23/09/2009 | 15:05
Canal de Avaliação

Mitsubishi Pajero TR4 2010

Renovado, jipinho ganha fôlego no disputado segmento de SUVs

Autor: Diogo de Oliveira/Foto: Divulgação
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Página: Mitsubishi Pajero TR4 2010
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A partir da primeira semana de outubro, chega às concessionárias da Mitsubishi no Brasil um Pajero TR4 amplamente renovado. A linha 2010 do jipinho trilheiro recebeu alterações estéticas na carroceria, no painel, além de aprimoramentos no motor 2.0 litros flex, de quatro cilindros em linha e 16 válvulas. Esta é a segunda reestilização do SUV compacto desde 2002, ano em que começou a ser produzido na cidade de Catalão, no interior de Goiás. A última atualização visual já tinha mais de três anos – foi feita em meados de 2006, quando o modelo adotou desenho inspirado no Pajero maior – o Sport.

A mudança, porém, é mais que uma simples atualização. Nos últimos três anos, as vendas entre os utilitários esportivos avançaram significativamente, com mais de 50% de crescimento nos emplacamentos. Com isso, cresceu também o número de concorrentes e novidades no segmento. Chegaram os coreanos Kia Sportage e o crossover Kia Soul, além do pequenino jipe Suzuki Jimny. O líder Ford EcoSport ganhou novo desenho e motor 2.0 flex. E o também coreano Hyundai Tucson, o segundo mais vendido do nicho, ganha produção nacional em outubro. Ou seja, uma renovação era mais do que necessária para o Pajero TR4 se manter forte no mercado.


 

Interior está menos espartano

A MMC Automotores do Brasil, subsidiária da montadora japonesa no país, não por acaso, resolveu caprichar mais neste segundo "face-lift". Principalmente no interior, que ostentava um desenho já envelhecido. O TR4 ganhou novos painel de instrumentos e volante, além de conexão Bluetooth para celulares e entradas USB e para iPod integrados ao sistema de som – são "gadgets" cada vez mais valorizados pelos consumidores atuais. Mas o ar mais sofisticado fica evidente mesmo no quadro de instrumentos, que passa a ter dois relógios do tipo canhão, com velocímetro à direita e conta-giros à esquerda, fundo azul e os ponteiros vermelhos. Entre os relógios, há uma pequena tela que exibe informações do hodômetro e do sistema de tração.

Por fora, o TR4 está mais jovial. As linhas clássicas quadradonas foram mantidas, mas o SUV compacto ficou mais bojudo. Na frente, os faróis perderam o corte em diagonal nas pontas e estão retangulares. As saliências que contornavam os canhões de luz também saem de cena e o conjunto agora é inteiro coberto por lentes translúcidas de policarbonato. Outra novidade é a grade integrada ao para-choques e bipartida por um triângulo, com o símbolo da Mitsubishi ao centro, no atual padrão visual dos carros da marca nipônica. O capô com a região central mais elevada completa o pacote de mudanças.

Nas laterais, o desenho está mais limpo. Apenas dois vincos – um em cada lado – aparecem pronunciados no meio das portas e acompanham o contorno dos para-lamas. Já a traseira ficou bastante modificada e lembra o compacto de luxo Land Rover Freelander. As lanternas, antes independentes do tipo canhão, agora estão integradas em um conjunto único, com máscara negra e as luzes indicadoras da marcha ré, que ficavam embutidas no para-choques. No lugar das luzes de ré foram adicionados dois refletores – os chamados "olhos de gato". A MMC mudou também o desenho da tampa do porta-malas e do vidro traseiro, que passa a ter a superfície convexa e o formato retangular. Não há mais o corte em diagonal ascendente, que contornava o estepe externo, pendurado mais à direita da tampa.

