Muitos motoristas não sabem, mas é possível abastecer um carro movido a etanol ou flex com o álcool de uso doméstico vendido em farmácias e mercados. Mas antes de correr até a drogaria mais próxima nesses tempos de escassez de combustível nos postos por conta da greve dos caminhoneiros, vale lembrar que não é qualquer álcool que pode ser utilizado em uma emergência.

É preciso se atentar à graduação ºGL (Gay Lussac) impressa nas embalagens. Essa medida indica a quantidade, em mililitros, de álcool puro existente em 100 ml de mistura com água. Por exemplo, o etanol hidratado vendido nos postos tem um teor de 93 ºGL, indicando que em cada litro há 930 ml de álcool puro e 70 ml de água (7%).

Por questões de segurança, o álcool etílico para limpeza doméstica vendido em mercados tem uma graduação de até 54 ºGL, teor insuficiente para ser vaporizado e fazer um motor a combustão interna funcionar, uma vez que contém 460 ml de água por litro. No caso do álcool em gel, além de não conter graduação suficiente para o uso automotivo, não deve ser usado em hipótese alguma pelo risco de danificar seriamente o motor do veículo.

Já o álcool com 96,8 ºGL, encontrado em farmácias, pode ser usado em carros a etanol ou bicombustíveis sem problemas, pois a sua graduação é maior que a do etanol comercializado nos postos. Mas o seu preço é consideravelmente maior: uma garrafa de um litro custa, em média, R$ 7,00.

Caso tenha passado pela sua cabeça a ideia de abastecer o carro com cachaça, uísque ou vodca, saiba que seria apenas desperdício de dinheiro. As bebidas alcoólicas mais comuns raramente passam dos 50 ºGL, inviabilizando o seu uso em uma pane seca e podendo até provocar danos no motor.

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