Em agosto de 1990, o governo brasileiro reduziu as alíquotas de IPI para criar o segmento de carros populares, assim, os modelos equipados com motores entre 800 cm³ e 1.000 cm³ de deslocamento volumétrico deixariam de pagar os 40% de imposto e seriam taxados em apenas 20%.

A Fiat, em apenas dois meses, apresentou o primeiro produto dessa categoria: o Uno Mille 1.0 de 48 cv e 7,4 kgfm de torque. Desde então, o “milzinho”, como ficou popularmente conhecido no Brasil, sofreu diversos preconceitos.

Apesar da evolução – uma vez que hoje temos até motor 1.0 com injeção direta e turbo capaz de render até 128 cv – o preconceito continua, especialmente no que diz respeito a viajar com um carro mil.

Mas a pergunta que fica é: ainda é um percalço pegar a estrada com carro 1.0? Aproveitamos um dos feriados nacionais para tirar a prova. Partimos da cidade de São Paulo rumo a Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O carro escolhido para o teste foi o Fiat Argo com motor 1.0 (com preço inicial de R$ 46.800).

Herdado dos pequeninos Mobi e Uno, o motor que também equipa o Argo não passou por alterações. O propulsor 1.0 de seis válvulas (duas por cilindro) gera 72 cv de potência com gasolina e 77 cv quando abastecido com etanol. O torque máximo de 10,4 kgfm e 10,9 kgfm, na ordem, é disponibilizado entre 3.250 e 4.250 rpm, mas a Fiat diz que o motor entrega 80% dessa força a 2.500 rpm para proporcionar respostas mais ágeis no uso urbano.

Ao contrário do que diz a lenda, o Argo 1.0 não sofreu na estrada, permanecendo com tranquilidade nos limites de velocidades. É verdade que uma sexta marcha poderia fazer bem para o seu consumo, tendo em vista que para rodar entre 100 km/h e 120 km/h o motor do compacto trabalha acima das 3.000 rotações.

No entanto, é desse dado que sai uma das boas surpresas do Fiat: o isolamento acústico. Mesmo em rotações mais altas o barulho do motor não invade a cabine. Vale ressaltar que, com três passageiros mais bagagem, é necessário trabalhar bem as trocas de marchas nos trechos de serra. No total, foram três serras até o destino final e faz falta um câmbio mais preciso para aliviar o esforço.

Com um pouco mais de atenção e o cuidado para não atrapalhar os veículos em velocidades maiores, a viagem foi tranquila no que diz respeito ao desempenho. O conforto foi ressaltado pelo bom trabalho de suspensão, que não é tão permissiva como em outros modelos da Fiat, mas ainda assim filtra bem as imperfeições do solo e mantém o carro estável em curvas mais rápidas.

O Fiat Argo 1.0 sai de fábrica custando R$ 46.800 e equipado com equipado de série com airbags frontais; freios com ABS e EBD; Isofix; direção elétrica; ar-condicionado; vidros dianteiros elétricos; travas elétricas; banco do motorista com regulagem de altura; painel de instrumentos com tela de 3,5 polegadas; pré-disposição para rádio; sistema start-stop; rodas de aço de 14 polegadas e calotas.

A configuração avaliada trazia ainda vidros traseiros e retrovisores elétricos com repetidores de seta (Kit Convenience de R$ 1.200); sensor de estacionamento traseiro e câmera de ré (Kit Parking de R$ 1.200, mas exige o Kit Multimídia) e central multimídia Uconnect com tela sensível ao toque de 7 polegadas com Apple Car Play e Android Auto, duas entradas USB, saída auxiliar, Bluetooth, streaming de áudio, rádio AM/FM e comandos no volante (Kit Multimídia de R$ 1.990). Com todos os opcionais citados, o Argo 1.0 sai por R$ 51.700

Bem equipado e confortável para todos os ocupantes, a convivência dentro do Argo é agradável, mesmo em viagens mais longas. O sistema multimídia tem boa qualidade, ainda que tenha travado durante a viagem (confira no vídeo acima o que aconteceu e como resolvemos o problema). Voltando a falar do sistema multimídia, ele oferece compatibilidade com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay. Os comandos, tanto do som como das demais funções, são bem posicionados, garantindo boa ergonomia.