Reforço no desempenho

O motor 2.0 litros 16V flex também recebeu aprimoramentos na engenharia para oferecer maior eficiência, sobretudo com o uso do álcool. A MMC redesenhou os pistões e, com isso, elevou a taxa de compressão do propulsor de 9,5:1 para 11,0:1, adequando-o melhor ao uso do combustível vegetal. Com isso, o rendimento cresceu. A unidade de força, agora identificada pela sigla HRC, de High Compression Ratio ou alta taxa de compressão, produz 135 cv com gasolina e 140 cv com álcool sempre aos 5.500 rpm, contra os 131/133 cv anteriores. O torque máximo, por sua vez, passa a ser de 20 kgfm aos 2.250 rpm com o combustível fóssil e de 22 kgfm aos 4.500 giros com o combustível vegetal, pouco mais que os 18/19 kgfm anteriores.

Ainda na parte mecânica, tanto o câmbio manual de cinco marchas quanto a caixa automática de quatro marchas tiveram componentes modificados para oferecer maior durabilidade. Já o sistema de tração Super Select 4WD-I não recebeu alterações, mas permanece como referência em desempenho "off-road" entre os utilitários compactos. O recurso disponibiliza quatro modos: 4X2 com tração traseira para uso na cidade, 4X4 contínuo, 4X4 com bloqueio do diferencial central para trafegar por estradas de terra e areia e o 4X4 com reduzida, específico para situações fora-de-estrada mais severas, quando o veículo requer o máximo de torque do motor. São 20 combinações possíveis com o câmbio manual e 16 com a transmissão automática. O sistema permite ainda selecionar os modos com o veículo em movimento, a velocidades de até 100 km/h – exceção da tração 4X4 reduzida.

Um dos únicos utilitários esportivos compactos do mercado brasileiro a oferecer uma real capacidade fora-de-estrada, o Pajero TR4 conta ainda com uma engenharia sofisticada. O conjunto de suspensão tem estrutura dianteira clássica, do tipo McPherson, enquanto a traseira é multilink, com braços múltiplos sobrepostos. Há barras estabilizadoras nos dois eixos. Já a estrutura em monobloco traz um subchassi integrado, onde ficam instalados motor, caixa de câmbio e suspensão dianteira. De acordo com a MMC, a estrutura adicional reduz o peso e eleva a rigidez torcional da plataforma. O modelo oferece ainda ângulos de entrada e saída de 35°, além de 21,5 centímetros de vão livre em relação ao solo, que capacitam o jipinho a transpor rampas íngremes.

A maioria dos utilitários esportivos compactos atuais rodam mais nas cidades do que na lama. Justamente por isso, os itens de série são cada vez mais valorizados nesses veículos. A linha 2010 do Pajero TR4 reúne boa oferta de equipamentos, embora ainda faltem itens disponíveis em rivais, como volante multifunção e ar-condicionado digital. O pacote de série da versão de entrada GLS traz os "básicos" ar-condicionado manual, direção hidráulica e trio elétrico, mais rodas de liga leve aro 17 calçadas por pneus de uso misto 225/65, barras longitudinais no teto e chave Keyless com alarme periférico. O sistema de som possui rádio/CD com leitor de MP3 e as novas entradas USB e para iPods, além da conexão Bluetooth. Já nas versões intermediária manual e na topo de linha automática, são oferecidos airbags frontais de série e freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD. Estas devem responder por 80% do mix de vendas, com 40% para cada e os 20% restantes da básica GLS. Os preços são de R$ 65.550, R$ 68.990 e R$ 71.990, respectivamente.

Fator novidade a seu favor

Naturalmente, a reestilização colocará o Pajero TR4 em evidência. Uma exposição que a MMC espera ajudar a "aquecer" as vendas do seu SUV pequeno. A subsidiária da marca japonesa espera comercializar uma média de 1 mil unidades mensais do TR4 renovado, volume 33% superior às cerca de 750 unidades/mês emplacadas em 2009. Um crescimento tímido diante das 3.500 unidades/mês emplacadas pelo líder EcoSport e das 2 mil vendas mensais do Hyundai Tucson. Por outro lado, entre os modelos do nicho, o TR4 é praticamente o único o oferecer uma capacidade fora-de-estrada real. E essa "aura lameira", associada às novidades estéticas, mecânicas e de conforto, pode fazer a diferença a favor do jipinho goiano.

