A SsangYong, marca sul-coreana que ficou conhecida no Brasil pelo visual controverso de seus veículos, está de volta ao país. Sem representante oficial desde 2015, a marca agora será representada pela Venko Motors, empresa responsável pela introdução da Chery no Brasil. Essa será a terceira passagem da marca no mercado brasileiro (esteve aqui entre 1995 e 1998 e 2001 e 2015), porém, dessa vez a promessa é ficar para sempre. Mahindra, que também já operou no país, e a própria SsangYong participam do investimento.

Porém, a tarefa não é das mais simples, uma vez que precisará reconquistar todos os seus antigos clientes e reconstruir a imagem da empresa. Para isso, a SsangYong irá reaproveitar as 16 concessionárias que ficaram do negócio antigo e oferecer até a possibilidade de estender a garantia dos carros de seus 16.511 clientes, desde que as revisões tenham sido feitas até agosto de 2015.

No início de 2018, a marca chegará com quatro modelos, enquanto durante o Salão do Automóvel de São Paulo, no último trimestre do próximo ano, a marca trará a quarta geração do Rexto, que será posicionado como topo de linha. Vale ressaltar que os carros da sul-coreana não ostentam mais os antigos motores da Mercedes-Benz, sendo agora todos fabricados pela própria empresa.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Nessa quinta-feira (23) o Carsale teve a oportunidade de testar os quatro primeiros modelos que chegarão ao país. Os pacotes de equipamentos do quarteto ainda são aproximados, uma vez que a marca ainda não fechou as configurações de cada unidade. A SsangYong do Brasil também informou que cada modelo terá duas versões com as mesmas configurações mecânicas, mas difrenças de equipamentos.

ACTION

A picape intermediária é a principal aposta da SsangYong para o Brasil. O modelo ganhou uma nova geração e ficou mais harmonioso, ainda que seu visual continue dividindo opiniões. Equipado com o motor 2.2 turbodiesel Euro 6 que gera 178 cv de potência a 4.000 rpm e torque de 41 Kgfm entre 1.400-2.800 rpm, o modelo utiliza o câmbio é automático de seis velocidades fornecido pela Aisin. A tração é 4×4 acionada por demanda.

A picape da SsangYong tem dimensões de 4,99 metros de comprimento, 1,91 m de largura e 1,78 m de altura. A distância entre-eixos é de 3,06 m. Com construção do tipo monobloco, a picape chega para tentar rivalizar com a líder Fiat Toro, que tem 4,91 metros de comprimento, 1,88 m de largura, 1,74 m de altura e 2,99 m de entre-eixos. Apesar disso, a marca pretende posicionar a Action entre as picapes médias, ainda que sua capacidade de carga seja de apenas 720 kg.

O motor faz com que a picape tenha boa desenvoltura na estrada, enquanto o acerto de suspensão garante que ela não balance tanto na cidade quanto as picapes maiores, com um comportamento dinâmico que lembra a Toro, embora a picape da Fiat é melhor acertada e mais confortável. Em curvas de alta velocidade a estabilidade não é comprometida. Algo que incomoda um pouco é a invasão do barulho do motor na cabine toda vez que são necessárias acelerações mais fortes. Como se trata de versões para homologação, existe a possibilidade de a picape apresentar algumas diferenças em relação ao produto final.

O interior da picape, assim como todos os carros da marca, é bem acabado. Os materiais são de boa qualidade e o painel é emborrachado, no entanto, é preciso um tempo para se habituar com a mistura de cores e texturas. A central multimídia é pouco intuitiva e não possui conexões com Android Auto e Apple CarPlay. O preço estimado ficará entre R$ 120 e R$ 150 mil.

TIVOLI e XLV

O Tivoli é a segunda maior esperançada da marca. Trata-se de um SUV compacto para concorrer com Honda HR-V, Jeep Renegade e afins. Para isso, a marca aposta no motor 1.6 de 128 cv de potência a 6.000 rpm e torque de 16,3 Kgfm a 4.600 rpm conectado à transmissão automática de seis marchas da Aisin. No Salão do Automóvel de São Paulo, segundo a fabricante sul-coreana, há a possibilidade de o modelo ganhar um motor flex. A marca garante que haverá controles de tração e estabilidade, mas não detalhou as diferenças nas configurações de entrada e topo de linha.

Em termos de dirigibilidade, o Tivoli certamente é o mais prazeroso. Apesar dos 1.300 kg, o Tivoli é bem ágil e tem respostas rápidas, no entanto, sofre do mesmo problema com o isolamento acústico. O grande destaque é o acerto de suspensão. Confortável na cidade e muito estável na estrada. Aliás, esse é um problema do XLV. Com 23,8 cm a mais que o Tivoli convencional, o XLV não teve mudanças no acerto de suspensão, enquanto toda a diferença de tamanho se localiza no balanço traseiro. O resultado é uma traseira “boba”, que desliza facilmente nas curvas mais acentuadas. Com os 720 litros do porta-malas ocupados, a tendência é que esse comportamento seja ainda mais acentuado.

O Tivoli tem 4,20m de comprimento, 1,80m de largura, 1,59m de altura e entre-eixos de 2,60m. No caso do XLV a mudança está apenas no comprimento, que é de 4,43 m. O porta-malas do Tivoli comporta 420 litros, mas poderia ser maior. Em todos os modelos da marca, exceto na picape, há perda de espaço por conta do estepe, o que é normal, porém, além disso, há uma moldura em isopor ou plástico para prender melhor o estepe e o kit de peças para troca do pneu. Se as ferramentas fossem colocadas em uma bolsa de velcro, por exemplo, o compartimento ganharia tranquilamente algo entre 50 e 70 litros.

O Tivoli chegará às lojas com preços entre R$ 85 mil e R$ 100 mil, enquanto sua versão maior, o XLV, custará entre R$ 90 mil e R$ 105 mil.


KORANDO

Sem dúvidas o visual mais legal da linha SsangYong, ao menos na dianteira. É bem verdade que seu formato como um todo lembra bastante a Chevrolet Captiva, no entanto, o modelo possui linhas mais arrojadas. O motor e calibração é o mesmo da picape, ou seja, 2.2 turbodiesel Euro 6 que gera 178 cv de potência a 4.000 rpm e torque de 41 Kgfm entre 1.400-2.800 rpm. O câmbio é automático de seis velocidades fornecido pela Aisin. A tração é 4×4 acionada por demanda.

Pesando 300 kg a menos que a picape (2.059 kg contra 1.750 kg), o desempenho do SUV médio é ainda melhor. Os 178 cv empolgam, enquanto o câmbio realiza trocas rápidas e suaves. Neste caso, o isolamento é um pouco melhor e o barulho do motor não invade tanto a cabine. O comportamento dinâmico do Korando também é melhor que os demais modelos testados, muito por conta da diferença na suspensão traseira: é o único dos quatro com multi link na traseira. A marca ressalta que nenhum dos modelos necessitou de ajustes de suspensão para rodar no Brasil, ou seja, a calibração é a mesma oferecida em países da Europa.

O modelo terá 4,41 m de comprimento, 1,83 m de largura, 1,67 m de altura (1.710 mm com rack no teto) e entre-eixos de 2,65 m, o Korando traz capacidade do porta-malas de 486 litros. O Korando será comercializado no Brasil a partir de 2018 com preço estimado entre R$ 135 mil a 150 mil, mirando o líder Jeep Compass.

Imagens: Divulgação