Segundo uma matéria publicada na semana passada no jornal argentino Ámbito Financiero, só existem dois modelos zero quilômetro à venda por menos de 200 mil pesos (cerca de R$ 40.290 em conversão direta) no país vizinho. O levantamento feito pelo jornalista Horacio Alonso, baseado nas tabelas de preços das fabricantes, serve para mostrar o impacto da inflação e da alta carga tributária no mercado de automóveis na Argentina.

O modelo mais barato é o Volkswagen take up! 1.0 duas portas, que custa a partir de 183.210 pesos (R$ 36.900) – no Brasil ele parte de R$ 35.560. O compacto chinês Geely LC 1.3 vem logo em seguida, com preço sugerido de 199.990 pesos (R$ 40.288).

O jornalista explica que a oferta de apenas dois modelos abaixo dos 200 mil pesos tem a ver com os aumentos de preços promovidos pelas fabricantes nos últimos meses e pelo fim da produção local de modelos antigos no ano passado, como o Renault Clio e os Chevrolet Agile e Classic, até então os carros mais baratos do país. A matéria diz ainda que os impostos correspondem a 54% do valor dos carros novos à venda na Argentina.

Para se ter uma ideia desses aumentos ao longo dos últimos anos, em 2014 os carros mais baratos da Argentina custavam por volta de 100 mil pesos. De lá para cá, os modelos populares tiveram os seus preços duplicados por conta dos seguidos reajustes influenciados pela desvalorização da moeda argentina.

Em 2016, os aumentos chegaram a 30% entre os modelos mais populares. Uma parte desses reajustes foi provocada pela atualização das tabelas de preços de acordo com a cotação do dólar. Outro motivo foi a crise no mercado brasileiro, que reduziu a demanda por carros fabricados na Argentina. Além disso, as fabricantes anteciparam os aumentos em 2015 diante da previsão da desvalorização do peso.

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