07/05/2012 | 15:41
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Carros elétricos devem emplacar de vez até 2020

Em oito anos, modelos movidos a eletricidade poderão representar de 7% a 8% das vendas na China e na Europa. No Brasil, esses modelos praticamente inexistem

Autor: Ricardo Couto/Foto: Divulgação
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TECNOLOGIA 4

O maior mercado para os veículos elétricos são no momento os Estados Unidos, especialmente a região da Califórnia, embora a China venha se despontando nos últimos anos com o forte apoio governamental e com programas de estímulo à aquisição desses veículos.

China e Europa, que atualmente já despontam na produção de carros elétricos, deverão ser os maiores mercados do mundo nesse segmento em 2020, devido aos avanços tecnológicos e incentivos destinados aos consumidores – até lá, esses modelos deverão representar de 7% a 8% das vendas domésticas nesses dois países, projetando o preço futuro do petróleo a US$ 130 o barril. Nos Estados Unidos, eles deverão atingir 2% das vendas e 5% no Japão.

Conforme estimou Carlos Ghosn, CEO da Nissan, durante o Salão de Nova York, os carros elétricos deverão responder por 10% do mercado mundial em 2020, que segundo previsões mais otimistas poderá atingir 80 milhões de unidades no fim desta década, o que significa algo em torno de 8 milhões de veículos. O executivo prevê que só o grupo Renault-Nissan deverá vender cerca de 1,5 milhão desses modelos até 2016.

Segundo o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade), a China possui hoje oito milhões de pontos de reabastecimento de energia, por causa do uso de scooters elétricos, e seria fácil transformá-los para atender também os automóveis. “O governo tem incentivado muito o uso desses veículos por lá. O país asiático deve dar um grande salto e se destacar como fornecedor de tecnologia e de carros elétricos para o mundo até 2020”, afirma.

A meta do governo chinês é passar de uma frota de 500 mil veículos elétricos (entre carros, caminhões e ônibus) em 2015 para 5 milhões em 2020, de acordo com relatório do Boston Consulting Group.

Segundo a empresa americana Gartner, de pesquisa de mercado e tecnologia, pelos investimentos que estão sendo feitos atualmente pelos fabricantes, o mundo terá uma capacidade de produção de um milhão de carros elétricos em 2015.

O grupo Renault-Nissan e a General Motors, para citar apenas alguns exemplos, estão aplicando bilhões de dólares em fábricas nos Estados Unidos, Europa e Ásia, assim como as empresas asiáticas LG, NEC, Sony, Panasonic, Samsung, BYD e outras estão pesquisando o desenvolvimento de baterias mais eficientes com os mais diversos tipos de compostos minerais. A Gartner prevê que de 5% a 8% de todos os veículos novos deverão ser alimentados e movidos por baterias em 2020 e de 20% a 30% em 2030.

Apesar das estimativas e dos diferentes cenários traçados por fabricantes e empresas de consultoria, a velocidade da popularização da tecnologia dos carros elétricos deverá estar diretamente ligada à decisão política dos governos dos principais países do mundo em reduzir a dependência do petróleo comprado em outros países, ao rigor das normas ambientais e também ao aumento da autonomia e redução dos preços dos veículos. “Quando o custo do carro elétrico cair no exterior, esses modelos também poderão ser produzidos por aqui”, afirma Satkunas.

Para Evaldo Costa, especialista em mercado automotivo e carros elétricos, a tecnologia de veículos verdes já se encontra num estágio bastante evoluído na Europa, Estados Unidos e Japão, e em algumas regiões da Ásia (particularmente China, Coreia e Índia) e também Israel e Austrália. Estes países respondem pela maior parte da demanda mundial desses modelos. “Esses veículos deverão evoluir muito até 2020. O preço elevado do combustível nos Estados Unidos está aumentando o interesse do consumidor por veículos alternativos. A gasolina poderá chegar a US$ 5 por galão e a legislação americana está exigindo que os veículos reduzam muito o seu consumo e tenham uma maior autonomia em quilômetros.”



Segundo Costa, os veículos elétricos tendem a evoluir muito com o desenvolvimento de supercapacitores, que vão armazenar maior quantidade de energia, melhorando a sua autonomia. Com isso, poderão abrigar baterias mais leves e serão mais eficientes. As baterias também evoluirão com a descoberta e introdução de novos compostos químicos. “Tudo isso deverá causar uma reviravolta no mercado, da forma em que é conhecido atualmente.”  Na sua opinião, os governos em todo mundo e os consumidores vão continuar pressionando os fabricantes para reduzir a poluição veicular, o que vai exigir o desenvolvimento de novas tecnologias, como já acontece hoje na Europa.

“O carro elétrico vai ter suas vendas massificadas quando atingir uma autonomia entre 300 e 400 quilômetros. Com isso, o motorista poderá sair da cidade e viajar pelas estradas sem se preocupar em ficar sem energia. No Brasil, eles só serão introduzidos quando os custos dos veículos baixarem”, afirma Satkunas.

