Foi-se o tempo em que a procura por um carro usado se resumia a buscas por modelos disponíveis próximo às imediações da nossa casa ou trabalho.

Com os sites de classificados, ficou bem mais fácil namorar aquele automóvel dos sonhos, esteja ele em qualquer lugar do País.

Quando comecei a atuar como Caçador de Carros, acreditava que iria atingir somente o público de São Paulo e Grande São Paulo, por ser esta a região onde estou baseado e onde há o maior e mais importante mercado automotivo do Brasil. Até o dia em que recebi uma ligação de um mineiro querendo que eu avaliasse um Toyota Corolla na capital paulista.

Para mim, foi uma surpresa. Mas aquele contato das Minas Gerais era a prova de que o trabalho que eu vinha fazendo começava a repercutir em todo o Brasil.

Depois desse cliente mineiro, muitas pessoas do interior de São Paulo e de outras regiões do País passaram a me procurar. E, geralmente, ouço delas sempre três percepções sobre o mercado paulista/paulistano.

A primeira é que São Paulo tem mais opções. A segunda é que, por ter mais opções, os preços são melhores. E a terceira é que os carros também lhes parecem melhores. Principalmente por não estarem sujeitos à ação de maresia – o que ocorre em cidades litorâneas – e porque, em São Paulo, as ruas são quase todas asfaltadas, e as estradas, de qualidade.

Não quero afirmar que isso é uma verdade absoluta, tampouco fazer propaganda gratuita da região onde vivo e trabalho. Afinal, em São Paulo também há carros caros e sem qualidade, o que torna meu trabalho nada fácil.

Mas se você está interessado em adquirir um carro longe da sua casa e não tem nenhum profissional de confiança que possa avaliar o possante, confira cinco dicas que lhe permitirão fazer um bom negócio. Aí vão elas:

1. LEVANTE INFORMAÇÕES SOBRE O VEÍCULO

Para começar, levante o máximo de informações sobre o veículo. O vendedor precisa passar confiança e ser honesto para avisar sobre detalhes que o carro possa ter.

Caso você perceba, durante o bate-papo, que ele só fala das qualidades e que tudo parece estar perfeito, comece a suspeitar.

2. SOLICITE FOTOS

Peça fotos detalhadas ao vendedor. E nada de meia dúzia de imagens! Solicite o maior número possível de fotos, de todos os ângulos e detalhes e com boa qualidade.

Vídeo só é válido se for em alta definição.

3. NOTAS E MANUAL CARIMBADO

Além de fotos, peça ao vendedor provas de tudo o que lhe está sendo dito, como notas fiscais de revisões e carimbos no manual.

4. CONSULTE HISTÓRICO DO CARRO

O histórico do carro é tão importante quanto a qualidade dele. Se você acha que tem grandes chances de fechar negócio, vale a pena investir em consultas pagas que mostram nome dos proprietários anteriores e possíveis problemas, como histórico de leilão, sinistro e pendências.

5. NÃO PAGUE NADA ANTES DE VER O CARRO

Só depois que estiver quase tudo certo para a conclusão do negócio é que você deve comprar a passagem – ou se deslocar de outra forma – para ver o carro pessoalmente e comprovar tudo o que lhe foi dito. Lembre-se: não pague coisa alguma pelo carro sem vê-lo antes!

Eu mesmo já fiz uma negociação interestadual numa compra pessoal, relatada aqui no Carsale em coluna passada. Na ocasião, comprei meu Nissan Maxima na cidade gaúcha de São Leopoldo, próximo à capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Fiz tudo isso que recomendei nas cinco dicas citadas, e só adquiri a passagem de avião quando tinha 90% de certeza que iria voltar para casa dirigindo aquela barca japonesa.

Quando fechei o negócio, bastou fazer o pagamento e acompanhar o antigo proprietário ao cartório. O resto da transferência da documentação eu fiz em São Paulo, com meu despachante.

Como você deve ter notado, amigo leitor, a aquisição de um carro fora de sua região é mais simples do que parece. Basta tomar alguns cuidados.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.