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 Laurent Tasté04/07/2008 

 Presidente da Peugeot do Brasil
Texto: Carina Mazarotto
Fotos: Divulgação

Nos próximos dois anos, a Peugeot quer abocanhar 5% do mercado nacional. Parece pouco? Não é. Apesar de o setor automotivo estar aquecido no Brasil, a marca francesa, que hoje detém 3% de participação nacional, precisa lutar por espaço entre os grandes fabricantes – e entre os pequenos também. Ao volante desta desafiadora “missão”, está Laurent Tasté, atual presidente da marca no País.

Nascido em 1962, em Chaumont, na França, Tasté é diplomado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris e Mestre em Direito pela Universidade de Paris-Sul. Iniciou sua carreira no Grupo PSA em 1989, como analista financeiro da marca Peugeot. De lá para cá, ocupou diversas posições na empresa, até chegar à presidência, no Brasil, em 2007. Aqui, recebeu a tarefa de aproximar a marca francesa dos brasileiros, criando produtos voltados às necessidades locais. Por trás do desafio, a meta: aumentar a fatia de mercado da Peugeot, nos próximos anos.

Uma das primeiras lições de casa do executivo foi concluída neste mês. A Peugeot apresentou ao mercado nacional o 207, o primeiro veículo da marca totalmente desenvolvido no Brasil, na fábrica do Grupo PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ). Evolução do 206 nas versões hatch e perua (SW), o novo 207 traz design europeu em um projeto de engenharia tupiniquim, adaptado às necessidades dos consumidores brasileiros.

Mas a principal novidade da linha 207 foi a entrada da marca no segmento de sedãs compactos. O inédito 207 Passion, que chega ao mercado em outubro, é uma das apostas da Peugeot para iniciar sua ofensiva em novos mercados. Logo mais, vem picape por aí. Foi o que afirmou Laurent Tasté em uma conversa exclusiva e descontraída com o Carsale, durante o lançamento da linha 207, em Búzios (RJ). Discreto como um legítimo francês e otimista como um “quase” brasileiro, Tasté contou como a marca prepara o terreno para chegar, sim, ao patamar das grandes montadoras no Brasil.

Como começou a sua história no cenário automotivo?
Laurent Tasté - Na época que entrei no setor automobilístico, há quase 20 anos, eu gostava dos carros da Peugeot e felizmente consegui juntar o interesse do trabalho com meu gosto pessoal pelo segmento. Comecei como analista financeiro da marca Peugeot, depois fui responsável por uma concessionária, e depois fui diretor Financeiro do grupo no Brasil. Voltei à França como responsável pela Direção de Recursos Humanos, Formação e Gestão da Organização da Peugeot. Fui também diretor Geral da Peugeot no México. Em 2007, assumi a presidência da Peugeot Brasil. São 20 anos!

Qual o principal desafio de comandar a marca Peugeot no Brasil?
LT - Em qualquer trabalho, o mais importante é a equipe. O responsável de uma empresa tem de gerar um espírito de equipe, e motivá-la sempre. Este é um dos desafios. Além disso, nós precisamos da ajuda dos engenheiros para produzir carros bonitos, e também receber ajuda do mercado, que é essencial. No entanto, é mais fácil desenvolver um projeto comercial ou industrial num contexto como o do mercado brasileiro, que tem apresentado um crescimento muito interessante. Vou dizer que trabalhar no Brasil hoje é uma sorte, em comparação a outros mercados que estão caindo. Sobre a importância da equipe, vou usar um exemplo de uma imagem clássica, a de um time de futebol. Num time, é a soma das pessoas que permite atingir os objetivos. Para nós, não é diferente. Na Peugeot, a proximidade entre os funcionários e a transparência é a chave para construir um verdadeiro espírito de equipe.

São 15 anos de atuação da Peugeot no País. Quais foram as principais transformações da marca neste período?
LT - Começamos como uma empresa de importação, como “newcomers”, produtores e agora estamos numa fase mais avançada. Sabemos conceber carros no Brasil e adaptar os modelos que produzimos aqui aos gostos dos brasileiros. A Peugeot agora é uma marca brasileira. Não somos mais “newcomers”, somos brasileiros e vamos entrar, pouco a pouco, em todos os segmentos do mercado nacional. Nosso objetivo é, claramente, entrar no grupo das grandes, como Volkswagen e Fiat. Não amanhã, porque isso não se faz do dia para noite, mas com o tempo.