Com a meta de se tornar líder do segmento de elétricos em 2020, a Audi investirá 5 bilhões de euros em dois centros de pesquisa na Alemanha até 2015. A maior parte desses recursos será aplicada no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias, como carros elétricos e híbridos.



Em meados do ano passado, a empresa apresentou o protótipo do esportivo R8 e-tron (foto acima), com monobloco de alumínio de apenas 200 kg, que deverá servir como experimento e pesquisa para veículos elétricos da marca de grande volume de produção.  As primeiras unidades do modelo deverão ser entregues no fim de 2012.

Ainda este ano, a montadora deverá apresentar o primeiro carro testado em seu novo pólo de pesquisa, o Audi Q5 híbrido, e lançar a versão elétrica do Audi R8 Spyder, além de sete modelos com tecnologia verde.

“A Audi está trabalhando em abordagens abrangentes que maximizam os benefícios para os clientes. Nesta era de mobilidade elétrica, vamos oferecer uma ampla gama de serviços que ultrapassam a condução em si”, afirmou Franciscus Van Meel, chefe de Estratégia de Mobilidade Elétrica da Audi, durante o lançamento do projeto.

No Salão de Frankfurt de 2011, a fabricante alemã apresentou o carro-conceito elétrico Urban, um veículo pequeno, feito de material ultraleve, com apenas dois lugares (do tipo 1+1), destinado ao uso estritamente urbano. Esse mesmo modelo possui um similar com a marca Volkswagen, chamado NILS. O Urban tem carroceria feita de fibra de carbono reforçado com polímeros e utiliza tecnologia acumulada pela Audi no desenvolvimento de veículos com eficiência energética e de baixo peso. Além dessa nova geração de carros verdes, a Audi já pesquisa a aplicação de semicondutores e computação em nuvem em seus veículos.



Este ano, no Salão de Nova York, a Nissan apresentou o sedã de luxo Infiniti LE (foto acima), totalmente elétrico, com mecânica baseada no Leaf. Equipado com motor de 107 cv de potência, autonomia para 160 quilômetros, e coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25 de cx, a grande novidade do modelo é a possibilidade de receber carga elétrica por indução. Uma espécie de prancha energizada colocada embaixo do veículo (ver na foto) é capaz de recarregar as suas baterias sem a necessidade de conexão de cabos, por meio do recurso wireless (sem fio).

Segundo Satkunas, a partir da próxima década a maioria dos carros elétricos poderá recarregar suas baterias dispensando o uso de tomadas. “Sistemas de transferência de energia, do tipo wireless, vão dispensar a ligação do veículo na rede elétrica por meio de fios. Testes já estão sendo feitos com aparelhos eletroeletrônicos e dentro de pouco tempo deverão chegar também a todos os veículos elétricos.”

No início de abril, a BMW confirmou a produção em série do conceito esportivo elétrico i8, apresentado em fevereiro deste ano, para 2014.

Baterias mais evoluídas

Na opinião de especialistas, enquanto os híbridos vão conquistando rapidamente seu espaço no mercado, os elétricos deverão superar as suas dificuldades nos próximos anos e emplacar de vez a partir de 2020. Por enquanto, esses modelos têm preço elevado e precisam de subsídios para chegar ao consumidor. Outra limitação está no alto custo das baterias, na autonomia restrita e na falta de rede e infraestrutura de abastecimento (para recarregamento de energia).

Pelo menos no início esses veículos vão ter de contar com estímulos dos governos e de incentivos de empresas fornecedoras de energia para poderem se popularizar. Mas, a tendência é de um rápido crescimento de vendas com o aprimoramento da tecnologia das baterias e a redução dos custos, com a produção em larga escala em nível global.

O instituto de pesquisa norte-americano Pikes Research prevê uma redução de 30% nos preços das baterias de íons de lítio até 2017. Os motivos apontados que deverão provocar essa queda de custos são o aperfeiçoamento do processo de fabricação, o acesso mais fácil à matéria prima e o aumento da demanda por modelos movidos à eletricidade.

O mercado de baterias de íons de lítio e seus derivados será voltado principalmente aos veículos do tipo plug-in híbridos, ou elétricos, que precisarão de acumuladores de energia maiores que os híbridos, informa o instituto.



Com baterias mais eficientes e mais baratas, a competitividade dos elétricos (na foto, motor e transmissão) deverá aumentar bastante comparada aos carros com motores a combustão, já que o valor das baterias instaladas deverá cair para US$ 523 por kilowatt/hora em 2017 e para US$ 400 em 2020, cerca de 64% a menos que em 2009, segundo o Boston Consulting Group.

