14/05/2012 | 15:46
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Veículos vão rodar sem a intervenção do motorista

Em poucos anos, os carros também serão autoguiados. Protótipos em testes pelo Google já acumularam mais de 320 mil quilômetros nos Estados Unidos

Autor: Ricardo Couto/Foto: Divulgação
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TECNOLOGIA 6

O futuro está mais próximo do que se pensa e vai transformar o automóvel em algo muito diferente do que é hoje, pelo menos em termos de condução. Ele vai andar sozinho pelas ruas, tomar decisões ao volante e escolher seu próprio caminho. Para que esse sonho vire logo realidade, os grandes fabricantes globais já começam a investir em pesquisas nas áreas de eletrônica, robótica, de conectividade e de interatividade a bordo.  Até 2020, teremos nas cidades os primeiros veículos autônomos ou autoguiados, que dispensarão em grande parte a intervenção do motorista para rodarem.

Esses automóveis vão se aproximar cada vez mais dos aviões em eletrônica e incorporar novas tecnologias, tornando-se mais amigáveis aos passageiros, e oferecer displays digitais com projeção no para-brisa e telas de toque no lugar do quadro de instrumentos analógicos e dos comandos tradicionais. A segurança veicular também terá um grande avanço, em relação aos ocupantes e também aos pedestres.

Os carros ficarão cada vez mais robotizados e estarão conectados a outros veículos, acompanhando o fluxo do tráfego, sem cometer infrações ou desrespeitar a sinalização. Eles serão muito mais inteligentes que hoje e tomarão decisões no lugar dos motoristas, valendo-se do uso intensivo de computadores, câmeras, radares, GPS, raios infravermelhos, laser e sensores, além de outros componentes eletrônicos.

“Sensores de gestos estarão em plena utilização em 2020 e conseguirão detectar se o motorista está alcoolizado ou com sono, e terão autonomia até para imobilizar o veículo”, diz engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade).

Hoje, já existe carros que manobram, aceleram, freiam ou estacionam sozinhos, mas há protótipos, como é o caso dos conceitos Nissan Pivo, apresentado no Salão de Tóquio de 2011, e carros de série, como o F3 Plus da BYD, que atendem ao chamado do controle remoto ou do celular e se autodirigem até onde está o proprietário.

O BYD F3 Plus, exibido em abril no Salão de Pequim, traz uma chave de ignição “inteligente” com sistema direcional que permite ao motorista ligar o motor à distância, manobrar o veículo (para frente, para trás e para os lados) e fazê-lo ir até onde ele está, em uma velocidade reduzida e segura. O sistema, segundo a empresa, é bastante útil para vagas estreitas e apertadas que não permitam a entrada ou saída do motorista no automóvel ou para dias chuvosos, evitando que este se molhe ao buscar o veículo em um estacionamento a céu aberto. O modelo, de acordo com a fabricante, é o primeiro do mundo produzido em alta escala a contar com este tipo de tecnologia.



Eletrônica assume o papel do motorista

Apresentado na World Expo de 2010 em Shangai, na China, o EN-V (foto acima) é um carro elétrico de apenas dois lugares, no estilo veículo bolha, que se equilibra sobre duas rodas na posição vertical. Desenvolvido pela General Motors, ele foi concebido para aliviar os problemas de congestionamentos, de estacionamento e de qualidade do ar nas cidades num futuro próximo. A carroceria é construída com acrílico e fibra de carbono e pesa menos de  500 quilos. Por enquanto, a cápsula móvel tem um alcance de 40 quilômetros com uma única carga na bateria.

Graças à tecnologia do sistema de navegação por satélite (GPS) associada à comunicação sem fio, o EN-V possui rastreamento de distância e pode ser conduzido manualmente ou de forma autônoma. Essas soluções permitem ao carro perceber o que está acontecendo ao seu redor, assim como evitar acidentes e até desviar de pedestres. O veículo também é capaz de selecionar automaticamente a rota mais rápida baseado em informações do trânsito em tempo real, e seguir o fluxo de tráfego, dispensando a intervenção do motorista para chegar ao destino programado no sistema de navegação por satélite.

