O ano acabou de começar e você precisa saber quais são os carros que não serão mais vendidos pelas montadoras em 2017. Vale destacar que um modelo só sai totalmente de linha, mercadologicamente falando, quando o seu nome deixa de ser utilizado. Portanto, isso não vale quando uma nova geração é lançada, embora o novo carro seja totalmente diferente.

O tema é polêmico porque vejo que algumas pessoas têm medo de comprar carros usados que saíram de linha por conta de mitos que se criam no mercado. No meu caso, como consumidor e Caçador de Carros, não tenho medo algum adquirir de um modelo que já deixou de ser fabricado.

Geralmente ficam mais baratos no mercado de carros usados, uma vantagem para quem valoriza o dinheiro e busca por uma boa relação custo/benefício. Mas também pode virar um casamento no caso de modelos de pouca aceitação. Como sempre digo, cada situação deve ser analisado de forma individual. Dica: não deixe de comprar um carro apenas por ele ter saído de linha. Analise o caso e compare com a concorrência, pois você pode perder um excelente negócio apenas pelo preconceito bobo de ter um carro que não é mais fabricado.

Conheça os carros que saíram de linha em 2017:

Renault Clio – Sou fã declarado deste carrinho da Renault. Tem qualidades de sobra, mas o seu projeto antigo não conseguiu emplacar bons números de vendas, o que não faz sentido em um carro de entrada. Mas para quem é fã de carros leves e ágeis, a Renault vai lançar neste ano o pequeno Kwid – que a marca insiste em chamar de SUV compacto. Voltando ao Clio: no mercado de carros usados deve continuar como um dos últimos carros de entrada que as pessoas consideram para compra. É uma boa opção entre os compactos, mas deve ser levada em consideração a desvalorização maior que a da concorrência. Já os mais antigos, que tinham motores mais potentes e acabamento mais refinado, têm relação custo/benefício imbatível. Conheça o Clio Privilège e entenda o que estou dizendo.

Chevrolet Classic – Criticado por ter uma das plataformas mais antigas à venda, sempre foi um carro com muitas qualidades. Isso porque a linha Corsa nasceu moderna e soube como poucos atender às necessidades do brasileiro. O Classic tem um bom porta-malas para uma família pequenas, dimensões diminutas que favorecem a agilidade no uso urbano e o baixo peso exige pouco do motor 1.0. Ainda é um ótimo negócio para quem precisa de um carro usado com essas características e dispõe de pouco dinheiro. A mecânica é a mesma de outros modelos da GM, o que facilita a manutenção. Já as peças da carroceria e de acabamento não são mais compartilhadas com ninguém, mas vendeu tanto nos mais de 20 anos de vida, que ainda é possível achar muita coisa para o sedãzinho.

Fiat Siena EL e Palio Fire –Assim como o Classic, os pequenos sedã e hatch da Fiat também têm muitos anos de mercado, com ótimos números de vendas. O Siena nasceu meio desajeitado, mas ganhou uma bela traseira em 2001, e de lá para cá foi um sucesso. Ganha em espaço interno e de porta malas do Chevrolet Classic, mas perde em desempenho. Dirija um Classic e um Siena, ambos 1.0, e perceberá a diferença.

Já o Palio Fire vai bem por ser mais leve. Como qualquer carro da linha Palio, ainda são bons negócios no mercado de carros usados e sempre terão compradores para eles nos próximos anos. A mecânica deve ficar para o passado em um futuro próximo, já que a Fiat começou a equipar os seus compactos atuais com o novo FireFly 1.0 de três cilindros. Ainda assim, é muito simples e barato manter qualquer um deles devido o grande volume de vendas em todo o Brasil. Como modelos de entrada, prefiro um usado deles do que um apertado Fiat Mobi 0km, por exemplo.

Fiat Punto e Idea –O Punto é um dos hatches mais bonitos de todos os tempos e deixou a sua marca em nosso mercado. Já o Idea tem um dos melhores aproveitamentos de espaço interno, que acomoda cinco pessoas com conforto e um porta malas que atende bem a proposta. Ambos estão um degrau acima do Palio e, para quem busca algo mais refinado, suprem essa necessidade. Os mais vendidos foram os equipados com o motor Fire 1.4, que deve ser deixado de lado pela Fiat nos próximos modelos, já que lançou recentemente o ótimo 1.3 FireFly. Ainda sim, foi muito usado em outros carros da marca, além de compartilhar peças com o 1.0. Já os mais potentes, com motores 1.6 ou 1.8, são da mesma família e.TorQ, presentes em outros carros da Fiat e no Jeep Renegade, o que também facilita a manutenção.

