Os brasileiros já podem se preparar para dar adeus à família de motores Fire da Fiat. Os propulsores que moveram carros da marca durante mais de 30 anos serão aposentados na Europa por não atenderem as novas normas de consumo e emissões. No Velho Continente, os motores Fire podem ser encontrados desde o compacto Autobianchi Y10 dos anos 1980 até o atual Fiat 124 Spider.

Apelidados de “Firefly”, os motores da família GSE (sigla em inglês para Família de Pequenos Motores Globais) são feitos no Brasil desde 2016 nas variantes 1.0 de três cilindros e 1.3 de quatro cilindros, quando estrearam nos compactos Uno e Mobi. Atualmente, os motores Firefly também estão disponíveis nos recém-lançados Argo e Cronos, mas tudo indica que eles também serão estendidos aos novos modelos do Grupo Fiat Chrysler Automóveis (FCA).

A FCA apresentou recentemente no Simpósio de Motores de Viena, na Áustria, as primeiras unidades turbinadas dos motores Firefly, de acordo com o site alemão Motor Talk. Com a sobrealimentação, o bloco de 1.0 litro chegou aos 120 cv de potência e 19,3 kgfm de torque, enquanto o 1.3 rendeu impressionantes 180 cv e 27,5 kgfm.

A Fiat ainda não revelou em quais veículos os motores Firefly turbninados serão aplicados, mas eles cumprirão um papel determinante na modernização de sua gama. No Brasil, o 1.8 e.TorQ deverá ser substituído pelo 1.3 turbo (possivelmente com uma calibração menos potente para aumentar a durabilidade com o uso de etanol). Assim, os Fiat Argo, Cronos e Toro, além do Jeep Renegade, poderão ser beneficiados com esse propulsor. Já o 1.0 turbo deverá equipar o novo SUV compacto da Jeep que ficará posicionado abaixo do Renegade.

Na Europa, os planos da FCA para esses motores são ainda maiores. Para o site Motor Talk, os propulsores turbo podem aparecer nas linhas 500 e Tipo e também no sucessor do Punto. A Alfa Romeo também poderá oferecê-los no hatch Giulietta e até mesmo na versão de entrada do sedã Giulia. Por fim, a Jeep poderia usar o 1.3 turbo nos modelos Renegade, Compass e até mesmo no Cherokee comercializados no mercado europeu.

No projeto dos novos motores, os engenheiros da FCA trabalharam para otimizar o compartilhamento de boa parte dos componentes para reduzir os custos de produção. Além disso, a arquitetura desses motores foi aprimorada para eliminar ao máximo o atrito das peças móveis e, consequentemente, baixar o consumo de combustível e as emissões.

Os motores turbo utilizam injeção direta de combustível operando com pressão de 200 bar, quatro válvulas por cilindro, controle variável de válvulas (MultiAir II) e coletor de escape integrado ao cabeçote. A unidade de 1.0 litro pesa 91 kg, enquanto a 1.3 litro tem 110 kg.