Lançado no Brasil há nove anos, o Honda City quase sempre teve uma vida cômoda entre os sedãs intermediários – ou compactos-médios. Mas este ano a concorrência pelas primeiras posições da categoria está mais acirrada com a estreia do Volkswagen Virtus, que mal chegou e já ameaça a liderança do Chevrolet Cobalt. Neste comparativo confrontamos as versões topo de linha de City e Virtus para ver qual deles tem mais chances de reinar no segmento.

O Honda City é um velho conhecido do mercado brasileiro. O sedã é vendido por aqui desde 2009 e ganhou a segunda geração em 2014 (a sexta no mercado global). Todas as versões do City são equipadas com o motor aspirado 1.5 16V i-VTEC de até 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque. Na configuração EXL (a partir de R$ 83.440), o propulsor é combinado ao câmbio automático tipo CVT com simulação de sete marchas.

Já o Volkswagen Virtus faz a sua estreia mundial no Brasil como a variante sedã do novo Polo, apesar do entre-eixos alongado. A versão Highline 200 TSI (R$ 79.990) é movida pelo motor 1.0 TSI de três cilindros com turbo e injeção direta de combustível, que rende até 128 cv e 20,4 kgfm.

Equipamentos e opcionais
Ambos contam com direção elétrica com ajustes de altura e profundidade do volante multifuncional; ar-condicionado digital; piloto automático; central multimídia com telas de 7 polegadas, câmera de ré, GPS, compatibilidade com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay e duas portas USB; banco traseiro bipartido; rodas de liga leve de 16 polegadas; luzes diurnas de LED, entre outros.

Em termos de conforto e conveniência, o City EXL traz faróis de LED, retrovisores com rebatimento elétrico e função “um toque” nas janelas traseiras, itens indisponíveis no rival. Além disso, os bancos de couro de série do City EXL são cobrados à parte (R$ 800) no Virtus Highline. Em contrapartida, o Volkswagen tem acesso por meio da chave presencial e partida do motor por botão no console central.

No quesito segurança, tanto o City EXL quanto o Virtus Highline são equipados com airbags frontais e laterais, freios com ABS e Isofix para a fixação de até duas cadeirinhas infantis no banco traseiro. O Honda possui dois airbags a mais (de cortina), mas não oferece os controles de estabilidade e tração presentes de série no Virtus, que ainda conta com freios a disco nas quatro rodas, sensores de estacionamento traseiro e faróis de neblina com função de iluminação de curvas.

Os únicos opcionais do City EXL são as pinturas metálicas (R$ 990) e perolizadas (R$ 1.290). O Virtus Highline pode receber rodas de 17 polegadas (R$ 1.200), banco do passageiro dianteiro com encosto rebatível (R$ 300) e o pacote Tech High (R$ 3.300), que inclui sensores de estacionamento dianteiros, detector de fadiga, comandos de voz espelho interno antiofuscante, indicador de pressão dos pneus, assoalho do porta-malas ajustável, sensor de chuva, faróis com acendimento automático, painel de instrumentos com tela digital configurável de 12 polegadas e central multimídia com tela de oito polegadas e comandos por voz. A Volkswagen ainda cobra R$ 450 pelas cores sólidas branco e vermelho e R$ 1.450 pelas pinturas metálicas.

Espaço e acabamento
Medindo 4,48 metros de comprimento, o Virtus leva vantagem em praticamente todas as medidas. Desenvolvido sobre a plataforma modular MQB-A0, ele é 42,5 centímetros mais comprido que o novo Polo e tem a mesma distância entre-eixos (2,65 m) do Jetta atual. Em comparação com o City, o Virtus acomoda com maior facilidade três adultos no banco traseiro (com direito a saídas do ar-condicionado) e ainda leva 521 litros de bagagem no porta-malas.

Embora seja apenas 3 cm mais curto que o rival, o City tem o espaço interno comprometido pelo entre-eixos 5 cm menor. O Virtus também é mais amplo lateralmente, mas o Honda consegue levar um pouco mais de bagagem no compartimento de 536 litros.

Se perde por pouco em espaço, por outro lado o City dá o troco no acabamento. As cabines dos dois sedãs são bem montadas, sem falhas nos encaixes ou rebarbas nas peças. O uso de materiais de melhor qualidade dá ao Honda uma aparência mais sofisticada, enquanto o Virtus utiliza materiais e revestimentos um tanto simples para um carro de sua categoria.

Mas é ao volante que City e Virtus mostram as suas principais diferenças. O Honda até andou próximo do Volkswagen nos testes de pista feitos pelos engenheiros do Instituto Mauá de Tecnologia, mas na prática, com o carro carregado com pessoas e bagagens, o motor 1.5 se mostra limitado para a proposta de um sedã por disponibilizar o torque máximo de 15,3 kgfm a giros muito elevados (4.800 rpm). Para aproveitar essa força, o câmbio CVT mantém o propulsor funcionando em altas rotações em condições que exigem mais do carro, como ladeiras e ultrapassagens em rodovias – e, consequentemente, prejudicando o conforto acústico dos ocupantes com o elevado nível de ruído do motor.

Já o 1.0 turbo do Virtus tem funcionamento mais linear, com entrega do torque de 20,4 kgfm logo na arrancada, dispensando acelerações mais intensas. E a disponibilidade dessa força em baixas rotações permitiu ao Virtus atingir números de desempenho parecidos com os do Honda Civic EX 2.0 CVT na pista de testes, acelerando de 0 a 100 km/h na casa dos 10 segundos com etanol. Além do motor mais eficiente, o Volkswagen é mais prazeroso de dirigir que o City pela suavidade das trocas do câmbio automático, combinado à direção mais precisa e suspensões mais confortáveis. Mesmo rodando mais macio, o Virtus tem estabilidade direcional e comportamento em curvas mais equilibrados que o rival.

