A Fiat Chrysler Automóveis (FCA) realizou na primeira semana de outubro a terceira edição da Jeep Experience no Brasil, evento criado para divulgar e mostrar as capacidades dos modelos em condições adversas. Se nas edições anteriores a Jeep colocou um comboio de Renegade para desbravar a Chapada Diamantina pelo interior da Bahia (em 2015) e a Chapada dos Veadeiros, no Mato Grosso (2016), desta vez o destino foi o Parque Estadual do Jalapão, em Tocantins.

Para enfrentar os 800 quilômetros de estrada, sendo 500 km longe do asfalto em meio ao árido e quente cerrado tocantinense, a Jeep também colocou à prova o SUV médio Compass, o seu mais recente lançamento. Para a expedição foram disponibilizadas sete unidades do modelo e sete do Renegade, em versões variadas com motorização 2.0 turbodiesel de 170 cv, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4. Os carros foram para o desafio do jeito que saíram da fábrica, sem alterações mecânicas, de suspensão, pneus, etc.

O nosso primeiro “companheiro” de viagem foi um Jeep Compass Trailhawk, que conta com suspensões 20 mm mais altas e pneus de uso misto como principais diferenças em comparação com as configurações de apelo mais urbano.

Partindo de Palmas logo cedo, a expedição seguiu em comboio em direção ao Parque Estadual do Jalapão, fazendo a primeira parada para abastecimento em Novo Acordo, pequena cidade localizada a 130 km da capital de Tocantins. Apesar da pequena distância percorrida, os tanques dos carros foram completados devido a dificuldade de encontrar postos de combustíveis na região. Embora o computador de bordo mostrasse autonomia superior a 600 km, teríamos pela frente mais 270 km em estradas de areia e terra Jalapão adentro. Melhor não arriscar.A expedição começou de verdade ao sairmos de Novo Acordo com destino a São Félix do Tocantins. São apenas 74 km de distância, mas a viagem pode ser considerada uma pequena aventura por conta das condições da rodovia estadual que liga as duas cidades. Sem pavimentação, a estrada é quase toda de areia fofa e cascalho, repleta de armadilhas que podem surpreender os motoristas desatentos. Em muitos trechos há buracos e pedras que podem danificar os pneus e a suspensão do veículo, mas o principal perigo são os bancos de areia. Para evitar que os carros atolassem, os instrutores da Jeep orientavam os motoristas para guardarem uma distância segura do veículo da frente, mantendo a aceleração constante para não perder o embalo sobre o “areião”.

Nos trechos mais complicados, foi recomendado utilizar o modo Sand (areia) do sistema Selec-Terrain dos carros. O recurso atua na eletrônica dos modelos 4×4 da Jeep, adaptando os parâmetros do acelerador, câmbio e tração de acordo com o terreno a ser enfrentado. Com o modo Sand selecionado, a reduzida é acionada, o diferencial central é bloqueado e as acelerações são “retardadas” para evitar que as rodas patinem em excesso e o carro atole na areia.Após a parada para o almoço em São Félix do Tocantins, o comboio percorreu quase 60 km até a Cachoeira do Formiga, um dos pontos turísticos mais aguardados do trajeto. A pequena queda d’água do Rio Formiga, que forma um poço cristalino em meio à mata nativa, foi uma baita recompensa após rodarmos sob o forte calor que já superava os 40 graus no meio da tarde.

Depois do refresco, rodamos mais 9 km em direção a outra bela atração da região, o Fervedouro do Ceiça. A exótica piscina natural impede que as pessoas afundem por conta do fenômeno da ressurgência, que ocorre quando a água da nascente de um rio subterrâneo brota do solo com pressão elevada.Antes de seguirmos até a cidade de Mateiros, onde passamos a noite, a expedição visitou o povoado quilombola do Mumbuca, formado por descendentes de escravos que fugiram da Bahia no início do século passado. A principal fonte de sustento da comunidade são os artesanatos feitos com o capim dourado, abundante na região. A simpatia e hospitalidade dos moradores locais já valem a visita.Ao final do primeiro dia de expedição e 400 km rodados (sendo quase 300 km fora do asfalto), nenhum carro apresentou problema mecânicos – exceto a proteção do para-choque traseiro do nosso Compass que se soltou após bater em um grande buraco escondido na areia da estrada. Segundo as nossas anotações, o SUV registrou média de 15,4 km/l no trecho asfaltado do início da viagem. No trajeto off-road, a marca caiu para 10 km/l (boa média se considerarmos o uso da tração 4×4 com reduzida nos pontos mais críticos).