A viagem

A viagem com o Argo 1.0 começou em Taboão da Serra às 6h30 da manhã, cidade da grande São Paulo. São 594 km de distância até Balneário Camboriú, em Santa Catarina, sendo que todo o trecho é feito em rodovias federais. A principal delas é a Régis Bittencourt (BR) 116. O asfalto em todo o caminho é bom, exceto na Serra do Cafezal, entre os municípios de Juquitiba na região metropolitana de São Paulo e Miracatu, na região do Vale do Ribeira. E como nossa expedição aconteceu em um feriado, levamos ao menos duas horas para atravessar a serra.

Após a passagem por mais um trecho de serra, já no Paraná, o trânsito se agravou ainda mais, afinal, boa parte dos moradores de Curitiba também estavam aproveitando para ir ao litoral catarinense. No total, levamos 12 horas para chegar a Balneário Camboriú.

Na volta, já no domingo, preferimos evitar o trânsito e saímos às 4h30 da manhã. Mesmo assim, a Serra do Cafezal atrapalhou um pouco. O trajeto que normalmente levaria 7 horas, foi feito em 8 horas. No geral foram R$ 51,60 em pedágios (9 praças em cada trecho) e R$ 260 reais em combustível (saímos com tanque cheio de etanol, abastecemos com R$ 100 de etanol no caminho e R$ 120 de gasolina na volta).

De acordo com a medição do Instituto Mauá de Tecnologia (veja tabela completa abaixo), o Fiat Argo registrou média de consumo na estrada de 14,5 km/l quando abastecido com etanol e 18,9 km/l com gasolina. Em nossa expedição, o consumo combinado ficou em 13 km/l, levando em consideração os 1.224 quilômetros rodados em trecho predominantemente rodoviário e com mistura de combustível. Confira como foi a nossa viagem a bordo do Argo 1.0 no vídeo acima.

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Praças de pedágio
18 (9 por trecho)
Quilômetros rodados1.176
Combustível gasto96 litros
Valores totaisR$ 272,70
Custo por quilômetroR$ 0,23

Fiat Argo 1.0

Teste Carsale-Mauá
Etanol
Gasolina
Consumo cidade10,9 km/l15,1 km/l
Consumo estrada14,5 km/l18,9 km/l
0 a 60 km/h6,32 segundos6,57 segundos
0 a 100 km/h15,91 segundos16,81 segundos
0 a 120 km/h25,14 segundos26,83 segundos
Retomada 40 a 100 km/h14,12 segundos14,71 segundos
Retomada 80 a 120 km/h16,47 segundos17,89 segundos
Aceleração em 400 metros20,05 segundos - 109,85 km/h20,39 segundos - 107,40 km/h
Aceleração em 1000 metros37,46 segundos - 137,52 km/h38,04 segundos - 135,41 km/h
Frenagem 100 a 0 km/h49,4 metros49,4 metros

Ficha técnica

Fiat Argo Drive 1.0
 
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto sequencial, comando de válvulas simples no cabeçote acionado por corrente, variador de fase, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindrosTrês em linha
Número de válvulas6 (duas por cilindro)
Taxa de compressão13,2:1
Cilindrada999 cm³
Potência72 cv a 6.000 rpm/77 cv a 6.250 rpm (gasolina/etanol)
Torque10,4/10,9 kgfm a 3.250 rpm (gasolina/etanol)
TransmissãoManual de cinco marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente tipo McPherson
Suspensão traseiraEixo de torção
Pneus e rodas175/65 R14, aço de 14 polegadas

Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível48 litros
Volume do porta-malas300 litros
Altura1,50 m
Comprimento3,99 m
Largura1,72 m
Entre-eixos2,52 m
Peso em ordem de marcha1.105 kg
0 a 100 km/h14,4/13,4 segundos (gasolina/etanol)
Velocidade máxima157/162 km/h (gasolina/etanol)