Se você quer continuar perdendo dinheiro comprando carro zero quilômetro, está tudo bem. Não que isso seja errado, naturalmente. Afinal, carros usados só existem porque em algum momento eles foram comprados novos.

Mas eu já citei aqui, no Carsale, várias vezes, as vantagens de comprar carros usados. Mesmo assim, há muita gente que ainda prefere adquirir um 0km.

Para entender melhor a motivação das pessoas na hora de optar por um ou outro, resolvi perguntar aos meus clientes e seguidores quais são os maiores medos e preocupações que eles têm no momento de adquirir carros usados.

Confira as sete preocupações mais citadas:

1. Adulteração de quilometragem
Ninguém gosta de ser enganado. Mas, infelizmente, essa é uma prática muito comum no mercado automotivo.

Perdi as contas de quantos carros usados com hodometro adulterado eu já avaliei.

Algumas pessoas fazem isso porque acham que alta quilometragem vai afastar comprador. Pensar assim é uma grande bobagem. Posso afirmar que a quilometragem não define se o carro é bom ou ruim.

Definir a alta quilometragem é impossível. Mas, na prática, o mercado é tolerante com carros que rodam até 15.000 km por ano.

Uma maneira de você evitar ser enganado é olhar o histórico de revisões. Compare os intervalos para ver se correspondem com a quilometragem informada no painel do carro.

Olhar o desgaste do volante, pedal e manopla do câmbio ajudam na comparação nos carros usados.

Ponto importante na sua avaliação: pneus. Eles mostram muito sobre carros usados. Um jogo dura, em média, entre 40.000 km e 60.000 km ou cinco anos.

Para saber se é o primeiro jogo, basta ver a data do pneu, que vem identificada depois da sigla DOT – formada por quatro números, sendo os dois primeiros da semana e os dois últimos do ano em que foi fabricado. Esse ano deve ser o mesmo da fabricação do carro.

2. Batidas fortes
São poucas as pessoas que conseguem identificar um carro batido. Os sinais nem sempre estão bem visíveis, e é preciso um olhar clínico para descobrir.

Uma dica que dou é olhar bem os faróis e as lanternas traseiras. Compare um lado com o outro. A marca tem que ser a mesma para os dois. Alguns carros têm etiqueta com a data de fabricação dos faróis. Ela tem que bater com a data de fabricação do carro ou pode ter data inferior à de fabricação do veículo.

Outra coisa é o alinhamento das peças. Você checa todos os parafusos, alinhamento com o para-lama, com o para-choque, com o capô… Tudo precisa estar como se o carro estivesse saído de fábrica.

Uma dica matadora é verificar a diferença de cores das peças. Por isso é importante olhar carros usados em um local aberto e bem iluminado, com luz natural. E o veículo precisa estar limpo.

3. Procedência
O carro pode estar bonito, bem cuidado e com as revisões em dia. Mas tudo isso vai por água abaixo se ele não tiver procedência.

É importante saber o histórico do carro, de onde ele veio, se teve passagem por leilão e se possui alguma pendência financeira ou administrativa.

Um item que quero destacar: a quantidade de donos anteriores dos carros usados. Quanto maior for essa lista, menor a chance de você ter informações confiáveis.

4. Problemas mecânicos ou elétricos
É possível abrir mão de vários detalhes estéticos, que podem ser resolvidos aos poucos. Mas, quando o assunto é mecânica ou elétrica, o problema precisa ser resolvido de imediato para continuar rodando com o carro. E, geralmente, o conserto nunca fica barato.

O que eu sempre recomendo é levar um mecânico de confiança ou um especialista em avaliação na hora da compra. Isso vai minimizar possíveis surpresas desagradáveis.

Para fechar, nunca deixe de fazer o test drive em carros usados (e nos novos também). Nunca!

Já deixei de comprar para clientes carros usados aparentemente impecáveis, mas que se mostraram ruins de guiar, com problemas mecânicos que inviabilizavam a aquisição. Graças ao test drive.

Quem não faz isso pode estar prestes a fazer um mau negócio.

5. Falta de clareza na negociação
É impressionante como existem algumas pessoas mal-intencionadas.

Quando as informações não batem ou são contraditórias, melhor desistir do negócio.

O problema é que nem todos têm habilidade de fazer as perguntas certas numa negociação, especialmente quando se trata de carros usados. Ou ficam tímidos nessa hora.

Vou listar aqui cinco perguntas básicas que faço, pois me ajuda a entender um pouco mais sobre o carro:

– Como o carro foi utilizado?

– Quanto tempo está com o carro?

– Já viajou com o carro?

– Que manutenção já foi feita no carro?

– Já fez algum serviço de funilaria e pintura no carro?

6. Garantia
Quem valoriza garantia do fabricante nem sempre consegue isso no mercado de carros usados. E por isso opta por pagar mais caro em um carro 0km do que pagaria em um modelo mais equipado seminovo.

Mas carros usados também têm garantia, sabia?

E não é só a famosa garantia de três meses para motor e câmbio, sempre bem divulgada por lojas e concessionárias.

A garantia de carros usados vai além desses dois componentes.

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), não há nada que especifique que a garantia de carros usados contempla APENAS o motor e o câmbio.

Portanto, qualquer outro problema pode ser reclamado dentro do prazo determinado.

Também não há menção sobre o limite de ano de uso, tampouco de quilometragem.

7. Compra baseada na emoção
Não conhecer sobre carros e não ter alguém de confiança que entenda do assunto e possa ajudar são fatores que podem inibir o comprador de adquirir carros usados. E cair em ciladas guiadas pela emoção.

Quem nunca sonhou com determinado carro e, de repente, o viu na sua frente, por um preço tentador?

A emoção faz com que as pessoas ignorem os problemas e acabem levando uma baita “bomba” para casa.

Depois de uma experiência ruim, este tipo de cliente quase sempre opta pelo novo justamente para não correr o risco de passar por qualquer um dos problemas acima listados.

Ouvir essas preocupações dos meus clientes e seguidores, na verdade, não foi surpresa para mim, pois enfrento esses problemas no meu dia a dia como Caçador de Carros. Entretanto, posso dizer para cada um deles, com toda segurança, que existem, sim, maneiras de se precaver e fazer um ótimo negócio com carro usados.

Um abraço e até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.