A Tesla, fabricante de carros elétricos baseada na Califórnia, anunciou nesta terça-feira (10) que abrirá uma segunda fábrica. O endereço promete causar dores de cabeça no chefão da empresa, o bilionário Elon Musk: Xangai, China.

Os planos de abrir uma planta em território chinês surgem em meio a uma disputa comercial entre China e Estados Unidos iniciada unilateralmente pelo presidente americano Donald Trump – e que tem sido respondida à altura pelo governo do país asiático.

Elon Musk depois de assinar acordo para construir a fábrica de Tesla em Xangai (China)

As primeiras informações são de que a unidade chinesa da Tesla produziria cerca de 500 mil carros elétricos por ano. A fabricante tem enfrentado percalços com o recém-lançado Model 3, criado para ser o seu produto mais barato e vendido em grande volume – somente no final de junho a fábrica de Freemont, na Califórnia, conseguiu entregar mais de 5 mil unidades em uma única semana.  

A guerra de tarifas anunciada por Trump contra a China e outros países pode piorar a situação da Tesla nos EUA, já que matérias-primas como aço e alumínio são alvos prioritários das sobretaxas. Na própria China, modelos importados dos EUA acabam de ser carimbados com um imposto adicional de 40%.

Fabricar em larga escala localmente tornou-se vital para Musk manter-se com a cabeça fora d’água. A Tesla vendeu cerca de 15 mil carros na China em 2017, ou cerca de 17% de todos os seus ganhos no período. O mercado para veículos elétricos e similares no país asiático passou de 775 mil unidades no ano passado, e deve chegar a 1 milhão em 2018. Além disso, um Tesla fabricado na China poderá ser exportado a preço mais amigável para mercados do Pacífico e até mesmo na América do Sul.

A dor de cabeça citada acima deve-se ao hábito de Trump de atacar nominalmente empresários que “traem” seu mote de “América em primeiro lugar”. Isso aconteceu há algumas semanas quando a Harley-Davidson, fabricante de motocicletas consideradas ícones dos EUA, anunciou que moveria parte de sua produção para a Europa. Trump foi ao Twitter para ofender a marca. Elon Musk e a Tesla podem ser os próximos alvos.

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