Todo mundo teve, na escola, uma disciplina da qual não gostava. Eu tive algumas, sendo História uma delas. Acreditava ser desnecessário aprender sobre o passado, e não entendia como aquilo poderia me ajudar no futuro.

Claro que eu estava errado! E, felizmente, hoje em dia penso de modo bem diferente. Estou longe de ser um craque no assunto, mas tenho interesse em descobrir por que as coisas são como são. Agora, quando o assunto é carro, meu interesse é ainda maior.

Para falar sobre o tema desta coluna, analisei o cenário atual e fiz uma ligação com o passado.

Acho curioso que, atualmente, muitas pessoas escolham o carro pelo tipo de câmbio. Percebo que esse é o filtro principal. Antes, porém, era bem diferente.

Quando eu era garoto, o câmbio manual reinava quase absoluto. Naquela época, os 4 marchas estavam dando lugar aos 5 marchas. Já os automáticos eram raros e ineficientes: roubavam potência do motor e gastavam mais combustível.

Um motorista comum olhava para aquela sopa de letrinhas na grelha do câmbio e não entendia nada.

Foi com a abertura das importações, nos anos 90, que passamos a conhecer os bons automáticos. Destaque para as marcas japonesas, que começaram a explorar esse mercado com produtos tecnológicos e robustos.

Não tem como analisar o mercado atual sem citar os nipônicos. Pesquise por carros automáticos dos anos 90 e veja que um Civic ou um Corolla automáticos valem mais que qualquer outro nacional com qualquer tipo de câmbio. E quais são os sedãs médios que dominam o mercado de 0km?

Hoje o brasileiro se adaptou a essa realidade, e alguns modelos nem são mais oferecidos com câmbio manual. Acho esta uma tendência irreversível: o pedal de embreagem vai ser restrito a carros de entrada ou a poucos esportivos.

Mas será que o melhor para o mercado é também o melhor para você?

Tenho certeza que não, mas percebo que muita gente opta pelo câmbio errado na hora de escolher o carro.

O bom e velho manual, apreciado por 100% dos motoristas que gostam de dirigir, é a escolha certa para quem está longe dos grandes centros urbanos e quase nunca enfrenta aquele trânsito chato típico dessas cidades. Também o recomendo para o motorista que acabou de tirar a CNH.

Sempre que sou contratado por um cliente que quer comprar o primeiro carro, tento convencê-lo a optar pelo manual, uma vez que o motorista tem pouca experiência. Acho uma pena que alguns prefiram pular essa etapa e decidam pelo automático.

Sobre os automáticos, aliás, não quero aqui fazer distinção, já que hoje temos alguns tipos deles, como os CVTs, automatizados de uma ou duas embreagens, além do tradicional, com conversor de torque. Vou tratá-los, aqui, como um só tipo. Afinal, todos dispensam o pedal da embreagem, e as trocas de marcha, quando ocorrem, são feitas de forma automática.

Esse conforto é válido para quem enfrenta trânsito na maior parte do tempo. São inúmeros semáforos, congestionamento e reduções que tiram todo o prazer de guiar.

Hoje eu não abro mão do câmbio automático pelo conforto que ele proporciona nessas condições. Fora delas, sinto falta de cambiar, principalmente quando estou em uma estrada sinuosa, que exige uma tocada mais esportiva. O câmbio automático decepciona nessas situações.

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Quem faz parte desse segundo grupo consegue encontrar muitas opções no mercado, seja de novos ou usados. Há carros para todos os gostos e bolsos. Já quem integra o primeiro grupo tem encontrado mais dificuldade.

Na categoria dos médios, a maioria das opções com câmbio manual só está presente nas versões de entrada. Acima delas, são raras as alternativas. Ou seja: quem quer e pode ter um carro mais completo, com todos os equipamentos, não tem como optar pelo câmbio manual e se vê obrigado a pagar por algo que não precisa.

Voltando aos japoneses, vou citar o Civic como exemplo. Se eu quero a versão mais completa do modelo, com teto solar e outros acessórios, só posso levá-la com câmbio automático, mesmo que eu faça parte do primeiro grupo, dos fãs de manual.

Dia desses eu recebi um comentário no meu canal do YouTube num vídeo que postei de um Citroën AirCross com câmbio manual. Meu seguidor disse que não acreditava como ainda existia alguém que optasse por esse tipo de câmbio. Respondi dizendo que felizmente ainda temos carros para todos os gostos.

É esse tipo de pensamento que faz com que os fabricantes optem pelo que a maioria quer e acabam não atendendo no individual.

Não interessa o que o outro tem, desde que eu faça a escolha certa para mim.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.