Desde que assumiu a presidência da Nissan Mercosul, em abril de 2006, o franco-americano Thomas Besson vem, aos poucos, impondo um novo ritmo de trabalho à empresa. Mais do que isso: pretende mudar a percepção da marca perante os consumidores. Responsável pelas operações da marca no Brasil, na Argentina, no Uruguai e Paraguai, Besson frisa que a Nissan mundial está investindo pesado para acabar com a imagem de que a marca tem força somente em veículos 4x4.
Nos próximos dois anos serão seis novos modelos lançados no Mercosul, que demandarão investimentos de US$ 150 milhões. O plano — denominado Shift_Mercosul — prevê ainda que a Nissan chegue ao volume de 40 mil veículos comercializados por ano até 2009. Bacharel em Ciências Físicas pela Haverford College e Mestre em Ciências pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambas nos Estados Unidos, o executivo ingressou na Nissan Europa em dezembro de 2003 como gerente de Projetos e piloto do CFT (Cross-Funcional Teams ou Grupo de Trabalho Transversal).
Besson trabalhou em projetos nas áreas Vendas & Marketing, Administração geral, Engenharia e Compras, estando à frente de projetos na companhia que até hoje são referências em outros mercados estratégicos da Nissan, como os EUA e Japão.
Em entrevista exclusiva durante o lançamento da sexta geração do Sentra, ele contou mais detalhes do que a marca está reservando especificamente para o mercado brasileiro.
Para este ano a Nissan já anunciou que serão lançados dois veículos. Mas em 2008? O que os consumidores brasileiros podem esperar?
Thomas Besson – Como falamos, este ano vamos expandir os produtos da Nissan no Mercosul. Para o Brasil, acabamos de lançar a sexta geração do Sentra e, até o final do ano, chegam o Tiida e a Nova Frontier. Em 2008, os consumidores brasileiros podem esperar produtos de grande visibilidade para a Nissan mundial, que continuará estreando novos segmentos, assim como os exemplos do Tiida e do Sentra, que entram em nichos diferentes. Nas picapes 4x4, a marca conquistou seu espaço, com apenas um modelo (a Frontier), sem cobrir todos os segmentos de picapes comercializados no Brasil.
Que novos segmentos serão esses?
TB – O que posso revelar é que estrategicamente serão de grande importância, porque esperamos que a participação de mercado da Nissan cresça significativamente. Precisamos melhorar também a visibilidade da marca perante os consumidores brasileiros. A Nissan definitivamente pode querer mais do que 0,4% de participação de mercado.
Quando Tiida e Frontier chegam e quanto devem custar?
TB - Estamos estudando a faixa de preço, mas ambos vêm no segundo semestre. O Tiida chega antes.
Quando a Nissan terá motorizações flex-fuel?
TB - A tecnologia flex-fuel certamente faz parte da estratégia futura da marca. A aliança Renalt-Nissan está trabalhando para incluir esses motores no mercado o mais rápido possível. Para os próximos lançamentos existe a possibilidade dessa tecnologia ser empregada.
Como o senhor avalia a Nissan no Brasil?
TB - Eu acredito que a Nissan é a única montadora no Brasil a comercializar veículos em segmentos tão distintos. Oferecemos um esportivo (350Z), picape 4x4 (Frontier), utilitário esportivo (Murano, Pathfinder, X-Trail e X-Terra), sedã (Sentra) e, até o final deste ano, um hatchback médio (Tiida). Acho que não há outra marca com uma linha que se aproxima da diversidade da gama Nissan. Isso é uma oportunidade para a montadora, não apenas no Brasil, mas em outros mercados. Nosso grande desafio, no entanto, ainda é a nacionalização e a padronização de peças. Parte dos US$ 150 milhões que serão investidos será destinada ao desenvolvimento desses componentes.
Qual a importância do mercado nacional para a marca?
TB - Sem dúvida, o Brasil tem um mercado promissor. Somente no segmento de sedas médios, onde está o Sentra, as estimativas apontam crescimento de 19%, o que significa um volume próximo de 150 mil veículos comercializados. Baseado nisso, a Nissan não economizou recursos no projeto do Sentra. É a primeira vez que a marca trabalha com volumes tão expressivos em automóveis de passeio.
Como a Nissan pretende mudar sua imagem?
TB – Nossa estratégia é “agressiva”. Para passar isso aos consumidores, estamos com a campanha Shift_the_Future (que, em português, significa Mudar o Futuro), que tem como objetivo mostrar novos conceitos da montadora. No caso do Sentra, essa “mudança” é apresentada em forma de novas experiências, devido à versatilidade do veículo, funcionalidade interna e as flexibilidades de espaço e performance. A tecnologia empregada nesse sedã permite você dirigir de forma econômica ou obter um dos melhores desempenhos do segmento.
O que Tiida e Frontier representarão para a marca?
TB - O Tiida e Nova Frontier representarão, de formas diferentes, um novo tempo. A empresa está pronta para atuar em diferentes momentos econômicos e da indústria nos próximos anos, apesar de sempre existir a tentação de investir antes do crescimento.