02/05/2012 | 15:11
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O que esperar dos carros nos próximos anos?

Redução de perda de energia, materiais mais leves e melhoria da aerodinâmica devem dar maior eficiência aos veículos a combustão até o fim desta década

Autor: Ricardo Couto/Foto: Divulgação
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TECNOLOGIA 2

Enquanto direcionam batalhões de engenheiros para o aprimoramento de motores a combustão e de outros componentes (principalmente mecânicos e eletrônicos) dos veículos, os grandes fabricantes globais investem em outras frentes para obter maior eficiência e economia de combustível. Isso porque quanto mais se reduz o consumo de gasolina ou etanol também se diminui a emissão de poluentes.

Atualmente, segundo o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade), as fábricas na Europa e na Ásia estão tornando como equipamento padrão em seus veículos sistemas como start-stop, dispositivo de dupla embreagem, transmissões com maior número de marchas, controle de estabilidade, além de diferenciais mais leves e freios que regeneram energia para reabastecer a bateria, que é uma tecnologia originária da Fórmula 1. Pneus de baixa resistência em relação ao piso, sistema de direção com assistência elétrica  e rodas de alumínio, itens que já são encontrados em  modelos de luxo, deverão se tornar comum nos veículos em geral, e também por aqui.

A tendência para os próximos anos, segundo Satkunas, são as pesquisas se concentrarem, em termos globais, em tecnologias visando a redução de peso dos veículos – por meio do emprego de materiais e compostos mais leves, como alumínio, fibra de carbono ou polímeros - e a melhoria da eficiência aerodinâmica de itens agregados à carroceria (como já fazem a Volkswagen, com o sistema Blue Motion, e a Mercedes, com a Blue Efficiency, entre outras).

“Cerca de 57% do peso de um carro é representado em sua grande parte pelo aço e 60% da potência útil do motor são perdidos para vencer a resistência do ar. São pequenos ganhos, que somados podem resultar em uma boa margem de economia de combustível”, explica Satkunas.

Seguindo nesta linha, a Ford anunciou recentemente uma parceria com a Dow Automotive Systems, divisão da Dow Chemical, para pesquisar a aplicação de compostos avançados de fibra de carbono em carros de alto volume de produção. O acordo, segundo a Ford, faz parte da meta da montadora de reduzir o peso de seus veículos em cerca de 340 quilos até o fim desta década, visando incrementar a economia de combustível. Por ser leve e resistente, a fibra de carbono é utilizada há muitos anos na indústria aeroespacial.

“A redução de peso vai aumentar a eficiência de todos os modelos Ford”, afirma Paulo Mascarenas, vice-presidente e chefe técnico de Pesquisa e Inovação da Ford. Com a introdução desse componente em linha, a montadora espera ampliar a autonomia de seus veículos em até 21 km/litro no fim desta década. 

Nesse sentido já é possível notar alguns avanços notáveis. A Honda japonesa, só para citar um exemplo, divulgou recentemente que está desenvolvendo em parceria com ZF alemã uma caixa de transmissão automática de nove marchas, com produção marcada para 2014, que poderá ser usada em veículos com tração dianteira ou integral. A caixa utiliza engrenagens planetárias, que reduzem o tamanho do componente para caber em qualquer tipo de veículo. Segundo a ZF, esse tipo de transmissão poderá reduzir o consumo de combustível entre 10% e 16%.



A BYD revelou no fim do ano passado que está desenvolvendo um motor 1.5 downsizing com turbocompressor, equipado com transmissão sequencial de seis velocidades e dotado de embreagem dupla (foto acima) – a empresa é a primeira montadora independente a desenvolver esse tipo de tecnologia na China -, que deverá melhorar significativamente o rendimento e reduzir o nível de emissões de seus modelos a partir deste ano. Esse novo motor de 154 cv produz 43% mais potência que um convencional de mesma cilindrada, nivelando-se a um motor à combustão, aspirado, de 2,0 litros.

Para fazer frente a esses desafios, os grandes grupos automotivos vão ter que destinar progressivos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para novos componentes e produtos. Essa estratégia já começou a render os primeiros resultados nos últimos anos, com a aplicação em massa nos veículos europeus, asiáticos e americanos de motores com injeção direta de combustível, câmbio CVT (com relações de marchas continuamente variáveis) ou transmissões automáticas inteligentes, comandos variáveis de válvulas do tipo VVT, e mais recentemente propulsores downsizing. E muita coisa está por vir.

O que acontece por aqui

No Brasil, essas novas tecnologias deverão ficar restritas ao desenvolvimento de novos sistemas e componentes periféricos para os motores Flex, como o novo sistema de partida a frio que dispensa reservatório extra de gasolina, e a redução de tamanho, peso e número de cilindros de motores compactos, além da adoção de pneus de baixo atrito com o solo, turbocompressores e itens de segurança como airbags, sistema de freio ABS e controle de estabilidade.

O engenheiro da SAE prevê que os motores convencionais a combustão deverão sobreviver por mais 30 a 40 anos no mercado mundial e que muitas montadoras ainda terão que direcionar suas pesquisas para essa área. “Teremos aqui uma minimização desses motores, com a chegada de propulsores de dois a três cilindros, como o EcoBoost da Ford e MultiAir da Fiat, mais eficientes e econômicos. As transmissões poderão ganhar mais marchas e devemos adotar também a injeção direta de combustível. As montadoras locais também deverão continuar desenvolvendo seus motores flex, introduzindo inovações para aumentar seu rendimento”, explica. 

“A Ford está enfrentando esse desafio reduzindo o tamanho dos motores com a tecnologia EcoBoost e com os carros elétricos”, explica Paulo Mascarenas, vice-presidente e chefe técnico de Pesquisa e Inovação da empresa. 

Leia na sexta-feira (4 de maio) artigo sobre veículos híbridos.

Por Ricardo Couto

Colaboraram Carlos Guimarães, Leonardo Faria e Larissa Florêncio

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