Texto: Marcelo Goto
Fotos: Divulgação
Responda rápido: o que o Peugeot 406 Coupé tem em comum com a Ferrari? Se você respondeu o estilo "made in Pininfarina", acertou! Baseado na versão sedã do 406, o Coupé foi uma das estrelas do Salão de Paris de 1996. O segredo do sucesso foi justamente o tempero italiano do estúdio Pininfarina, responsável pelo design de vários modelos da marca do cavalinho empinado. Há quem diga que o 406 Coupé seja o mais italiano dos modelos da Peugeot. Mas, em duas ocasiões, a imaginação de dois brasileiros fez com que o 406 Coupé parecesse ter saído da linha de montagem da Ferrari em Maranello, na Itália. Estamos falando dos irmãos Willy e Telly Leandrini, da Leandrini Acoustic Designs, de São Paulo.
A primeira vez foi em 2004, quando um empresário baiano pediu a eles que transformassem seu Coupé 3.0 V6, ano 2000, em algo que literalmente parasse o trânsito. O carro ganhou rodas aro 20 polegadas, pára-lamas alargados em 15 centímetros nas laterais, além de grandes entradas e saídas de ar nos pára-choques dianteiro e traseiro, entre outros itens customizados. Logicamente não poderia faltar a carroceria pintada de vermelho. Apesar da semelhança com os esportivos da marca italiana, a Leandrini garante que a inspiração partiu dos protótipos que disputam o Campeonato Alemão de Carros de Turismo, a DTM. Detalhes à parte, o carro agradou tanto que, antes de voltar para a Bahia, acabou sendo exposto no Salão do Automóvel de São Paulo daquele ano.
O segundo projeto envolvendo um 406 Coupé aconteceu em agosto do ano passado. Impressionado com o Peugeot baiano, outro cliente pediu que a equipe da Leandrini fizesse uma réplica do carro, idéia descartada de cara por Telly e Willy. "Como não fazemos cópias dos nossos projetos, sugerimos que o novo 406 fosse uma evolução do anterior", explica Willy. E se você achava que esticar a largura do carro em 30 cm era um exagero, o novo Coupé ganhou nada menos que 30 cm para cada lado. E as insanidades não param por aí. As rodas originais foram substituídas por outras de aro 22 polegadas e cinco raios, personalizadas na cor grafite fosco. O Peugeot também recebeu pneus importados 265/35.
Para que as medidas continuassem proporcionais, o carro aumentou mais 5 cm na frente e 10 cm atrás. Mas os faróis e lanternas não acompanharam o crescimento da carroceria. Na dianteira, o destaque fica para a imensa "boca", com três entradas de ar contornadas por uma espécie de moldura pintada da mesma cor das rodas. A traseira não deixa por menos: traz um suporte também na cor grafite fosco, com duas ponteiras de escape na parte central.
O motor 3.0 V6, capaz de entregar 210 cavalos, sofreu duas modificações que resultaram no acréscimo de 80 cv na potência: um kit de óxido nitroso e um filtro de ar esportivo. A tampa do propulsor também recebeu pintura vermelha especial, a "rosso scuderia", que também estampa a carroceria. A cor, alías, é a mesma usada na versão de competição Challenge Stradale, da Ferrari F360. A suspensão foi mantida, mas o conjunto roda/pneu diminuiu a distância do carro em relação ao solo. Já os freios originais deram lugar a modelos Brembo também italianos. O interior, ao contrário do lado externo, é bem sóbrio e dominado por revestimentos de couro preto. Mas, para não destoar muito com o visual de fora, os bancos receberam costura vermelha.
Resta saber agora como os designers da Pininfarina reagiriam ao ver essas versões do 406 Coupé transformados pela Leandrini.