10/08/2010 | 09:16
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Chery Face

Minivan compacta chega da China para "esquentar" as vendas da Chery

Autor: Diogo de Oliveira/Foto: Diogo de Oliveira
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Página: Chery Face
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A controversa receita chinesa de vender carros extremamente completos a preços acessíveis ganhou mais um representante essa semana no Brasil. O pequeno Face, terceiro modelo lançado pela Chery no País, reúne uma lista de equipamentos quase impensável para um veículo popular nacional com foco no preço baixo – como Chevrolet Celta, Ford Ka e mesmo os recentes Volkswagen Gol e Fiat Novo Uno. Há airbags frontais, freios com ABS e distribuidor eletrônico EBD, ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, rodas de liga leve aro 14, sistema de som com rádio/CD, leitor de MP3 e entrada USB... Tudo por “apenas” R$ 31.900.

Se o leitor achou o valor interessante, está correto. Não há um veículo nacional que ofereça tantos itens de série por um preço tão acessível. Para se ter uma ideia, o pacote de fábrica da minivan compacta inclui ainda sensor de obstáculos traseiro, faróis de neblina, ajuste de altura do facho de luz dos faróis principais, alarme periférico e cobertura total de três anos, entre outros. Quer dizer, no quesito “recheio”, o Face é quase imbatível – salvo concorrentes conterrâneos. Não por acaso, a Chery aposta alto no monovolume para crescer nas vendas. A estimativa da marca é vender 6 mil unidades do modelo até o fim de dezembro. Uma meta ousada, mas possível.

Desenho tem assinatura do estúdio Bertone

Para conquistar público no Brasil, a Chery foi à Itália buscar inspiração para a carroceria do Face. E o resultado traz linhas limpas e agradáveis, assinadas pelo renomado estúdio Bertone, dono de amplo portfólio, com desenhos para Alfa Romeo, Ferrari, Lamborghini, Lancia, Fiat e outras marcas. No compacto da Chery, a dose de ousadia foi controlada, mas a simplicidade do visual transmite elegância. Na frente, o destaque são os faróis de dupla parábola, que começam afilados e ganham corpo à medida que sobem em diagonal na direção dos para-lamas. Na base do para-choques, também chama a atenção a grade com os faróis de neblina nas pontas.

Nas laterais, a linha da cintura é bem definida e acompanha o formato dos vidros. Frisos fixados ao centro das portas completam o desenho de poucos vincos. E se faltou algum arrojo na frente e nos lados, a traseira tem forte personalidade. As lanternas verticalizadas e pontiagudas em cima se dividem em duas seções cada, uma sobre a outra, num estilo singular. Já por dentro, o Face é mais conservador. O visual lembra os painéis da atual linha Palio, da Fiat, com o console central pintado em cinza claro e o resto da peça, em cinza escuro. Nos instrumentos, uma diminuta tela de cristal líquido dentro do velocímetro reúne odômetro e consumo instantâneo.

Motor flex chega no início de 2011

Nesses primeiros meses de mercado brasileiro, o Chery Face usará apenas um motor: o bloco 1.3 litro Acteco a gasolina, de quatro cilindros em linha e duplo comando. O propulsor é acoplado a uma transmissão manual de cinco marchas e produz 84 cv de potência aos 5.750 rpm e um torque de 11,4 kgfm, despejado integralmente aos 3.500 rpm. A Chery informa velocidade máxima de 156 km/h e aceleração de zero a 100 km/h em longos 16 segundos. No início do ano que vem, o motor ganha a tecnologia flex, com sistema fornecido pela Delphi – o hatch QQ, um dos modelos que estará do Salão do Automóvel de São Paulo, será o primeiro Chery flex.

O desempenho do bloco a gasolina não impressiona. Mas a marca chinesa anunciou um consumo médio de bons 13 km por litro de combustível em trechos mistos (urbano e rodoviário). E além do baixo consumo e da farta lista de série, o Face terá revisões a preços fechados. Entre zero e 30 mil km rodados, o custo total para manter o carrinho é de atraentes R$ 547. Em espaço, o modelo de 3,70 metros de comprimento não é tão generoso. No banco traseiro vão apenas dois adultos. O porta-malas parece pequeno, mas leva 460 litros segundo a Chery. O Face vai brigar com Renault Sandero e Volkswagen Fox. Mas a verdade é que não há adversários diretos.

