A unidade de energia da Volkswagen Electrify America, atuante nos Estados Unidos, fechou um acordo com o Walmart para instalar estações de carregamento em mais de 100 lojas da rede de supermercados. O prazo é meados de 2019.

O plano é oferecer apoio aos motoristas de carros elétricos em 34 dos 50 estados norte-americanos. Cerca de 80% das estações ficarão nas lojas situadas em rodovias, e as demais, em supermercados urbanos. Cada estação terá entre quatro e dez pontos de recarga.

Pelo menos duas rotas que cortam os EUA de leste a oeste, as Interstate 10 (Califórnia/Flórida) e 80 (Califórnia/New Jersey), terão um bom número de estações da Electrify America em lojas da rede de supermercados.

É uma tentativa de afastar o temor de que a relativamente baixa autonomia dos carros elétricos (geralmente não mais que 300 milhas, pouco para as distâncias enormes dos EUA) deixe o motorista na mão, em pane seca de eletricidade.

Oferecer infraestrutura para manter os carros elétricos rodando é um desafio para a indústria automotiva e governos interessados em energia alternativa e preservação do meio ambiente.

Não é, certamente, o caso da gestão do presidente Donald Trump – entre outras aberrações, o atual chefe da EPA, a agência de proteção ambiental americana, é um entusiasta dos combustíveis fósseis.

Mas é o caso, por exemplo, do poderoso governo da Califórnia, estado mais rico dos EUA e fortemente engajado na priorização de energia limpa.

A administração da Califórnia, comandada pelo democrata Jerry Brown, moveu ação contra a Volkswagen devido à fraude nas emissões de veículos a diesel da marca, descoberta no final de 2015.

O escândalo, que derrubou o outrora todo-poderoso Martin Winterkorn do comando do grupo alemão, foi resolvido localmente com uma indenização de US$ 800 milhões, a serem pagos por meio da instalação de infraestrutura para veículos limpos.

Outras ações movidas nos EUA elevaram o total de “investimentos forçados” da Electrify America a cerca de US$ 2 bilhões, ao longo de dois anos.

POR TABELA
Um dos aspectos interessantes do castigo imposto à Volks e sua divisão de energia é que o maior beneficiário, ao menos inicialmente e em termos de imagem, será Elon Musk, o criador da Tesla.

Enquanto os planos de massificação de veículos elétricos nos EUA por parte da Volks e outras montadoras ainda engatinham, Musk e Tesla (ou Tesla e Musk) viraram sinônimo de carro elétrico. Por isso, qualquer ação pública envolvendo esse tipo de propulsão beneficia a marca e seu criador.

É um marketing indireto que vem em boa hora para a Tesla, que atravessa crise por não conseguir desempacar a produção do Model 3, lançado em 2016 para ser seu primeiro carro de volume.

Talvez provando que a cabeça de Musk está mais em Marte que na Terra (ele é o criador da SpaceX, que nesta semana lançou mais um foguete a partir de Cabo Canaveral), em três anos foram entregues apenas 10 mil unidades do Model 3; a previsão era fabricar 500 mil no biênio 2017-18.

No entanto, os Tesla S (sedã) e X (SUV) têm presença relevante nas ruas americanas (especialmente nos estados mais progressistas, como a Califórnia). Suas autonomias chegam a 335 e 290 milhas, respectivamente.

A fabricante criou sua própria rede de estações de recarga nos EUA; atualmente são 1.210, com mais de 9.400 plugs de alta performance e carga rápida.

CARRO DE ELITE
Embora o trajeto rodoviário ligando Pacífico e Atlântico por terras americanas esteja bem coberto (são dezenas de pontos ao longo das 2.430 milhas da já citada I-10, por exemplo), donos de Tesla ainda se sentem mais confortáveis quando já estão nas duas bordas do mapa dos EUA.

É entre as chamadas “elites costeiras” que a marca é mais procurada, e é nessas regiões em que há mais pontos de recarga.

Talvez a ação da Electrify sirva para despertar o interesse da América profunda – a que elegeu Trump e está se lixando para o aquecimento global – por eletricidade como a energia de seus carros e (futuramente) até mesmo de suas sagradas picapes. O vício em petróleo é forte, mas pode ter cura.

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