Manutenção
A Honda não trabalha com preços fixos de revisão, mas sugere valores aos concessionários que sigam uma tabela estipulada. De acordo com a marca, essa estratégia visa a possibilidade de cada lojista entregar o melhor atendimento para o seu cliente de acordo com a região. Já a Volkswagen tabela as manutenções do Virtus, oferecendo uma condição especial para os clientes da versão Highline: as três primeiras revisões são gratuitas. Confira os preços abaixo:

 
City EXL
Virtus Highline 200TSI
10.000 km (1 ano)R$ 273,72R$ 0
20.000 km (2 anos)R$ 410,01R$ 0
30.000 km (3 anos)R$ 497,86R$ 0
40.000 km (4 anos)R$ 1.809,26R$ 847
50.000 km (5 anos)R$ 497,86R$ 453
60.000 km (6 anos)R$ 1.404,92R$ 519
TotalR$ 4.893,63R$ 1.819

Seguro
As apólices de seguro cotadas pela Carsale Corretora (11 3019-2900) cobrem os veículos em 100% do valor da tabela Fipe, com indenizações de R$ 100 mil a danos materiais e corporais, além de carro reserva por sete dias. O perfil simulado é para o uso particular de um homem de 35 anos, casado, sem filhos, morador da zona sul de São Paulo (SP), com garagem fechada em casa e no trabalho. As propostas não cobrem danos provocados por motoristas com idade entre 18 e 24 anos. Veja os valores abaixo:

 
City EXL
Virtus Highline 1.0 TSI
ItaúR$ 4.376,24 (franquia R$ 2.347)R$ 2.577,61 (franquia R$ 860)
Porto SeguroR$ 4.526,87 (franquia R$ 2.347)R$ 2.656,88 (franquia R$ 860)
Tokio MarineR$ 5.218,51 (franquia R$ 2.075)R$ 3.575,83 (franquia R$ 2.000)
MapfreR$ 5.595,85 (franquia R$ 2.438,79)R$ 3.803,68 (franquia R$ 2.642)
MédiaR$ 4.929,36 (franquia R$ 2.301,94)R$ 3.153,50 (franquia R$ 1.590,50)

O Honda City continua sendo um carro com qualidades para atender uma família pequena, mas enfrentará dificuldades diante de um rival maior, mais moderno e com preços mais convidativos. Mais espaçoso, com uma boa oferta de equipamentos nas versões mais caras, além do conjunto mecânico mais eficiente, o Virtus também levou vantagem nos custos de manutenção e seguro, vencendo o comparativo por ser uma opção mais interessante em termos de custo-benefício.

Teste Carsale-Mauá

 
Honda City 1.5 CVT
VW Virtus 1.0 TSI
Consumo cidade8,5 km/l (e)
11,1 km/l (g)
9,8 km/l (e)
12,7 km/l (g)
Consumo estrada13,9 km/l (e)
17,0 km/l (g)
14,6 km/l (e)
17,9 km/l (g)
0 a 60 km/h 5,74 segundos (e)
5,85 segundos (g)
4,55 segundos (e)
4,83 segundos (g)
0 a 100 km/h 11,91 segundos (e)
12,25 segundos (g)
10,40 segundos (e)
11,17 segundos (g)
0 a 120 km/h 16,56 segundos (e)
17,05 segundos (g)
14,45 segundos (e)
15,60 segundos (g)
Retomada 40 a 100 km/h9,85 segundos (e)
10,13 segundos (g)
7,93 segundos (e)
8,42 segundos (g)
Retomada 80 a 120 km/h 8,37 segundos (e)
8,74 segundos (g)
7,39 segundos (e)
7,87 segundos (g)
Aceleração em 400 metros18,44 segundos - 126,79 km/h (e)
18,62 segundos - 125,49 km/h (g)
17,30 segundos - 130,94 km/h (e)
17,77 segundos - 127,58 km/h (g)
Aceleração em 1000 metros32,30 segundos - 160,95 km/h (e)
33,69 segundos - 158,91 km/h (g)
31,72 segundos - 166 km/h (e)
32,62 segundos - 160,72 km/h (g)
Frenagem 100 a 0 km/h50,8 metros50,4 metros

Ficha técnica

 
City EXL
Virtus Highline 200TSI
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugaresMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto, naturalmente aspirado, comando de válvulas simples no cabeçote variável na admissão acionado por correnteDianteiro, transversal, injeção direta, turbocompressor, duplo comando de válvulas no cabeçote variável na admissão e escape, acionado por correia dentada, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros4 em linha3 em linha
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)12 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão11,4:110,5:1
Cilindrada1.497 cm³999 cm³
Potência (gasolina/etanol)115/116 cv a 6.000 rpm115/128 cv a 5.500 rpm
Torque (gasolina/etanol)15,2/15,3 kgfm a 4.800 rpm
20,4 kgfm a 2.000 rpm
TransmissãoAutomática do tipo CVT com simulação de 7 marchasAutomática de seis velocidades
TraçãoDianteiraDianteira
DireçãoElétricaElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPhersonIndependente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torçãoEixo de torção
Pneus e rodas185/55 R16, liga leve 16"
205/50 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBDDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBDDiscos sólidos com ABS e EBD
Tanque de combustível 46 litros52 litros
Volume do porta-malas 536 litros521 litros
Altura1,48 m 1,46 m
Comprimento4,45 m4,48 m
Largura1,69 m1,75 m
Entre-eixos 2,60 m2,65 m
Peso em ordem de marcha1.137 kg1.192 kg

Fotos: Guilherme Silva (Volkswagen Virtus), Renan Rodrigues e Divulgação