Primeiras impressões

Itu/SP – Confesso ao leitor: num primeiro olhar, o Face agrada. Os traços feitos pelo estúdio Bertone fazem deste chinesinho um carro atraente por fora, algo ainda pouco comum aos modelos fabricados na terra de Mao Tse-Tung – maior líder político da história da China, morto em 1976. Ao contrário dos desenhos exagerados da maioria dos modelos do País asiático, a minivan da Chery tem visual simples, elegante e harmonioso. Mesmo o interior tem sua dose de estilo, com algumas peculiaridades. A coluna central tem revestimento em tecido e espuma na base, para acompanhar os painéis das portas. Os bancos usam tecido de duas cores (amarelo e cinza). E a incomum alavanca do freio de mão parece um apoio de braço mais próximo do assoalho ou uma peça de acabamento.

Observado de forma mais geral, o Chery Face parece um degrau acima dos modelos chineses em acabamento. As peças exibem texturas e cheiros mais agradáveis que de costume. Mas basta observar os detalhes para ver que os chineses ainda precisam evoluir em qualidade de montagem e corte. Há rebarbas e folgas no painel e em outras partes internas e externas. Os tecidos que cobrem os assentos e portas também evidenciam a simplicidade extremada do modelo – talvez fruto de uma busca pelo menor custo de produção possível. No banco do motorista, uma grata surpresa: boa visibilidade, apesar dos espelhos laterais serem demasiadamente estreitos.

Para o condutor, há ajustes de altura para assento e volante. Mas as regulagens são um tanto limitadas e é preciso testar várias posições até achar a ideal. Os bancos macios têm apoios laterais pronunciados e recebem bem os passageiros que vão à frente. Os comandos ficam quase todos à mão. Só os controles de ajuste da iluminação azul do painel e da altura dos faróis ficam mal posicionados, muito “colados” no volante. Com o motor ligado, hora de testar conjunto mecânico, suspensão e direção. Ao todo, o teste drive durou cerca de 15 minutos. Tempo suficiente para constatar que, nesses quesitos, o Face ainda precisa evoluir.

O câmbio manual de cinco velocidades tem engates duros e ásperos. O escalonamento é até interessante e aproveita bem os giros do motor, que se mantém cheio a maior parte do tempo, para despejar seus 11,4 kgfm de torque, disponíveis por inteiro aos 3.500 giros. Como todo carro com bloco compacto aspirado, o Face não oferece grande arrojo ao volante. As acelerações são apenas razoáveis – elas funcionam melhor em percursos urbanos. Já as retomadas são mais lentas e forçam reduções de marcha. Em movimento, o equilíbrio do monovolume da Chery requer atenção. Direção e rodas têm um diálogo pouco afinado – falta precisão.

Na hora de frear, atenção: o pedal tem calibração mais folgada e o motorista precisa pisar fundo para parar o veículo com segurança. Tudo bem que há freios com ABS e EBD, além das bolsas frontais. Mas o Face, assim como outros modelos de marcas chinesas, ainda não possui um nível de qualidade capaz de apagar a má impressão sobre qualidade deixada por outros compatriotas já oferecidos no Brasil. Ainda assim, pela lista de equipamentos e pelo visual cativante, a minivan deve chamar a atenção do consumidor que busca uma relação custo/benefício realmente tentadora. Apesar da qualidade ainda inferior, em preço e equipamentos, o Face é praticamente imbatível.
 
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Veja abaixo a galeria de fotos:
 
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Ficha Técnica
Chery Face
Motor
1.3 Acteco
Cilindrada (Cm³)
1.297
Potência (Cv)
84 a 5.750 rpm
Torque (Kgfm)
11,4 a 3.500 rpm
Câmbio
Manual de cinco velocidades
Comprimento (m)
3,70
Largura (m)
1,58
Altura (m)
1,56
Entre-Eixo (m)
2,39
Porta-Mala (l)
460
Suspensão
Independente, do tipo McPherson no eixo dianteiro e semi-independente, com eixo de torção no traseiro
Freios
Discos sólidos na frente e tambores atrás, com ABS e EBD
Tanque (l)
45
Preço (R$)
R$ 31.900
Taxa de Compressão
10.8:1
Consumo (dados de fábrica - km/l)
13
Velocidade Final (km/h)
156
Aceleração 0 a 100 Km/h (s)
16
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