A nova geração do Volkswagen Tiguan foi lançada no Brasil na última semana em três versões baseadas na configuração de entre-eixos alongado Allspace. Rodamos com a variante intermediária Comfortline 250 TSI de sete lugares (R$ 149.990), considerada pela marca como a provável opção de maior participação no mix de vendas do SUV no país.

Fabricado no México a partir da plataforma modular MQB (a mesma de Golf, Passat, entre outros modelos do Grupo Volkswagen), o novo Tiguan Allspace tem o entre-eixos alongado em 11 centímetros para atender o mercado-norte americano – a versão curta feita na Alemanha é destinada à Europa. Além da estrutura, o SUV compartilha com o Golf diversos componentes e as motorizações 1.4 TSI flex de 150 cv e 2.0 TSI a gasolina de 220 cv.

O Tiguan Allspace mede 4,71 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,67 de altura e 2,79 m de distância entre-eixos. Apesar de ser quase 28 cm mais comprido que o Tiguan de primeira geração, o novo SUV pesa 50 quilos a menos por conta da plataforma mais moderna. O porta-malas acomoda 686 litros de bagagem (216 litros com o uso da terceira fileira de bancos) ou 710 litros na versão de entrada de cinco lugares (R$ 129.900).

Para empurrar os 1.598 quilos do SUV, o conhecido motor 1.4 com turbo e injeção direta entrega 150 cv de potência a 5.000 rpm e 25,5 kgfm de torque a 1.500 rpm tanto com etanol quanto com gasolina. A transmissão é a automatizada DSG de seis velocidades e dupla embreagem, sempre com tração dianteira.

A versão avaliada é equipada de série com direção elétrica, ar-condicionado de três zonas, bancos de couro com aquecimento e ajustes elétricos com memória para o do motorista, faróis e lanternas de LED, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, volante multifuncional com borboletas para trocas de marchas, retrovisor interno antiofuscante, sensor de chuva, monitoramento de pressão dos pneus, freio de estacionamento eletrônico, detector de fadiga, central multimídia Discover Media com tela sensível ao toque de 8 polegadas, câmera de ré e GPS, seis airbags, controles de estabilidade e tração, Isofix, rack de teto e frisos cromados e rodas de liga leve aro 18”.

Os opcionais disponíveis são o teto solar panorâmico (R$ 4 mil) e as pinturas metálicas cinza Platinum, prata Snow e vermelho Rubi (R$ 2.140 cada) e a perolizada preto Mystic (R$ 2.550).

O espaço da cabine é bom para cinco adultos, com direito a mesinhas retráteis nos encostos dos bancos dianteiros. A combinação de plástico rígido com revestimento macio nas portas dianteiras pode ser considerado correto pela boa montagem das peças. Já a terceira fileira de bancos com pouco espaço para as pernas e encostos retos pode tornar uma viagem longa um tanto cansativa, sendo mais indicada para levar crianças em trajetos mais curtos.

Mesmo com a típica posição de dirigir mais elevada dos SUVs, o Tiguan lembra bastante o Golf pela distribuição dos instrumentos e alinhamento dos pedais. Em movimento, ele surpreende pelo desempenho bastante satisfatório para um carro do seu porte. O motor entrega toda a força a baixas rotações, garantindo saídas sem esforço. A suavidade das rápidas trocas de marchas do câmbio DSG facilita na hora de embalar o SUV na estrada mesmo com quatro pessoas a bordo. No entanto, em alguns trechos do teste preferimos antecipar as trocas de marchas manualmente nas borboletas atrás do volante para ganhar um pouco de agilidade em ultrapassagens e retomadas. Segundo a Volkswagen, o Tiguan Allspace leva 9,5 segundos para atingir os 100 km/h.

Outra característica que remete ao Golf é a direção precisa, além das suspensões bem calibradas para priorizar a estabilidade em curvas e velocidades mais altas, porém sem comprometer o conforto dos ocupantes. Mesmo no pequeno trecho de terra que fazia parte do teste, o Tiguan se mostrou equilibrado, sem trepidações excessivas ou batidas secas das suspensões, apesar da sua vocação para rodar no asfalto.

Uma pena que a programação do teste não nos permitiu guiar a versão topo de linha R-Line (R$ 179.990) equipada com o motor 2.0 TSI de 220 cv do Golf GTI e tração integral. Deixaremos o modelo para uma avaliação mais detalhada com medições de consumo e desempenho em pista.

Bem construído, muito bom de guiar e confortável, o novo Tiguan chega com credenciais para incomodar a concorrência, como previsto pela ofensiva de novidades da Volks confirmadas até 2020, sendo que quatro delas são SUVs de diferentes categorias – o próximo será o T-Cross, feito em São José dos Pinhais (PR) a partir da plataforma MQB-A0 do Polo.

Teste-drive a convite da Volkswagen
Fotos: Divulgação

Ficha técnica
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, sete lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção direta, turbocompressor, duplo comando variável de válvulas na admissão e escape acionado por correia dentada, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros4 em linha
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10:1
Cilindrada1.395 cm³
Potência 150 cv a 5.000 rpm
Torque25,5 kgfm a 1.500 rpm
TransmissãoAutomatizada de dupla embreagem e seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraIndependente multibraços
Pneus e rodas 235/55 R18, liga leve 18"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos com ABS e EBD
Tanque de combustível 58 litros
Volume do porta-malas 686 litros
Altura1,65 m
Comprimento4,70 m
Largura1,83 m
Entre-eixos 2,79 m
Peso em ordem de marcha1.598 kg
0 a 100 km/h 9,5 segundos
Velocidade máxima198 km/h