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Mulheres descem do salto e aceleram na lama

Texto: Vanessa Garcia
Fotos: Donizetti Castilho, Marcelo Moreira e Divulgação

Saia, vestido, meia-calça? Que nada! A moda do momento é macacão à prova de fogo, traje usado pelas mulheres aventureiras que participam de competições off-road no Brasil. Como piloto ou navegadora, a ala feminina vem conquistando espaço nos ralis que participa. A garra e competência de muitas participantes já faz muito homem engolir poeira.

Um exemplo de coragem e liderança no off-road feminino é a piloto Helena Deyama, que soma sete vitórias em seis anos de participações em ralis. Começou com trilhas e corridas de moto, mas abandonou as duas rodas para comprar um jipe. "Eu sou muito baixinha e me machucava
muito nas quedas. Resolvi partir para os 4X4", diz. Já no primeiro rali de velocidade que participou, o Rali da Primavera, Helena conquistou o primeiro lugar. "Fiquei muito animada e resolvi investir. Equipei meu jipe, um Engesa, na época, e comecei a participar de outras competições", conta.

O próximo desafio da designer gráfica é o Rally dos Sertões, maior competição off-road da América Latina e quinto do mundo, que será disputado entre 24 de julho e 2 de agosto, de Goiânia (GO) a Fortaleza (CE), num total de 3.700 km. "Estou muito confiante. É a quarta vez que participo desse rali e no ano passado consegui chegar em sétimo lugar", diz Helena.

Outra história de sucesso feminino nas competições off-road é a da publicitária Andreia Nóbrega, há um ano nas pistas com três vitórias no currículo: segunda etapa do Campeonato Mitsubishi Motors Sudeste e Nordeste, na categoria turismo e Copa Rio Mitsubishi. "É
tanta emoção que se torna indescritível. Só quem participa sabe da sensação desde a inscrição, prova, até os resultados, o mais esperado por todos", diz. Segundo Andreia, a hora do podium é sempre uma grande surpresa. "Toda vez que vou receber o troféu, o patrocinador do evento me entrega o de navegador. Aí eu digo que sou a piloto e comemoro com tudo que tenho direito", conta.

As mulheres também estão presentes nos bastidores do mundo off-road. É o caso da organizadora do Rally dos Sertões, Simone Palladino, que há sete anos largou a profissão de produtora fotográfica para se dedicar à profissionalização da prova, que até 1996 era amadora.
"No início, os homens não prestavam muito a atenção no que eu dizia. Mas com o tempo foram se acostumando e ganhei mais credibilidade", diz Simone.

A PISTA É SÓ DELAS
Não há dúvida que a participação das mulheres no universo off-road cresceu nos últimos anos. Conseqüência disso é o surgimento de provas exclusivamente dedicadas a elas, como é o caso do I Raid Feminino da Cantareira, que ocorreu ano passado e contou com mais de 200
mulheres. De acordo com o organizador da prova, João Eduardo Rocha Pagels, que também promove outros eventos 4X4, as mulheres ficam mais à vontade para participar quando a competição é só feminina. "Muitas já participavam com marido, namorado, pai ou irmão. Elas pediam muito pra ter uma competição só delas", diz Pagels.

O Raid do Batom, competição que há 15 anos homenageia as jipeiras na semana do Dia Internacional da Mulher, contou este ano com 54 equipes. O evento é organizado pelo Jeep Clube do Brasil e tem como destaque uma categoria que testa a imaginação das mulheres na
decoração de seu jipe. Elas maqueiam, colocam fitas coloridas sobre capotas e laços no pára-choque. Deixam os jipes como se estivessem prontos para um desfile.

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