Se as previsões do instituto Pikes Research forem confirmadas, o mercado de baterias de íons de lítio passará dos atuais US$ 2 bilhões para US$ 14,6 bilhões em 2017. Quase metade dessa demanda virá da Ásia, enquanto que Europa e Estados Unidos irão representar algo em torno de 20% e 25%, respectivamente.

Para Satkunas, a tendência é de os fabricantes, em nível global, buscarem novos materiais e compostos químicos para desenvolverem e reduzirem o custo das baterias e aumentar a  autonomia dos carros elétricos, como é o caso da chinesa BYD, que desenvolveu uma bateria de íon de lítio combinada com fosfato de ferro, conhecida como Fe, mais eficiente e com maior autonomia que as atuais (cerca de 300 km). A nanotecnologia também deverá ser uma grande aliada no desenvolvimento de baterias para os  carros verdes.

A BYD apresentou este mês uma nova tecnologia, o inversor de carga e descarga de corrente elétrica, que segundo a empresa deverá revolucionar o sistema de recarregamento, tornando esses modelos independentes das estações de energia. O dispositivo transforma os veículos da marca em usinas móveis de armazenamento, o que deverá estimular o seu uso pelos consumidores.

Em 2013, a fabricante chinesa deverá lançar nos Estados Unidos seu novo carro elétrico (batizado de Denza), desenvolvido em parceria com a Daimler alemã, que foi apresentado este mês no Salão de Pequim. O modelo vem a se somar a outros carros verdes da marca, como o F3 e F6 Dual Mode (ambos híbridos) e e6 elétrico.

Recentemente, a Prefeitura de Nova York renovou a sua frota de táxis movidos com motores a combustão. O modelo escolhido foi a  minivan NV200, da Nissan, que deverá ser o táxi exclusivo da cidade a partir do fim de 2013, atendendo a 600 mil passageiros. O motor é um 2.0 de quatro cilindros, com baixo consumo de combustível e reduzido nível de emissões.

O programa Táxi do Futuro prevê também a implantação de um projeto-piloto junto aos taxistas visando a utilização de veículos elétricos no transporte público, da mesma forma que o governo chinês e a BYD vêm fazendo em algumas cidades da China. A fabricante japonesa vai fornecer seis unidades do Nissan Leaf e três estações de carregamento sem custos para os proprietários de táxi para testar a eletrificação da frota. Dentro de alguns anos, toda a frota deverá migrar para a eletricidade.



Novos segmentos a explorar

Nos últimos anos, o segmento de carros elétricos deixou de ser uma exclusividade de modelos pequenos e médios ecologicamente corretos.  A primeira empresa a desenvolver um esportivo elétrico foi a empresa Tesla Motors, sediada nos Estados Unidos, que apresentou em 2006 o protótipo Roadster (foto acima, à esquerda). O modelo foi fabricado de 2008 a 2011. No ano passado, o Roadster deu lugar a um sedã de luxo (modelo S, na foto acima, à direita) movido a bateria – o próximo produto a chegar ao mercado é um utilitário esportivo, batizado de modelo X, apresentado em fevereiro de 2012.

Enquanto tentam ampliar a autonomia de seus veículos elétricos, alguns fabricantes, como a Audi, VW, Renault e General Motors apostam no desenvolvimento de carros elétricos estritamente urbanos, pequenos, ultraleves, de dois lugares, e feitos para uso no trânsito congestionado das grandes metrópoles. São os casos dos conceitos Urban (Audi), NILS (VW) e  Twizy (Renault), exibidos no Salão de Frankfurt em 2011, na Alemanha, e do EN-V (de Electric Networked-Vehicle, da GM), este previsto para entrar em produção em 2020.



Ainda distantes do Brasil

No Brasil, apenas uma empresa (Itaipu em parceria com a Fiat) desenvolve pesquisas sobre carros elétricos, mesmo assim com tecnologia defasada e produção limitada, voltada para sua frota interna ou de empresas geradoras e distribuidoras de energia.

As pesquisas ainda estão num estágio inicial e focadas na redução do custo e do tamanho das baterias e também no aumento de sua capacidade. Fora essa iniciativa isolada, o segmento não conta com nenhuma regulamentação específica ou  incentivo governamental, seja imposto diferenciado ou estímulos na forma de bônus.

Recentemente, a empresa divulgou que começará a desenvolver, em parceria com a suíça KWO, que fornece baterias para seus veículos, um sistema de recarga rápida, que prevê o abastecimento simultâneo de energia em vários veículos em até 20 minutos, sem sobrecarregar a rede elétrica. Os testes serão realizados de forma incremental buscando diminuir drasticamente os tempos de recarga. Hoje, para uma recarga completa da bateria de um carro elétrico são necessárias, no mínimo, oito horas.

Leia na próxima edição artigo sobre carros movidos com célula de combustível a hidrogênio.

Por Ricardo Couto

Colaboraram Carlos Guimarães, Leonardo Faria e Larissa Florêncio

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