Há 14 anos na Volvo, o sueco Anders Norinder guarda muita afinidade com o Brasil. Entre 1999 e 2005, ele foi o diretor executivo da Volvo Automóveis Brasil e Argentina, época em que mudou-se para o País, onde conheceu a esposa e teve filhos brasileiros. O executivo fez questão de contar os detalhes durante a apresentação do XC60 aos jornalistas, mostrando que está totalmente à vontade para assumir o novo cargo de presidente da Volvo Car Overseas Corporation para a América Latina e Caribe. Nos últimos três anos, ele foi diretor geral da Volvo Cars no México.
Norinder assume a responsabilidade pela Volvo Automóveis no lugar de John Peart, que se desligou da presidência do PAG (Premier Automotive Group) para assumir o comando das marcas Land Rover e Jaguar, vendidas pela Ford à indiana Tata Motors. Anders Norinder também já atuou em países como Espanha, Suécia, Austrália, Indonésia e Malásia. Seu português ainda é arrastado, mas nem por isso ele deixa de mostrar suas ideias com clareza. É simpático, otimista. O executivo volta ao Brasil no auge da crise econômica mundial, época em que aumentam as especulações sobre o interesse da Ford em vender a marca Volvo.
Como é voltar ao comando das operações do Brasil nesta época?
Numa época tão boa? Sim, é assim que vejo o Brasil hoje, mesmo com a crise. Estamos aumentando nossas vendas. Em janeiro deste ano, a Volvo vendeu 17% a mais que o mesmo período de 2008. No ano passado, atingimos nosso maior índice de vendas nesse país, foram 1.098 unidades. Nada é fácil em tempos de crise, mas estamos otimistas.
Ainda assim, vocês não se sentem inseguros com a possível venda da marca?
Olha, sinceramente para nós isso não faz diferença. Não nos sentimos inseguros. Todas as marcas passam por difíceis situações. Se o produto é bom, a marca se fortalece. É importante também expandir a rede de concessionárias, como estamos buscando.
Por falar em concessionárias, hoje vocês tem 17, até o final do ano serão 18, com a inauguração da loja em Santa Catarina. Como será nos próximos anos?
Depende de como o mercado vai se desenvolver. Hoje cobrimos os principais pontos do mercado brasileiro, as cidades mais importantes.
Então, qual é o maior desafio da marca Volvo no Brasil?
Cuidar do cliente. Como disse, no ano passado vendemos 1.098 unidades. Queremos que estes clientes tenham uma experiência boa com o carro que compraram. Em alguns países, as empresas valorizam mais os clientes novos do que aqueles que já conquistaram. É algo cultural. Não sei como anda esta questão no Brasil, mas queremos que nossos clientes se sintam bem com nossa marca. Isso, claro, é possível com a reestruturação da rede de concessionárias. Quando a empresa cresce rápido, muitas vezes os serviços não acompanham. Este é um grande desafio.
O segmento de crossovers é um dos que mais crescem no mundo, especialmente no Brasil. Quando a Volvo notou este potencial?
Decidimos há cerca de dois anos. Percebemos que o Brasil tinha tudo para crescer, com um potencial importante. Em outros países, por exemplo, isso não aconteceu neste segmento, como é o caso do México.
E qual o próximo lançamento?
Tudo vai depender da resposta do mercado brasileiro. Mas queremos trazer novos produtos para cá nos próximos anos. Mas não sou eu quem vai dizer qual será o segmento (risos). Por enquanto, é a hora do XC60.
Quem é o comprador do XC60?
Penso em uma pessoa de 30, 40 anos, bem sucedida, com um ou dois filhos. Tem uma vida ativa. Nos finais de semana viaja para a praia, para o campo e outros lugares. Alguém que gosta de um carro bonito e seguro. É uma pessoa diferente, eu diria. Um carro Volvo não é tão convencional. Há diversas outras opções no mercado, mas somos diferenciados.
Segurança é palavra de ordem para a Volvo. Como resolver esta equação entre custo da segurança e um produto com preços competitivos?
É exatamente o que fizemos com o XC60. Um carro bonito com toda a segurança.Acreditamos que é esta combinação que o consumidor quer. Os custos de desenvolvimento das tecnologias de segurança realmente são muito altos. Para resolver esta equação, acredito em dois pontos principais. Primeiro, o volume, pois quanto maior a produção, maior a viabilidade da tecnologia. O segundo ponto é a legalização, ou seja, tornar obrigatório alguns itens, como aconteceu com o cinto de segurança, por exemplo.
O sr. acredita que os consumidores preferem mesmo abrir mão de itens de segurança em troca dos equipamentos de conforto e design?
Acredito que o cliente está cada vez mais exigente. Ele requer segurança no carro dele. Em pesquisas de mercado, o principal atributo considerado pelas pessoas no momento de compra é a segurança. Resta saber se isso é mesmo praticado no momento da compra (risos). Mas segurança é o que o consumidor deseja.
Falamos dos desafios da Volvo, agora é hora de falar de Anders Norinder. Quais são seus maiores desafios profissionais assumindo o novo cargo?
Quero colocar o Brasil no mapa da Volvo. Mostrar a importância deste mercado e que aqui temos um crescimento sustentável. A marca pode crescer muito o Brasil.
Como somos vistos pela Volvo na Suécia?
Claro que temos um volume pequeno comparado a outros mercados. Mas o Brasil é uma aposta. Não só como a Volvo vê, mas sim como o mundo vê o Brasil. Hoje é um País muito mais estável que antigamente. Mas ainda há muita gente que não conhece seu potencial. O Brasil é número 1 em produção de aço, o terceiro maior fabricante de aviões do mundo!
Qual a receita de um executivo para lidar com a crise?
Não há receita, nem segredo. Trabalhei em outros mercados, emergentes, e tento aplicar as lições que aprendi. Aplicar na prática o que aprendeu no passado. Na crise sempre há oportunidades.