Com o fim da produção do veterano Celta, no ano passado, a Chevrolet utilizou uma estratégia diferente da concorrência para voltar ao segmento de entrada. Em vez de lançar um modelo totalmente novo, a fabricante simplesmente ressuscitou o nome Joy para batizar uma versão mais simples do Onix. Apesar do visual antigo e do conteúdo mais enxuto, o compacto recebeu melhorias mecânicas voltadas à economia de combustível. Mas será que a versão mais em conta do carro mais vendido do Brasil é mesmo mais eficiente que os antigos LS e LT 1.0?

Antes de falar de consumo e desempenho, vale lembrar que o Onix Joy (a partir de R$ 38.990) é fabricado em São Caetano do Sul (SP), deixando a linha de montagem da fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, exclusivamente para as versões mais caras e com visual atualizado. Falando em visual, a GM diz que pesquisas feitas com potenciais clientes da marca foram determinantes para não mexer na aparência do Onix Joy, pois o desenho lançado em 2012 ainda agrada aos consumidores.

Mudanças interiores

Uma das melhorias mais significativas do Onix Joy é a sua redução de peso: são 31 quilos a menos graças às melhorias promovidas em mais de 100 componentes. Além disso, o hatch teve a altura da suspensão rebaixada em um centímetro, ganhou direção elétrica no lugar da assistência hidráulica (que utiliza uma bomba ligada ao motor para fazer o fluido chegar à caixa de direção) e o câmbio manual de cinco marchas foi substituído por uma caixa de seis velocidades.

O motor 1.0 de quatro cilindros (rebatizado de SPE/4 ECO), que rende até 80 cv de potência com etanol, recebeu as mudanças mais profundas, como a adoção de novas peças (anéis, bielas e pistões são totalmente novos) e melhorias no processo de usinagem do bloco. Por conta da maior precisão nos encaixes dos componentes, o propulsor passa a utilizar um óleo lubrificante de especificação menos viscosa (0W20). De acordo com a GM, o módulo eletrônico do motor está 40% mais rápido, enquanto o sistema de arrefecimento e o alternador de alto rendimento também são novos.

Motor SPE/4 ECO gera 78 cv com gasolina e 80 cv quando abastecido com etanol

A cabine, no entanto, tem poucas novidades. O Onix Joy mantém o painel de instrumentos digital, porém, com iluminação alaranjada (as versões mais caras seguem com o grafismo azul). Os comandos dos vidros elétricos foram reposicionados das portas dianteiras para o console central e os bancos ganharam um revestimento específico para a versão.

Em termos de conteúdo, o Onix Joy traz o que o consumidor tem considerado essencial nos últimos anos: direção elétrica, ar-condicionado, vidros dianteiros com acionamento elétrico, desembaçador e limpador do vidro traseiro e os obrigatórios airbags frontais e freios com ABS. Além do “pacote dignidade”, o compacto conta também com o sistema OnStar Safe, que permite rastrear o carro em caso de roubo e monitorar a pressão dos pneus por meio do aplicativo para smartphones – a GM acredita que o OnStar Safe poderá ajudar na redução do valor das apólices de seguro.

Painel de instrumentos tem iluminação alaranjada; central multimídia é mais simples que o MyLink II

Já a central multimídia MyLink não está disponível entre os opcionais, mas a Chevrolet oferece um equipamento mais simples (R$ 2.500) dotado de rádio AM/FM, tocador de CD, DVD, entrada USB, conexão Bluetooth e TV digital. O item também pode ser adquirido em um pacote (R$ 4.190) que adiciona travas elétricas das portas, alarme antifurto, alto-falantes, porta-óculos no teto e adesivo preto na coluna B. Entre os acessórios que podem ser comprados à parte estão o rack de teto, frisos laterais e as rodas de liga leve de 14 polegadas com acabamento prata ou grafite. A cor vermelho Chili metálico do carro das fotos é exclusiva apenas para as primeiras 500 unidades da versão.

Quem está acostumado com as configurações mais caras do Onix, certamente vai estranhar o primeiro contato com a versão Joy. Para acessar o carro é preciso destravar as portas com uma chave mais simples e sem botões. O interior é praticamente idêntico, mas basta “fuçar” um pouco para encontrar os cortes de gastos promovidos para enquadrar o Onix Joy abaixo dos R$ 40 mil. Espelho apenas no para-sol do passageiro. O volante não possui ajustes de altura e profundidade e o acabamento da manopla de câmbio é mais simples. Também não há iluminação no porta-luvas, nem forração na lateral do porta-malas e o banco do motorista não conta com regulagem de altura. Na hora de abrir as janelas, é inevitável procurar os botões nas portas até se acostumar com os comandos reposicionados ao lado da alavanca do freio de estacionamento.

Comandos dos vidros dianteiros foram posicionados no console central

A central multimídia, parecida com as vendidas em lojas de acessórios, tem interface simples e comandos um tanto lentos – a ponto de provocar uma pontinha de saudades do MyLink de primeira geração – mas funciona a contento. Apesar da simplicidade, o equipamento limita o uso da TV digital apenas quando o veículo está parado e com freio de estacionamento acionado por questões óbvias de segurança.

