Apaixonado por carros que sou, tirei minha CNH logo que completei 18 anos. Naquela época, anotava em um caderno os modelos que tinha a oportunidade de guiar. Não eram muitos; nada além do meu, de familiares e de amigos.

Esse número só foi crescer anos depois, quando me tornei um Caçador profissional de Carros e pude realizar o sonho de dirigir várias máquinas diferentes.

Marcas de luxo como Mercedes, BMW, Audi, Volvo e Land Rover estavam longe da minha realidade quando jovem. Hoje, porém, fazem parte da minha rotina de trabalho.

Por isso, resolvi listar nesta coluna os melhores usados que avaliei, por categoria – ou, para ser mais preciso, os que considero ter a melhor relação custo x benefício. Confira:

PEQUENO DE ENTRADA COM MOTOR 1.0
Quando me pedem um carro de entrada baratinho, falo logo do Renault Clio. Nem todos aceitam a sugestão, por mitos de manutenção mais cara e revenda difícil. Bobagem! O Clio é uma delícia, pois é dos poucos que mantiveram o motor multiválvulas.

Adoro acelerar e ver o giro crescer com rapidez e sem muito esforço. O carro é leve, tem bom espaço interno, acabamento honesto e é econômico.

Os melhores são os Hi-Power pós-2013, que têm taxa de compressão maior e andam muito bem com álcool.

PEQUENOS MAIS REQUINTADOS
Pensando em carros pequenos completos e com motores mais fortes, acho o Ford Fiesta imbatível. Mas não qualquer Fiesta. Adoro os importados do México, hatch ou sedã, na versão mais completa.

O motor é o moderno Sigma 1.6 16v, que, se faz bonito no Focus – um carro mais pesado -, no Fiesta sobra. O design é matador, irretocável. A lista de equipamentos é extensa: sete airbags, controle de tração e estabilidade, bancos em couro e mais uma série de outras coisas. É um carro que custa menos do que vale.

Mas se a ideia for aposentar o pé esquerdo, recomendo o Onix, também hatch ou sedã (Prisma). O velho motor 1.4 não faz milagre, mas o bom câmbio de 6 marchas ajuda. Mesmo na versão LT, mais simples, o carro conta com controlador de velocidade.

HATCHS MÉDIOS
Aqui a parada é dura. Tem muito carro competente. Mas um que me arrancou um sorriso foi o Nissan Tiida SL manual. É um lobo em pele de cordeiro.

O ponteiro do velocímetro cresce muito rápido e não para. O motorista precisa tirar o pé para não fazer besteira. E, depois que engata a 6ª marcha, a rotação vai lá para baixo, e o consumo é igual ao de um popular.

Isso tudo fora os mimos, como teto solar, controlador de velocidade e ar-condicionado digital. Baita carro! Também tem opção de câmbio automático, que não é tão empolgante, mas é boa.

Se for para escolher um médio automático, o melhor que guiei foi o Audi A3 com motor TSFi. Avaliei um na versão top de linha, com faróis de xenônio, som premium e teto panorâmico. O conjunto de motor, câmbio e suspensão é de primeira.

O valor do seguro assusta, mas trata-se de um carro vendido bem abaixo da tabela. Senti falta quando o entreguei para o comprador.

SEDÃ MÉDIO
Impossível não escolher a Mercedes-Benz C180. Não é o mais espaçoso, o mais potente ou o mais barato. Mas é um Mercedes!

Dirigir a C180 fez eu me sentir um vencedor. E mesmo sendo um carro de entrada da marca da estrela de três pontas, ainda assim tudo nele é bem-feito.

A suspensão é uma delícia, a tração é traseira, o motor 1.6 turbo é rápido, o painel com display colorido é maravilho e o consumo é inacreditável. Quando vi no computador de bordo algo em torno de 6 litros por 100 km (cerca de 16 km/l), desejei ter esse carro por todos os dias.

Poderia citar sua rival BMW 320i como a escolhida desta categoria, por ser tão boa quanto e andar mais. Mas dá para acreditar que ela não tem controlador de velocidade? Perdeu!

PERUA MÉDIA
Categoria em extinção, infelizmente. Palmas para a VolksWagen, que tem uma em cada segmento: SpaceFox, Golf Variant e Passat Variant. Entretanto, a melhor que avaliei vem de outra casa: a respeitada Subaru.

Sempre admirei a marca. E, quando pisei fundo numa exótica Outback com motor boxer de 6 cilindros, a admiração aumentou ainda mais.

Em seus quase 5 metros de comprimento, a perua tem de tudo, além de amplo espaço. Estavam lá a tração nas quatro rodas e as portas sem colunas, marcas registradas da Subaru. E como ela é linda!

Preciso de uma na minha garagem.

SEDÃ GRANDE
Queria escolher meu Nissan Maxima 95, cuja história já contei aqui no Carsale. Mas tenho que tirar o chapéu para os carros mais modernos. E, nisso, o Hyundai Azera virou referência.

Quem entra em um não fala que ele é da mesma marca que fabricava Excel e Accent nos anos 90.

O Azera possui acabamento primoroso, equipamentos que eu precisaria de um dia para descrevê-los, motor suave e suspensão macia. Que carro delicioso! Poderia ter uma cafeteira para ser 100%.

SETE LUGARES
A melhor mesmo é a Dodge Jouney R/T. Mas ela é tão grandona e cara que resolvi dar o título para a Kia Carens, por ser mais simples, porém mais racional.

Já avaliei várias para muitos clientes, e sempre me questiono porque a Kia parou de importá-la. O comprimento não é maior que o de um sedã médio. E ela não é tão alta e pesada quanto uma SUV. Além disso, tem ótimo aproveitamento de espaço interno, airbag para todo lado e é uma delícia de guiar.

A Kia entregou o segmento de bandeja para a feiosa Chevrolet Spin.

SUVs COMPACTAS
Tive o prazer de avaliar uma Mercedes-Benz GLK 220 blindada. O jipinho com porte de EcoSport tem dois turbos num robusto motor a diesel. O torque de 40,8 kgfm a baixas 1.400 rpm é algo incrível.

Duas coisas que fizeram eu me apaixonar por este carro: o silêncio do motor, que nem parece que é diesel, e a sobra de potência que me fez esquecer tratar-se de um blindado.

Outro SUV pequeno aprovado por mim é a VW Tiguan e seu motorzão TSi. À noite o painel parece o de um avião, de tanta luzinha acesa.

SUVs GRANDES
Aqui só podia ser um carro americano. Avaliei um Jeep Grand Cherokee e tive uma agradável surpresa, pois esperava um jipão duro e desajeitado. Mas que nada! De jipe só o nome e os controles que tem para tração e suspensão. Contudo, no uso “normal”, é um baita carro familiar, espaçoso, confortável e seguro.

O motor Pentastar V6 dá conta do peso do carro com sobra. Imagino a versão V8…

Outro “suvão” que gostei foi a Land Rover Discovery, referência no segmento. Mas ficaria com a Grand Cherokee, mesmo.

PICAPE
Trouxe uma Ranger STX 97 de Cascavel (PR), certa vez, que deixou saudades. Bebe gasolina com gosto, mas tem a dirigibilidade de um bom sedã.

Pensando com pés no chão, contudo, ficaria com as atuais Rangers: bonitas e robustas.

Concluo dizendo que estamos rodeados de carros tão bons que fica até difícil escolher um e excluir outro. Com raras exceções, não existe mais automóvel ruim.

No entanto, é possível que o amigo leitor tenha uma lista diferente da minha. Por isso, convido você a indicar suas preferências nos comentários.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.