Impressionante como demora para chegar o dia do nosso aniversário de 18 anos! Depois disso, o tempo parece passar tão mais rapidamente que apenas Einstein poderia explicar isso com sua Teoria da Relatividade.

Fato é que eu não via a hora de atingir a maioridade para poder tirar minha tão sonhada carteira de habilitação e finalmente dirigir. Mais do que isso, queria ter meu próprio carro – o qual levou alguns meses para ser encontrado, com a ajuda do meu pai.

Fui pouco exigente na escolha; queria apenas algo com quatro rodas, um banco e um volante, que me desse liberdade de ir e vir de forma motorizada. E o eleito foi um Fiat Prêmio 94 vermelho, carro que já foi lembrado aqui, no Carsale, em outras colunas.

Esse Prêmio me acompanhou por bons sete anos, e acho que caiu como uma luva nessa missão de ter sido meu primeiro automóvel.

Ele tinha tudo aquilo que considero essencial para um primeiro carro – e que, agora, compartilho com você, caro leitor, que ainda não sabe qual modelo comprar para debutar como motorista – ainda que já tenha mais de 18 anos:

SIMPLICIDADE
Meu Fiat Prêmio era “basicão”. Tinha apenas desembaçador traseiro e ar quente – que nunca funcionou!

Num carro sem nada, qualquer equipamento é valorizado. Por isso, foi prazeroso equipá-lo aos poucos e dar a ele a minha cara e o meu estilo – daquela época.

Primeiramente foi a trava elétrica; após alguns meses, um rádio/CD com dois alto-falantes. Tempos depois, comprei de um Uno capotado os vidros elétricos e os bolsões das portas para colocar mais dois alto-falantes. Anos mais tarde, foi o jogo de rodas do Tempra 16v, que ficou comigo por um bom período – encostado -, até que eu pudesse juntar dinheiro para comprar os pneus, de medidas diferentes.

Mesmo mais equipado, o Prêmio continuou simples em sua essência. E é nesse sentido que falo em simplicidade.

Hoje, é raro encontrar no mercado um carro simples – “pelado”, literalmente -, como encontrei meu Fiat Prêmio. Da mesma forma, a prazerosa experiência de personalização, atualmente, difere bastante da que vivi no início dos anos 2000.

Mas, independentemente disso, entendo que o motorista novato precisa de um carro simples, de entrada. Mesmo que ele tenha condições de adquirir um modelo melhor, mais luxuoso – o que lhe é lícito, claro -, o básico atende suas necessidades. Até porque, é importante lembrar que essa fase é de experiência, de conquista de habilidades ao volante, de prática no contato com algo que lhe é novo. Portanto, para quê complicar?

CÂMBIO MANUAL
A grande maioria dos meus clientes pede câmbio automático. Eu mesmo não abro mão desse conforto, considerando-se o trânsito que enfrento todos os dias na Grande São Paulo.

Mas quando se trata de um cliente que está comprando o primeiro carro, tento convencê-lo a optar pelo câmbio manual.

Acho isso muito importante para que o motorista adquira a experiência de cambiar, pelo menos nos primeiros 100 mil quilômetros. Depois disso, o proprietário pode ter o carro com o câmbio que quiser, pois tenho certeza que jamais esquecerá como é dirigir um carro com câmbio manual.

BOA VISIBILIDADE
O Prêmio – e qualquer outro carro da linha Uno – sempre gozou de uma ótima visibilidade, fruto de um projeto moderno, com linha de cintura baixa, colunas finas e vidros para todos os lados.

Para quem ainda está nesse período de experiência, nada melhor que poder enxergar bem por onde quer que observe.

Melhor ainda se a pessoa aceitar abrir mão das populares películas que escurecem os vidros, que atrapalham muito à noite e em dias de chuva.

MOTOR DE BAIXA POTÊNCIA
Especialmente aos 18 anos, o motorista acha que é o rei das ruas. Pelo menos eu pensava assim.

Não foram poucas as vezes que me peguei em velocidades acima da recomendada.

Felizmente, nunca sofri ou causei acidente algum. Entretanto, tenho certeza que o limitado motor 1.5 com apenas 67 cv do Prêmio contribuiu para isso.

Se meu carro fosse um arisco Camaro de 400 cv, certamente eu teria feito alguma besteira – e talvez nem estivesse mais por aqui.

Citei o Camaro porque acho curioso o grande número de acidentes envolvendo esse modelo – e, na maioria das vezes, com jovens em seus primeiros anos de habilitação.

Defendo algo polêmico, que pode até gerar discordância de alguns leitores. Mas, na minha opinião, carros potentes só deveriam ser vendidos para quem já tem alguns anos de habilitação.

Entregar um carro potente para um jovem de 18 anos é como lhe entregar uma arma.

MANUTENÇÃO SIMPLES E BARATA
Seja um jovem de 18 anos, que está entrando no mercado de trabalho, ou alguém mais experiente, mas que nunca teve seu próprio carro – e que, portanto, não tinha esse tipo de despesa no orçamento -, minha recomendação é que o primeiro veículo seja do tipo que possa ser mantido sem muitas dificuldades. Na prática, que tenha manutenção simples e barata.

Acho importante, também, que o proprietário adquira noções básicas de mecânica e saiba como executar serviços mais simples, como troca de óleo, filtros, velas e tantas outras coisas.

Isso, porém, só é possível em modelos mais simples, com mecânica barata, que dispensa um profissional especializado na realização desse tipo de tarefa menos complexa. Daí a vantagem de ter um primeiro carro com esse perfil.

Para concluir, gostaria de ler o relato dos leitores sobre seus primeiros veículos. Como foi essa experiência? O carro tinha alguma das características que citei?

Aguardo seu comentário.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.