Mas é dirigindo que se nota as melhorias feitas pela Chevrolet. O Onix Joy é um carro bem acertado para a sua proposta e chama a atenção a superioridade da direção elétrica em comparação com a hidráulica. O sistema facilita consideravelmente as manobras de estacionamento, porém, não compromete a segurança na estrada com leveza excessiva em altas velocidades.

Embora a suspensão esteja um pouco mais baixa, o Onix Joy manteve o rodar bem equilibrado. No entanto, essa mudança faz com que os defletores instalados sob o para-choque dianteiro e o assoalho (recursos utilizados para melhorar a aerodinâmica e, consequentemente, o consumo) raspem facilmente em lombadas mais altas e valetas.

Testes na pista comprovam melhorias

A melhora em desempenho é percebida no uso cotidiano, uma vez que o Onix Joy é nitidamente mais ágil que o Onix LS/LT 1.0. O compacto está mais esperto em arrancadas, ladeiras e, principalmente, na hora de embalar para atingir velocidades de cruzeiro. Como em praticamente todo carro 1.0, ele exige constantes reduções de marcha para ganhar fôlego em ultrapassagens e longas subidas em rodovias. Além disso, a sexta marcha contribui para o conforto acústico, uma vez que alivia o trabalho do motor durante as viagens (120 km/h a cerca de 3.000 rpm).

Durante o lançamento do Onix Joy, no começo de agosto, a GM fez questão de ressaltar que o modelo é cerca de 14% mais econômico que o anterior. Para tirar a prova, submetemos o compacto às avaliações de consumo e desempenho feitos pela equipe de engenheiros do Instituto Mauá de Tecnologia e comparamos os seus números com os do Onix LT testado pouco depois do lançamento, em 2012. Na pista de testes, o Onix Joy comprovou que as melhorias no motor e a dieta de 31 kg realmente lhe fizeram bem.

Abastecido com etanol, o Onix Joy levou 14,51 segundos para atingir os 100 km/h, enquanto o modelo anterior precisou de 15,7 segundos para cumprir a prova. Com gasolina no tanque, o Joy acelerou em 15,49 segundos contra 16,26 segundos do antigo LT.

Nas medições de consumo, a superioridade ficou mais nítida nos testes com gasolina. Na cidade, o Onix Joy obteve média de 13,9 km/l ante os 9,7 km/l do LT, enquanto na estrada o “novato” registrou ótimos 19,1 km/l contra 15,1 km/l do antecessor. Com etanol, o Joy fez 9,8 km/l em ciclo urbano e 13,7 km/l em percurso rodoviário. Já o Onix LT aferiu 7,74 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada.

Outra evolução importante registrada foi na prova de frenagem de 100 a 0 km/h. O Onix Joy reduziu a distância em quase três metros (50,36 m contra 53,32 m do Onix LT).

Embora não tenha acompanhado as demais versões na atualização visual, o Onix Joy chega oferecendo uma mecânica mais eficiente – apesar de ir na contramão da atual tendência de modernos motores de três cilindros – e um pacote de equipamentos com quase todos os itens mais exigidos pelo consumidor brasileiro. Mesmo não sendo um modelo novo, o Onix Joy pode atrair clientes de modelos de entrada por oferecer espaço interno e porte superiores aos do Volkswagen up! e Fiat Mobi, os principais concorrentes do segmento.

Fotos: Divulgação

Teste Carsale-Mauá

 
Gasolina
Etanol
Consumo cidade13,9 km/l9,8 km/l
Consumo estrada19,1 km/l13,7 km/l
0 a 60 km/h6,26 segundos5,76 segundos
0 a 100 km/h15,49 segundos14,51 segundos
0 a 120 km/h23,79 segundos22,22 segundos
Retomada 40 a 100 km/h14,01 segundos13,49 segundos
Retomada 80 a 120 km/h16,46 segundos15,41 segundos
Frenagem 100 a 0 km/h50,36 metros50,36 metros

Ficha técnica

 
Chevrolet Onix Joy 1.0
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, quatro cilindros, oito válvulas, injeção de combustível, aspirado, a gasolina e/ou etanol
Cilindrada (cm³)999
Potência78/80 cv (gasolina/etanol) a 6.400 rpm
Torque9,5/9,8 kgfm (gasolina/etanol) a 5.200 rpm
Freios dianteirosDiscos ventilados
Freios traseirosTambores
Suspensão dianteiraIndependente tipo "McPherson", sem barra estabilizadora, molas helicoidais com carga lateral linear, amortecedor telescópico pressurizado estrutural
Suspensão traseiraSemi independente, com eixo torção, sem barra estabilizadora, mola helicoidal com constante elástica linear e amortecedor telescópico pressurizado
RodasAço de 14 polegadas
Pneus185/70 R14
DireçãoElétrica
Peso em ordem de marcha (kg)1.011
Comprimento (metros)3,93
Largura (m)1,70 (1,96 m com espelhos)
Altura (m)1,47
Distância entre-eixos (m)2,52
Tanque (litros)54
Volume do porta-malas (litros)289
TransmissãoManual de seis marchas
TraçãoDianteira