No segundo e último dia, trocamos o Compass Trailhawk por um Renegade Longitude. Voltando para Palmas por outra rodovia sem pavimentação, fizemos a primeira parada nas Dunas Douradas, a 30 km de Mateiros. Para chegar até a atração, é necessário percorrer uma trilha de 5 km de areia fofa. Nesse percurso, redobramos o cuidado para não deixar o Renegade atolar devido a menor altura livre do solo e os pneus para asfalto. A equipe de filmagem da Jeep, que utilizava um carro idêntico, não tomou a mesma precaução e teve de ser resgatada por um dos Jeep Wrangler utilizados no apoio.A rodovia estadual escolhida para retornarmos à capital do estado foi a mais desafiadora do trajeto. Por ficar próxima das dunas, a estrada é mais arenosa por causa da movimentação do sedimento carregado pelos ventos. A profundidade dos bancos de areia aumenta consideravelmente e a fina poeira levantada pelos carros da frente compromete drasticamente a visibilidade, obrigando o uso dos faróis e lanternas de neblina o tempo todo. Nesse percurso, os carros rodaram boa parte do tempo no modo Sand para evitar contratempos que atrasariam a viagem – condições que derrubaram a média de consumo no off-road para 6 km/l.

Após 90 km, chegamos à Prainha e Cachoeira da Velha. A praia de água doce foi parada obrigatória para se refrescar do forte calor que chegou a 43 graus naquela tarde. Depois de contemplarmos a cachoeira (o banho não é permitido devido a altura das quedas e pelo grande volume de água) partimos para Ponte Alta do Tocantins, cidade onde abastecemos os carros antes de rodarmos mais 165 km em estrada asfaltada até Palmas, nosso destino final.

Confira algumas imagens da viagem no vídeo abaixo:

Dicas para fazer uma viagem off-road pelo Jalapão
– Contrate um guia caso não conheça bem a região. No Jalapão não há muitas placas informativas e de sinalização. Além de não ter sinal de celular em quase toda a área do Parque Estadual do Jalapão, é difícil se localizar por lá apenas com mapas e GPS.

– Defina os pontos de interesse com antecedência para organizar melhor a rota.

– Faça uma revisão completa no seu veículo 4×4 antes pegar a estrada. Verifique as condições dos pneus e do estepe. Leve cabos de reboque e ferramentas para pequenos consertos e tirá-lo de atoleiros (pás, pranchas), caso necessário.

– Abasteça assim que encontrar um posto com combustível de boa qualidade. As distâncias no Jalapão são longas e as estradas não possuem pontos de apoio.

– Leve muita água e lanches rápidos. O Jalapão é muito quente e seco e não possui estruturas de apoio fora das cidades da região.

– Comece a viagem bem cedo para percorrer a maior distância possível, sem forçar o ritmo, enquanto as temperaturas ainda não estão muito altas.

– Não esqueça de levar protetor solar, boné/chapéu, repelente de insetos, calçados confortáveis, roupas leves e um kit de primeiros socorros. As temperaturas no Jalapão começam perto dos 30 graus logo pela manhã e podem chegar aos 45 graus no meio da tarde.

– Leve dinheiro em espécie. Há poucos estabelecimentos que aceitam cartões de crédito e débito na região.

– Redobre o cuidado ao dirigir à noite. A poeira levantada por algum veículo que estiver à frente compromete bastante a visibilidade, impedindo que o motorista veja buracos, pedras e até animais na estrada.

Viagem a convite da Jeep
Fotos: Marcos Camargo (Divulgação) e Guilherme Silva