Em abril, a General Motors apresentou a versão 2.0 do EN-V, com quatro rodas em vez de duas, que ficou mais próximo da versão que deverá ser fabricada em série, como afirmou o presidente da montadora na China, Kevin Wale.  Equipado com câmeras, sensores e sistema GPS de última geração, o protótipo consegue medir o tamanho dos congestionamentos e saber onde encontrar uma vaga para estacionar.



Mercedes e Google sinalizam os rumos

Além de servir de base para as próximas gerações de modelos de luxo da Mercedes-Benz a partir de 2025, o protótipo futurista F125 sinaliza os rumos que deverá tomar a tecnologia na próxima década: exibido no Salão de Frankfurt de 2011, o carro vai dispensar a intervenção do motorista e será capaz de mudar de pista, frear diante de um obstáculo ou mesmo ultrapassar outro veículo. Seu sistema de navegação permitirá a sua interação com outros veículos, semáforos, ler placas e sinais ou mesmo detectar a presença de pedestre à frente do carro. E até mesmo se conectar com as centrais de controle de trânsito, para se informar sobre rotas alternativas, evitando congestionamentos e acidentes durante o percurso. Os comandos serão acionados por voz, pelo toque dos dedos ou gestos do motorista e as informações do painel, assim como o acesso à internet e redes sociais, estarão visíveis no para-brisa, por meio de projeção holográfica a laser em três dimensões.

Enquanto a General Motors e a Mercedes olham para o futuro, a gigante da internet Google vem experimentando na prática carros autônomos desenvolvidos pela companhia nas ruas e rodovias americanas. Seus sete protótipos, derivados de veículos verdes como o Toyota Prius (fotos acima e abaixo), entre outros, já acumularam mais de 320 mil quilômetros rodados nos Estados Unidos.

Recentemente, a empresa americana fez um teste com um motorista deficiente visual, que foi conduzido pelo carro por ruas e avenidas de sua cidade, sem interferir no comando do veículo. Durante o percurso, o automóvel parou num drive thru de uma lanchonete para o condutor (ou seria apenas passageiro!) comprar um sanduíche e o levou até uma lavanderia, depois seguiu até a sua casa, com total segurança, acompanhando o fluxo de tráfego, sem causar pequenas colisões ou acidentes. No início deste mês, o Google obteve autorização do Estado americano de Nevada para circular com seus carros nas ruas e estradas locais.



A Nissan também prevê disputar esse segmento. Segundo declarou recentemente Carlos Ghosn, CEO da empresa, até 2020 a marca irá oferecer em seus veículos alguns avanços em conectividade automotiva, como tecnologias sem fio, computação em nuvens (cloud), sistemas de prevenção de acidentes, condução autônoma do carro e rastreamento de estações de abastecimento de energia para veículos elétricos.

Os Estados Unidos são o país mais avançado nesse tipo de tecnologia, devido aos estudos desenvolvidos no Vale do Silício, pólo de tecnologia de ponta da Califórnia. Muitas montadoras europeias têm seus laboratórios de eletrônica por lá. “O carro está se reinventando para atingir novos consumidores, incorporando a cada dia mais interatividade e conectividade. O automóvel controlado pelo computador poderá avaliar o tipo de uso e a exigência do motorista, assim como seu modo de dirigir, otimizando-se para o estilo de dirigir de cada condutor. Eles terão caixa-preta, como nos aviões, que serão capazes de detalhar o que o motorista fez durante seu trajeto”, explica Francisco Satkunas, da SAE.

Por Ricardo Couto

Com colaboração de Carlos Guimarães, Leonardo Faria e Larissa Forêncio

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