Quanto foi investido na nova linha 207?
LT - O projeto da linha 207 representa um investimento de R$ 250 milhões para a Peugeot, considerando as três silhuetas, hatch, perua e Passion. Este valor inclui todos os estudos e as ferramentas específicas para a construção do carro.

Quem é o principal comprador do Peugeot 207 “brasileiro”?
LT - Em termos de imagem, nosso posicionamento foi sempre “premium”, e isso vem da nossa história como importadores. Queremos guardar esta imagem de nobreza, mas também mostrar que somos uma marca com produtos acessíveis. Ou seja, não é um posicionamento de luxo, mas de “premium” acessível. Consideramos que é mais fácil baixar que subir uma imagem de marca, portanto, se conseguimos construir uma imagem de marca “premium”, queremos conservá-la. Por isso consideramos tão importante lançar um 207 e manter uma opção de entrada do 206, para manter uma noção de acessibilidade. Para simplificar a imagem do 207, é um “premium” acessível ao consumidor.

Com o 207 Passion, vocês avançam no segmento dos sedãs compactos. O próximo passo será entrar no mercado de picapes?
LT - É verdade que o segmento dos sedãs compactos é muito importante. A Peugeot decidiu investir em um bom produto para ocupar este espaço, porque sabemos bem fazer este tipo de carro. O segmento das picapes é importante também, tem um crescimento forte. É um crescimento que seguimos bem de perto, para termos a certeza que podemos entrar com um produto que faça a diferença frente aos concorrentes. É um segmento que estudamos bastante.

Qual a previsão para atingir este segmento?
LT - Você conhece um ciclo de produção de um carro. Não é para amanhã, mas é algo que esperamos ver nos próximos anos.

Para o presidente do Grupo PSA Peugeot Citroën, Vincent Rambaud, um centro de desenvolvimento no Brasil seria um sonho. Qual sua opinião sobre o assunto?
LT - Tudo vai depender de nosso desenvolvimento no País. Com o crescimento da nossa marca, cada ano que passa integramos mais atividades. No Brasil, o melhor exemplo é a nossa linha 207. Todas as evoluções feitas sobre o projeto 206 foram desenvolvidas por brasileiros. Um centro de design com certeza vai surgir um dia, se realmente constatarmos que nosso crescimento continua, e que precisamos entrar em segmentos novos. Podemos desenvolver competências no Brasil para desenhar os carros, não unicamente para o Brasil, mas para a América Latina, no mínimo. Isso é uma tendência. Hoje já estamos num processo bem avançado de integração da concepção de engenharia. O design com certeza vai acontecer no futuro com o crescimento da nossa marca.

Qual o futuro da Peugeot no Brasil? E do presidente da marca?
LT - Cheguei aqui para um ciclo de vida da Peugeot no País. Um ciclo de carros brasileiros e de crescimento forte para atingir um patamar de mais de 5% do mercado, até 2010. Isso tudo será possível com a ajuda de um plano de produto, um plano de desenvolvimento de novos concessionários, de qualidade de serviço. Uma vez que eu consiga fazer isso, uma vez que vamos a chegar ao patamar que decidimos, minha missão vai terminar.

O que o sr. aprendeu com o Brasil?
LT - Há algo muito importante aqui. Primeiro, o Brasil é um país que sempre olha de frente e nunca atrás, o que é bem agradável. É um país onde você tem que trabalhar rapidamente e com muita agilidade. Isso para uma empresa é algo muito interessante. Você tem uma idéia, e rapidamente toda a sua equipe é capaz de montar um projeto. Dá para fazer as coisas no Brasil muito mais rapidamente que na Europa. Sem contar com a capacidade das pessoas de inovar, de construir. Em outros países, as pessoas buscam mais se proteger. O brasileiro é criativo, tem novas idéias sempre e tem uma vontade maior. Na Europa, parece que as pessoas estão com medo das novas idéias. Aqui, todos têm muita vontade de avançar. Avançar rapidamente, o que é essencial.


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