Falar ao aparelho ao dirigir quadruplica riscos de colisão
Texto: Daniela Saragiotto
Foto: Oswaldo Palermo
Quem fala mais ao celular enquanto dirige, homens ou mulheres? Para quem chutou a segunda opção, um aviso: no Brasil não há estatística de nenhum tipo sobre o assunto, muito menos uma que faça distinção entre os sexos.
Enquanto por aqui as pesquisas ainda estão engatinhando, dá para se ter idéia do perigo por meio de um estudo americano. Segundo ele, quem fala ao celular enquanto dirige - tanto homens quanto mulheres - tem quatro vezes mais chance de se envolver em acidentes do que quem não tem este (mau) hábito.
"A pessoa se distrai mesmo, é comum vermos motoristas invadindo faixa e dirigindo irregularmente", afirma Fábio Racy, médico presidente da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina de Tráfego, a Abramet.
Para quem não pode se dar ao luxo de desligar o celular um minuto sequer, a dica é usar um aparelho de viva-voz, já que o fone de ouvido também é proibido. O viva-voz é permitido pelo Código Brasileiro de Trânsito e evita a multa de R$ 85,13 e os quatro pontos no prontuário de quem for pego tagarelando enquanto dirige.
Mesmo permitido, o aparelho viva-voz não é unanimidade entre especialistas. O presidente da Abramet afirma que ele também é perigoso. "Ele tira a atenção do motorista porque exige interação; aconselho a não atender telefonemas de forma alguma", afirma.
Roberto Manzini, instrutor de trânsito e dono do centro de pilotagem que leva seu nome, não concorda com Racy. Ele afirma que a perda da concentração varia muito de acordo com o indivíduo e de fatores externos como conteúdo da conversa, entre outros. Resumindo, se o assunto não exigir muita atenção nem vai abalar emocionalmente o motorista, o viva-voz pode ser usado.
"Mas para quem não tem o viva-voz, aconselho diminuir a velocidade enquanto o celular toca e parar em local adequado para atendê-lo", afirma Manzini. Para ele, quem liga também tem sua parcela de responsabilidade. "A pessoa deve ter sempre a preocupação de perguntar se o motorista pode falar", diz.