Resumindo, é tranquilo manter um Punto ou um Idea. Saem de linha sem nunca terem recebido um bom câmbio automático. Com a caixa automatizada Dualogic, eles nunca foram páreos para competir com um sucesso de vendas como o Honda Fit, por exemplo. Arrisco dizer que se tivéssemos um Punto ou Idea com o motor 1.4 16V e o câmbio automático de seis marchas que equipavam as versões mais caras do Fiat 500, a história poderia ser outra.

Fiat Bravo e Linea –Não é novidade que a Fiat tem dificuldade de emplacar carros médios no nosso mercado. Justo ela que reinou absoluta por muitos anos seguidos como a marca de maior número de vendas. O problema, como vocês devem saber, é o histórico negativo com seus antecessores, os hatches Tipo, Brava e Stilo e os sedãs Tempra e Marea. Eu gosto de todos eles, mas convenhamos, poucos querem saber deles no mercado de carros usados. Assim deve ser com o Bravo e o Linea, que são lindos, em minha opinião, mas não conseguiram emplacar bons números de vendas. Mais uma vez, volto a falar do câmbio automatizado da Fiat, que certamente prejudicou as vendas desses modelos. Para quem gosta deles e não se preocupa com revenda, vá em frente. Já se você é daqueles que não quer perder dinheiro, esqueça Bravo e Linea.

Fiat Freemont –O sétimo modelo desta lista mostra que a Fiat, no mínimo, pretende renovar a sua linha. No caso do Freemont, só é Fiat nos logotipos, pois sabemos que se trata de um Dodge Journey menos equipado e mais barato. Pode ser uma boa compra para quem precisa de um carro com sete lugares, mas o motor 2.4 deixa a desejar devido o porte e peso do crossover. O desempenho é modesto, afinal, são apenas 172 cv para puxar umas duas toneladas e meia (quando carregado) e, como consequência, o consumo de gasolina é elevado – não tenho dúvidas que o Journey, com seu ótimo V6 de 280 cv é uma escolha mais acertada. O fim das vendas do Freemont no Brasil prepara o terreno para o lançamento do SUV de sete lugares baseado na Fiat Toro, que estreia em 2018.

Ford Fiesta Sedan –Diferentemente do nacional hatch, o sedã era importado do México. A Ford informa que apenas suspendeu a importação e que deve voltar mais para frente. Mas os números de vendas em 2016 não devem animar para que isso aconteça: o hatch vende em 30 dias mais que o sedã vendeu em um ano inteiro! Qualidades não faltam ao Fiesta Sedan, pois é dos mais seguros e completos da categoria, com sete airbags, controles de estabilidade e tração e mais uma série de equipamentos. As reclamações do câmbio PowerShift, um automatizado de dupla embreagem, contribuiu para a queda nas vendas. Como compra no mercado de usados, é uma ótima opção, mas veja se a transmissão foi avaliada ou reparada no recall da Ford, que estendeu a garantia do componente.

Nissan Altima –Alguém lembra dele? Já viu nas ruas? Bem, estou exagerando, pois até tem alguns rodando, mas são tão raros que tenho certeza que algumas pessoas não o conhece. Na verdade, é um baita carro, com dimensões de sedã grande, motor 2.5, design matador e preço bem abaixo do que realmente vale. Mesmo assim, não emplacou. Uma pena, pois se eu sonho com a volta do Nissan Maxima ao Brasil, essa experiência negativa com o Altima deve fazer com que a marca reveja o modo de trabalhar nesse segmento. Só vale a pena comprar se você é daqueles que gostam de um carro de “presença” e não se preocupa com revenda. Para passar um Altima usado para frente, só dando um bom desconto para o comprador.

Geely EC7 e GC2 –Aqui não cabe apenas um modelo, mas sim todos da marca chinesa que encerrou as operações no Brasil no ano passado. Para mim, não vale a pena comprar um carro da Geely, pois o risco de “casar” com ele é grande e o divórcio certamente vai custar caro.

BMW Z4 –Esses dias eu avaliei um Z4 branco com interior vermelho. Baixei a capota e andei pelas ruas do Jardim Anália Franco, bairro nobre da Zona Leste de São Paulo. Entrei em depressão depois da avaliação, pois o carro não era para mim. Brincadeiras à parte, que carro lindo! Sai de linha depois de bons 14 anos de venda. Deve dar lugar ao inédito Z5, previsto para 2018. Em um carro como esse, comprado com emoção e não com razão, não cabe falar de dinheiro. É certo que se perde muita grana com ele, pois a desvalorização é alta. Mas se você quer se sentir a pessoa mais feliz do mundo como eu me senti com aquele roadster branco, compre!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.