Apesar de pontos negativos, JAC T5 com câmbio CVT agrada e tem potencial para o mercado de usados

Com atraso de alguns anos, a JAC finalmente passou a oferecer um carro com câmbio automático. Coube ao SUV T5, no segundo semestre do ano passado, a honra de receber as letras “CVT” na tampa do porta-malas, o que indica ter um câmbio automático sem marchas, mas sim uma variação contínua que elimina qualquer possível tranco.

Cerca de um ano após o lançamento, fiquei uma semana com esse JAC T5 CVT branco com cerca de 15 mil km, ou seja, um carro usado. Minhas expectativas eram boas, afinal, testei o T5 com câmbio manual de 6 marchas e gostei muito do carro, que demonstrou qualidade, desempenho e consumo bem satisfatórios. Na ocasião daquele teste, lamentei a ausência do câmbio automático, algo indispensável na categoria.

Sentei no carro, ajeitei banco, volante e cinto de segurança, todos com ajuste de altura, regulei os retrovisores, passei a alavanca do câmbio para D, liberei o freio de estacionamento, aliviei o pé do freio e, numa fração de segundos, o carro começou a se mover. Até aí, tudo aparentemente normal, mas foi justamente essa fração de segundo para o T5 se mover que me incomodou a maior parte do tempo que estive com o carro.

Na minha opinião, esse avanço lento, conhecido como “creeping”, precisa ter uma ação imediata. Faz toda a diferença num trânsito pesado de anda e para, ou mesmo para manobrar. De qualquer forma, passei a me acostumar com o tempo e tenho certeza que qualquer outro também consegue se adaptar.

Logo nos primeiros quilômetros com o carro, notei que o desempenho não era o mesmo do T5 manual. Esse me pareceu mais “amarrado”, como se eu estivesse com o carro carregado. Ao longo do teste, isso foi o que mais lamentei, até perceber que ao deixar a alavanca em S, o carro fica bem mais esperto. Nesse caso, o motor trabalha sempre em rotações mais altas e a pegada muda completamente. Infelizmente poucos vão rodar assim, por medo do consumo de combustível ser maior, mas falarei disso mais para a frente.

Outra coisa que incomodou e é bem irritante, é a fivela do cinto de segurança do passageiro que fica batendo na coluna e passa aquele barulho chato de plástico batendo em outro plástico. Já havia relatado isso na avaliação do T5 manual. O jeito foi afivelar o cinto, mesmo sem ninguém ao meu lado. O pior de tudo é que isso é algo tão simples de corrigir. Eu mesmo, se fosse dono de um, já teria colocado algum material emborrachado naquela área.

Chega de falar dos defeitos e vamos para as qualidades, que são muitas. O custo-benefício do T5 CVT é imbatível. O carro oferece mais que a concorrência por um preço bem mais acessível. Falo de equipamentos importantes como controle de estabilidade e tração, freios à disco nas quatro rodas, faróis dianteiros e traseiros de neblina, regulagem de altura do facho dos faróis, direção elétrica, ar condicionado automático/digital, sistema multimídia com câmera de ré, bluetooth, espelhamento com celular e controle no volante, controlador de velocidade, bancos em couro, ancoragem isofix e mais uma série de outros mimos.

O espaço é mais do que suficiente para quatro adultos e bagagem. Somente o 5º passageiro precisa se apertar um pouco, algo comum em qualquer outro carro. Pelo menos a JAC não deixou de lado o cinto de segurança de três pontos e o encosto de cabeça para ele, algo louvável diante de alguns concorrentes que cortam esses itens quando “tropicalizam” seus carros para cá.

A JAC fecharia com chave de ouro se equipasse o T5 com airbags laterais e de cortina, itens que o brasileiro começa a exigir e poderia ser um grande diferencial nessa faixa de preço. Na minha modesta opinião, venderia até mais do que está vendendo.

Conta à seu favor o design, que pessoalmente não me agrada, mas todos que perguntam pensam o contrário, portanto percebo que agrada a maioria.

Também destaco a qualidade construtiva, com notável robustez mecânica e acabamento caprichado. Fica claro a evolução dos chineses nos últimos anos, que aprenderam rápido e estão fazendo bons carros. Eu arrisco dizer que será um modelo bem aceito no mercado de usados, mesmo que a desvalorização ainda seja acima da média da categoria.

O motor 1.5 é moderno. Tem duplo comando com 4 válvulas por cilindro, variador de fase na admissão e corrente de comando. Pode parecer pequeno para o porte do carro, mas desenvolve bons 127 cv quando abastecido com álcool, o que dá uma relação peso/potência de apenas 9,61 kg/cv. O câmbio CVT, mesmo não tendo marchas, pode ser usado no modo manual, onde ele simula 6 marchas com trocas na própria alavanca num modo sequencial.

Quanto ao consumo, fiquei decepcionado, pois esperava algo próximo do T5 manual que avaliei, onde consegui média de 7,5 km/l com álcool. Já com o CVT, fechei a semana com 7 km/l com o mesmo combustível. Curioso que nos 5 primeiros dias, o consumo ficou sempre nos 6,8 km/l, mas depois que passei a guiar com o câmbio em S, o consumo melhorou até fechar nos 7 km/l. Não faz nenhum sentido, já que nesse modo o motor trabalha com rotações mais altas, como já mencionei mais acima. Porém, na prática foi isso que aconteceu e já adianto que não houve mudanças significativas no trajeto, pois os 511 km que rodei ao longo da semana foram sempre em ciclo urbano.

Diante desse apetite, o pequeno tanque de 45 litros exige muitas visitas aos postos de combustível. Bastaram cerca de 250 km para a luz da reserva acender. Para concluir, o JAC T5 CVT é um carro bem construído, que desliza em alguns pontos, mas deve agradar o comprador de SUVs, que vê nele uma opção mais barata, porém recheada de equipamentos.

Felipe Carvalho: