ano de trabalho, visual, motor, suspensão e freios receberam várias alterações visando bom comportamento, desempenho e confiabilidade. Pode-se notar o alto investimento rodando devagar com o carro. O quatro cilindros preparadaço, um 1.8 turbo-intercooler-forjado-animal, funciona liso. A suspensão é excelente em absorção de irregularidades (e rodando a milhão também) e o freio mais parece uma âncora, tamanha eficiência.
Debaixo do capô, tampas escondem detalhes da preparação: pode-se ver parte da pressurização e da tubulação em inox, tudo feito na Herrera Motors (SP), além do filtro de ar cônico, da K&N. Os segredos estão justamente em partes "invisíveis". Pistões e bielas são forjados e os comandos de válvulas especiais, detalhe secreto do veneno, veio da Alemanha. A turbina foi substituída por uma KKK K24 (que agüenta até quase 500 cv) e o intercooler foi feito especialmente para o carro, maior e conseqüentemente mais eficiente, agora tem fixação frontal pra tomar ar na cara.
Um pirômetro (termômetro para os gases do escape) instalado no coletor lê o resultado da queima: quanto mais quente, mais pobre a mistura ar/combustível (nesse caso, álcool). "Menos" quente, mais rico! Ignição e injeção foram mantidas originais e um módulo HIS entrou em cena para comandar um bico suplementar utilizado apenas quando o booster é acionado. O aumento súbito de pressão - sobe de 1,5 kg para 1,9 kg - acontece após o acionamento de um botão sem conexão com o motor (da Greddy, fixado ao volante). Na pressão máxima, à beira dos 2,0 kg, o dino Dynojet apontou 385 cv nas rodas. Apesar da tração nas quatro rodas, bastou tirar o fusível certo para cortar o funcionamento do 4 x 4 e medir a potência e torque no equipamento. No motor são quase 480 cv.
O sistema integral ajuda a colocar a cavalaria no...
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