Em um test-drive curto, de aproximadamente 50 km/h, foi possível avaliar dois lados interessantes do renovado Pajero TR4. Na pista de terra bastante enlameada, o jipinho comprovou sua vocação aventureira ao exibir um desempenho fora-de-estrada primoroso. No trajeto, repleto de poças de lama e piso de barro escorregadio, o utilitário compacto transmitiu segurança, com boa aderência garantida pelo modo 4X4 com bloqueio do diferencial central – que mantém a tração fixa, com 50% do torque despejado em cada eixo. Ao mesmo tempo, o conjunto de suspensão se mostrou afinado e manteve o veículo equilibrado diante de um terreno bem acidentado.

Já sobre o asfalto, em um pequeno trecho da rodovia Castelo Branco, no interior de São Paulo, o Pajero TR4 evidenciou um lado urbano aprimorado. As mudanças feitas no interior, que ganhou novos painel, volante e revestimentos dos bancos e portas, deixaram o ambiente no habitáculo mais agradável e moderninho. O sistema de som com rádio/CD e MP3 conta agora com entradas auxiliar e USB – esta “escondida” no porta-luvas. O destaque maior fica com o painel completamente redesenhado, que perdeu o ar antigo de carro dos anos 90. O console central é contornado por um filete prateado e o novo quadro de instrumentos agrada visualmente, com leitura limpa. A disposição dos comandos também é correta.

Já o motor 2.0 litros de quatro cilindros em linha e 16 válvulas ganhou alguns cavalos, mas não o suficiente para esbanjar esportividade. Na terra, com o modo 4X4 com bloqueio do diferencial central acionado, o propulsor até produz acelerações agradáveis e eficientes. Mas sobre o asfalto, no modo 4X4 contínuo, a unidade de força demora a encher até disponibilizar o torque de 22 kgfm com álcool, aos 4.500 giros. Com isso, arrancadas e retomadas são morosas.

O modelo avaliado estava equipado com o câmbio automático de quatro marchas, que também não impressionou. Por vezes a caixa produziu trancos e esticou demasiadamente as relações. No entanto, a transmissão conta com a função overdrive, que favorece o conforto. Aos 120 km/h, o motor do TR4 trabalha em 3.200 rotações e tem baixo nível de ruído. É um aspecto mais voltado ao uso urbano e rodoviário, que deve mesmo ser o principal habitat do jipinho da Mitsubishi. Ainda que o modelo suporte aventuras mais radicais.

(O repórter Diogo de Oliveira viajou a Itu (SP), a convite da MMC do Brasil)
 
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Ficha Técnica
Misubishi Pajero TR4 Flex 2.0 Automático
Motor
dianteiro, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, injeção eletrônica multiponto seqüencial e acelerador eletrônico, a gasolina e álcool
Cilindrada (Cm³)
1999
Potência (Cv)
135 cv com gasolina e 140 cv com álcool a 5.500 rpm
Torque (Kgfm)
20 kgfm com gasolina a 2.250 rpm e 22 kgfm com álcool a 4.500 rpm
Câmbio
Automático de quatro velocidades com overdrive
Comprimento (m)
40,6
Largura (m)
1,68
Altura (m)
1,71/1,77 (com o rack no teto)
Entre-Eixo (m)
2,45
Porta-Mala (l)
500/1.455 com o banco traseiro rebatido
Suspensão
Independente, do tipo McPherson no eixo dianteiro e semi-independente, com eixo de torção no traseiro
Freios
A disco ventilado na dianteira e a discos sólidos na traseira, com ABS e EBD
Tanque (l)
72
Preço (R$)
71.990
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