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Detroit 2010: o fim da era dos brutos beberrões - 14/01/2010
Principal mostra automotiva dos EUA revela mudança cultural
Texto: Diogo de Oliveira

O ano de 2009 definitivamente foi dos piores para a indústria automobilística norteamericana. Os Estados Unidos venderam 10,4 milhões de veículos, o menor volume nas últimas quase três décadas. E com o país afundado em uma profunda recessão econômica, o North American Internacional Auto Show, ou Salão Internacional de Detroit, sofreu o baque. A mostra anual, que é a mais importante da indústria local, foi simplesmente deixada de lado. Houve êxodo de montadoras, falta de novidades entusiasmantes e grande pessimismo em relação aos desdobramentos da crise.

Mas nada como um ano após o outro. É verdade que os Estados Unidos ainda não se livraram da depressão causada pelo rombo econômico. Por outro lado, o otimismo voltou a dar o ar da graça, ainda que de forma contida. Na edição 2010 da tradicional feira de carros ianque, que teve início na última segunda (11) e segue aberta ao público até o dia 24, os grandes lançamentos e protótipos ressurgiram. Na comparação com os salões de Nova York e Los Angeles, Detroit inegavelmente perdeu força. Algumas marcas antes sempre presentes, como Porsche e Rolls-Royce, já preferem fazer suas exibições nos outros ‘palcos’ norteamericanos.

Só que, além das novidades, Detroit apontou este ano uma importante mudança cultural no país. Os utilitários brutamontes e os superesportivos beberrões, antes em maioria, cederam lugar a veículos compactos e médios. Num rápido contraste, a edição de 2008, realizada quase um ano antes de a crise financeira explodir, teve como principais lançamentos as enormes picapes Dodge RAM e Ford F-150, o sedã grande de luxo Genesis, da Hyundai, o sedã superesportivo Cadillac CTS-V, de 550 cv, e o cupê Volkswagen Passat CC. Entre os protótipos, o Audi R8 V12 foi unanimidade, ao lado do crossover grandalhão Cadillac Provoq.

Em 2010, o cenário mudou quase que por completo. No lugar dos SUVs e esportivos de luxo, o salão, pela primeira vez, reservou uma avenida para os carros elétricos. O grande lançamento do evento foi a nova geração do médio Ford Focus, carro considerado compacto por lá, que chega no segundo semestre de 2011. Já a arqui-rival General Motors, apostou suas fichas no Aveo RS, versão esportiva do hatch subcompacto, e no protótipo GMC Granite, um crossover com ares de minivan, com formas cúbicas e dimensões médias – também abaixo dos padrões ianques. E a Chrysler, a mais afetada das três norteamericanas pela crise, teve as principais atrações fornecidas pela Fiat, sua nova ‘proprietária’. Foram exibidos o Lancia Delta com o escudo da Chrysler e uma versão-conceitual elétrica do pequeno hatch retrô 500.

A Volkswagen, de olho na popularização dos modelos menores, mostrou o conceitual NCC, sigla de New Compact Coupé ou Novo Cupê Compacto, que dará origem à nova geração do sedã médio Jetta – feito sobre a mesma plataforma do Golf de sexta geração. A japonesa Honda aproveitou Detroit para apresentar a versão final do CR-Z, seu cupê compacto com propulsão híbrida, que chega às revendas do país no meio do ano. E entre as marcas de luxo, o destaque ficou com a Mercedes-Benz, que lançou a versão conversível do sedã médio-grande de luxo Classe E.

Detroit teve ainda uma grande quantidade de protótipos e versões especiais feitas para agitar a festa, além de anúncios importantes. O vice-presidente da General Motors, Bob Lutz, confirmou a produção do cupê de luxo Cadillac Converj, apresentado na edição de 2009 da mostra e equipado com o mesmo sistema de propulsão elétrica do Chevrolet Volt. A alemã Audi mostrou a segunda geração do cupê elétrico conceitual e-tron, também movido por baterias de íons de lítio e bem menor em relação ao primeiro protótipo, baseado no superesportivo R8. E a conterrânea BMW teve seu momento de destaque com o protótipo Beachcomber, utilitário da britânica MINI.

Entre os modelos já conhecidos, a Chrysler levou versões especiais do sedã grande 300C e dos Jeep Liberty e Wrangler. A GM mostrou o Buick Regal, a variação de luxo do sedã Opel Insignia, com o escudo da divisão da montadora mais voltada ao mercado chinês. E mesmo quem não apresentou um modelo novo em Detroit, aproveitou para anunciar novidades. A Nissan confirmou que está desenvolvendo dois veículos compactos especificamente para os Estados Unidos, que serão produzidos no México sobre uma nova plataforma global e vendidos por US$ 10 mil (ou R$ 17,4 mil). Para um público acostumado a pagar caro por carros enormes equipados com motores extremamente potentes, Detroit rompeu quase todos os paradigmas existentes.



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