Partindo do princípio de que a natureza é sábia, a DaimlerChysler se inspirou numa espécie de peixe ágil e de linhas fluidas, que vive nas profundezas submarinas, para projetar o protótipo Mercedes-Benz Bionic. O projeto envolveu uma equipe formada não apenas por engenheiros e desenhistas, mas também alguns cientistas e biólogos. Pode parecer estranho, mas o resultado foi bastante animador, nem tanto pelo desempenho, mas pelo design, leveza, economia de combustível e rigidez da carroceria. E, de quebra, vieram à tona algumas idéias que devem fazer parte dos carros num futuro próximo.
Uma delas é o sistema de escape com filtro SCR (Seletive Cataylic Redution), que contribui bastante com a redução de emissões de gases nocivos, transformando óxidos de nitrogênio em apenas água e nitrogênio, gás que representa 78% do ar que respiramos na superfície terrestre. Esse elemento filtrante especial tem como ponto-chave o líquido "AdBlue", que é borrifado automaticamente no sistema de exaustão em doses devidamente calculadas, conforme o funcionamento do motor. O reservatório desse líquido fica próximo ao estepe e vem em volume suficiente para durar até o prazo normal de revisão.
A carroceria de estilo arrojado é outro exemplo de idéia que deve ser levada à frente. Baseada no esqueleto do peixe no qual o Bionic foi inspirado, a estrutura é formada por uma série de peças de formato hexagonal, resultando em muita rigidez com o menor peso possível. Essa combinação se tornou possível apenas por causa do projeto inovador, que conseguiu uma melhora nos resultados conseguidos até agora em cerca de 40%. Além disso, foram incluídas câmeras no lugar dos retrovisores, rodas cobertas por painéis de plástico e maçanetas de linhas fluidas.
O carro-peixe mede 4,24 metros de comprimento, por 1,82 m de largura e 1,59 m de altura. Visto de perfil, o protótipo lembra mesmo um animal aquático, com traseira no formato de nadadeira. As lanternas acompanham os contornos típicos de rabos de peixe e vêm com detalhes metálicos para ressaltar o aspecto moderno do carro. Além disso, há faróis em cima das colunas dianteiras e teto panorâmico. Ainda mais do que arrojada, a carroceria do Bionic é aerodinâmica, com coeficiente de arrasto (Cx) de apenas 0,19, um dos menores conseguidos até hoje.
Um dos frutos colhidos desse trabalho inspirado na sapiência da mãe natureza, e que deve ser sentido na prática, é o consumo extremamente baixo. Segundo a DaimlerChrysler, mantendo 90 km/h como velocidade, de acordo com as normas européias, foi possível atingir a marca de 35,7 km/l. O Mercedes Bionic vem equipado com motor a diesel, capaz de gerar 140 cavalos e 30,6 kgfm de torque entre 1.600 e 3.000 rpm, números suficientes para atingir 190 km/h e acelerar de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos. Marcas que estão longe de estarem fora do comum, mas nada mal para um protótipo inspirado num peixinho pacato.