Um dos assuntos mais comentados dos últimos dias foi sobre as carnes contaminadas e adulteradas. E que são vendidas como boas. A revolta foi geral e nos fez refletir sobre tudo que colocamos em nossas mesas.

Quanto aos carros, como podemos medir a qualidade daquilo que estamos investindo dinheiro e colocando em nossas garagens?

De alguns anos para cá, explodiu o número de chamados para reparos de peças em garantia, os chamados recalls. Desde marcas populares até as de luxo, nenhuma se livra desse tipo de problema.
O mais impressionante é que muitos envolvem algo relacionado à segurança, como airbags – que emitem objetos cortantes quando acionado – ou defeito em fixação de bancos e cintos. Também há os casos de peças que, a qualquer momento, podem causar incêndio. Será que estamos dirigindo uma bomba com airbag que mata?

O bicho pega mesmo quando falamos de peças de reposição. Com pouca fiscalização, empresas literalmente de fundo de quintal “fabricam” peças de qualidade duvidosa e conseguem distribuir de forma legal em casas de autopeças.

Quando é uma peça de acabamento, o máximo que pode acontecer é ficarmos irritados por não ter encaixe perfeito ou existir diferença de cor.

Mas e quando é algo mais importante? Desde um aditivo (que muitas vezes não passa de água com corante) até uma peça de suspensão recondicionada, que interfira diretamente na segurança do carro, o resultado final pode ser catastrófico.

Recentemente precisei comprar uma boia de tanque de combustível para o carro da minha mãe. Na concessionária estava tão caro que arrisquei e comprei uma paralela pela fração do preço de uma original.
Logo que instalei, o ponteiro só ia até os ¾ de tanque. Até aí tudo bem, podemos conviver com isso, mas infelizmente a peça durou apenas seis meses. Aquela porcaria foi feita para não durar mesmo.
Para não ficarmos refém do alto preço cobrado nas concessionárias – e evitar situações como essa -, recomendo que compre peças de fabricantes tradicionais, daqueles que estão na ativa há anos e também fornecem para fabricantes de carros.

Se você encostar no balcão da autopeça e o atendente sugerir uma marca desconhecida, fique com o pé atrás. Caso você não seja do ramo, consulte seu mecânico particular. Tenho certeza que ele vai te dizer se a marca é boa ou não.

Outra dica é se cadastrar em grupos ou fóruns na internet com pessoas que também tenham o mesmo carro que você. Assim é possível aprender com alguém que já passou pelo mesmo problema e também compartilhar algo novo.

Quanto o assunto é adulteração, logo vem em nossa mente os combustíveis. Como se não bastasse o alto preço cobrado por eles, a qualidade passa longe e dificilmente sabemos se o que estamos colocando em nossos carros é exatamente o que deveria ser.

Certa vez abasteci meu antigo Civic em um posto. Para minha surpresa, já havia passado dos 50 litros que o tanque tem de capacidade. Só parou porque eu pedi. Como isso é possível?
Que essa história da carne nos sirva de alerta para sermos consumidores mais exigentes em todas as áreas.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.