O gás natural veicular, mais conhecido como GNV, perdeu espaço nos últimos anos entre os motoristas particulares, mas atualmente ressurge como uma alternativa em tempos de falta de diesel, etanol e gasolina nos postos. Será que vale a pena investir na instalação de um kit de GNV?

O que é?
O gás natural veicular é uma mistura de hidrocarbonetos leves que, sob temperatura ambiente e pressão atmosférica, permanece em estado gasoso. Ele é extraído das jazidas no subsolo, frequentemente acompanhado pelo petróleo usado na produção de gasolina e diesel. O GNV é predominantemente constituído de metano (CH4), com teor mínimo de 87%. A queima do GNV é uma das mais limpas, praticamente sem emissão de monóxido de carbono e totalmente livre de enxofre. Vale lembrar: jamais confunda o GNV com o gás de cozinha (GLP), que em alguns casos é improvisado no uso automotivo, colocando em risco de morte os ocupantes do veículo e terceiros.

Por ser distribuído aos postos por meio de tubulações subterrâneas, o GNV não depende do transporte em caminhões e é mais difícil de ser adulterado. A sua venda é feita em metros cúbicos (m³).

Quanto custa instalar o kit GNV?
Para instalar o kit GNV no veículo, o motorista deve procurar uma oficina credenciada e homologada pelo Inmetro. A relação de estabelecimentos está no site da entidade. O conjunto pode ser instalado em carros com carburador ou injeção eletrônica. O custo médio do kit Geração 5, o mais moderno no mercado, é de R$ 4 mil.

O que muda no carro?Sistema de alta pressão
1 – Cilindro e válvula de alta pressão para armazenar o GNV
2 – Válvulas do compartimento de acesso para abastecimento com GNV
3 – Redutor que alivia a pressão do gás para alimentar o motor

Sistema eletrônico
4 – Chave para o motorista escolher o combustível a ser usado
5 – Bicos para a injeção do gás no motor. Há também sensores de temperatura e pressão
6 – Central eletrônica (ECU) de controle da quantidade de combustível a ser injetado, além de fornecer o diagnóstico do sistema de gás

Vantagens do GNV
O GNV compensa para quem roda bastante por ser mais barato que os demais combustíveis – e ainda emite menos poluentes. Caso esteja em uma região sem postos de GNV, o motorista pode abastecer o carro com etanol ou gasolina sem problemas. Alguns estados brasileiros ainda dão desconto no IPVA para os veículos convertidos para o gás natural veicular.

No simulador do site da Comgás é possível calcular o gasto de GNV em relação ao etanol ou gasolina, de acordo com a quilometragem rodada mensalmente, e quanto tempo levaria para recuperar o investimento.

Desvantagens do GNV
O dono do veículo terá de desembolsar – além das despesas de instalação do kit – para alterar a documentação do veículo. Carros zero quilômetro perdem a garantia de fábrica, e ainda há redução do espaço do porta-malas para acomodar os cilindros – embora alguns modelos possibilitem a instalação sob o veículo. Existe ainda a possibilidade de aumento nos gastos de manutenção por conta do desgaste prematuro de alguns componentes do motor.

Economia
A conta varia de acordo com o preço dos combustíveis nos postos. Segundo a Companhia de Gás de São Paulo, o GNV tem um rendimento 30% superior ao da gasolina e pode rodar até 50% a mais que o etanol. Mas esses números variam com as condições de uso do veículo e da condução do motorista.

Perda de potência
Embora seja mais econômico que os outros combustíveis, o GNV tem rendimento inferior. Considerando o kit Geração 5, a perda de potência fica em torno de 3% em relação a um carro abastecido com gasolina.

Imagem: Divulgação Fiat / Ilustração: Comgás