Há alguns, aconteceu algo curioso no trânsito: um motorista em um Ford Ka manobrando no meio da rua, mas com certa lentidão e excesso de cautela. Estava querendo evitar encostar em outros veículos, obviamente. Por estar tão longe dos mesmos, suspeitei que a pessoa estivesse com problemas de visão. Quando reparei melhor, vi que era um rapaz novo, “pendurado” no volante e com o banco deitado – aquela típica posição de quem acha que isso é um estilo. Mal se via o rosto dele pelos vidros e isso explicava o fato de estar com dificuldade para manobrar. Essa situação me fez pensar em outras condutas tolas dos motoristas. Levantei tantas que resolvi listar nesta coluna.

Dirigir com o banco reclinado

Tem motorista que acha bacana deixar o encosto do banco bem inclinado, com o mínimo de apoio para as costas. Ao invés de apenas apoiar as mãos no volante, esse motorista é obrigado a se segurar nele para poder manter-se ereto. Por motivos óbvios, dores nas costas serão inevitáveis, além da dificuldade de visibilidade, já que os olhos ficarão numa altura abaixo da ideal.

Quem não se lembra do jogador Dener, craque em ascensão do futebol brasileiro que morreu em um acidente de carro no Rio de Janeiro, em 1994?. Dener estava deitado no banco do passageiro de seu Mitsubishi Eclipse e foi sufocado pelo cinto de segurança após o carro bater contra uma árvore. O equipamento não cumpriu a sua função pelo simples fato de o banco não estar na posição correta.

Os praticantes dirão que essa posição não prejudica nada e que estão acostumados. É uma grande balela. A não ser que você seja um piloto de Fórmula 1, que fica praticamente deitado no cockpit para poder baixar ao máximo o centro de gravidade do carro, levante esse banco e dirija na posição correta para a sua segurança e a dos outros.

Limitadores no cinto de segurança

O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes em um carro. Projetado para manter os corpos dos ocupantes presos ao carro em uma colisão ou até mesmo em uma freada mais brusca, não deve nunca ser deixado de lado, tamanha a sua importância. Alguns “espertões” se sentem incomodados com ele e, na busca por conforto, limitam o movimento do cinto para que fique mais solto. Esses limitadores são vendidos livremente e é bem comum ver motoristas usarem desse artifício. E onde fica a segurança? Em uma colisão, a ação do cinto não será a mesma e poderá ser a diferença entre sobreviver ou não ao acidente.

Películas que escurecem os vidros acima do permitido

Esse é um ponto para lá de polêmico. Os defensores dirão que se sentem mais seguros contra assaltos, além do conforto de bloquear boa parte dos raios solares. A polêmica acaba quando vemos que, por lei, o vidro da frente deve permitir passar até 75% de luminosidade; os vidros laterais dianteiros devem permitir passar até 70% de luminosidade; e apenas os laterais traseiros e o traseiro podem ser mais escuros e permitem passar até 28% de luminosidade.

Na prática, não é isso que vemos em nossas ruas. A falta de fiscalização faz com que muitos “lacrem” os vidros com películas muito escuras, inclusive no para-brisa. Se mesmo em um dia ensolarado a visibilidade é prejudicada em uma situação como essa, imagine à noite, sob chuva ou neblina.

Engate sem ter nada para carregar

Felizmente isso tem diminuído bastante, mas já foi bem mais popular. Se o motorista tem algo para ser rebocado, seja um simples suporte de bicicleta ou um grande trailer, não tenho o que questionar. Mas sabemos que a maioria instala por “segurança”.

Segurança entre aspas mesmo, pois canso de explicar que aquilo não ajuda nada em uma colisão traseira. Muito pelo contrário, já que o impacto vai se concentrar no engate, que fará um estrago considerável em todo o painel traseiro, pois não foi projetado para estar ali. Pode até proteger de leves encostadas em manobras, mas convenhamos que o mesmo motorista que não quer que o carro de trás encoste no seu, se sente à vontade em encostar no de trás para pode entrar ou sair de uma vaga. Pode não estragar o seu, mas certamente vai estragar o carro de trás.

Rebaixar o carro

Para quem busca o máximo de performance e gosta de envenenar o motor do carro, não pode deixar de lado a adequação de freios e suspensão. Eu admiro e respeito os profissionais sérios que dominam essa área, mesmo sendo adepto do máximo de originalidade. Acontece que alguns destroem toda a dinâmica do carro a favor apenas do estilo, sem compromisso nenhum com a segurança.

Quem nunca se deparou com um carro “largado”, se arrastando pelas ruas? Não tem a mínima condição de passar por uma valeta ou lombada sem raspar o assoalho do carro, além de prejudicar o fluxo do trânsito. Se fosse só isso, tudo bem. Mas sabemos que um carro assim não tem condição nenhuma de pegar uma estrada com segurança. A não ser que rode na mesma e vagarosa velocidade que está acostumado a rodar no ciclo urbano.

Pneus com medidas diferentes das originais

É permitido alterar as medidas dos pneus do seu carro, desde que mantenha o diâmetro original e não ultrapasse a largura dos para-lamas. Ou seja: é possível instalar rodas com mais polegadas de diâmetro, mas as laterais dos pneus terão que ser menores, para poder manter o mesmo diâmetro do conjunto.

Ok, confesso que já fiz a tolice de mudar as medidas originais dos pneus do meu primeiro carro. Nem foi muita coisa, mas o bastante para limitar o uso do dele. Não era mais possível andar carregado sem que os pneus traseiros pegassem nos amortecedores. Além disso, a direção ficou mais pesada, o consumo de combustível aumentou e o alinhamento do carro nunca mais foi o mesmo, o que ocasionou desgaste acima do normal. Depois de certo tempo, cansado dessas limitações, não tive dúvidas em voltar para as medidas originais.

Faróis auxiliares sem necessidade

Aqui falta conhecimento do uso correto da iluminação do carro. É comum vermos motoristas dirigindo seus carros à noite apenas com as luzes de posição ligadas e os auxiliares acesos, sejam eles de neblina ou de longa distância. Eu não quero levantar polêmica sobre isso, pois basta ler as regras do Código de Trânsito Nacional para ver que estão errados e apenas os faróis baixos devem ser utilizados nessas condições. As luzes de posição não iluminam nada, assim como os faróis auxiliares – que ofuscam quem vem no sentido contrário e só servem sob condições que o próprio nome já diz. Quem faz o papel de iluminar a via de forma correta são os faróis baixos, que tem fachos assimétricos para não ofuscar quem vem no sentido contrário.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.