Cerca de 23% dos compactos novos vendidos no Brasil são equipados com câmbio automático ou automatizado. De olho nessa demanda do segmento mais movimentado do mercado brasileiro (e para atender o pedido de clientes), Nissan e Toyota passaram a oferecer recentemente esse tipo de transmissão em seus modelos de entrada, March e Etios. Confira aqui no Carsale qual dos compactos automáticos de origem nipônica levou a melhor no comparativo.

O que eles têm

March SL CVT (R$ 58.390) e Etios XLS automático (R$ 57.545) saem de fábrica equipados com direção elétrica, ar-condicionado (digital e automático no March), faróis de neblina, vidros, travas e retrovisores com acionamento elétrico. O Toyota ainda conta com bancos de couro e apoio de braço central para o motorista, enquanto o compacto da Nissan facilita as manobras por possuir câmera de ré, indisponível na central multimídia do rival.

Na parte de conectividade, o March está bem à frente do Etios. A central multimídia do Nissan é mais moderna e permite ao usuário acessar aplicativos como Waze, Instagram, Spotify e qualquer outro compatível ao sistema Android. Já o equipamento do Etios é mais básico, pouco intuitivo, mas é dotado de conexão Bluetooth e compatibilidade com os players de música de smartphones.

Outra novidade da linha 2017 do Etios é o painel digital (ainda em posição centralizada) que ficou mais legível (e bonito) e agora conta com computador de bordo com diversas funções relativas ao consumo de combustível. Por fim, o Toyota acrescenta o piloto automático, item indisponível no March até como opcional.

No quesito segurança, eles não oferecem mais que o obrigatório por lei: airbags frontais e freios com sistema antitravamento (ABS). O March bem que poderia seguir o exemplo do irmão Versa, com quem compartilha componentes e conjunto mecânico, e sair de fábrica com os ganchos Isofix para a ancoragem de cadeirinhas infantis.

Espaço interno e acabamento

Apesar de pequenos por fora, March e Etios transportam quatro pessoas com folga. É possível que o centímetro a mais de diferença na distância entre-eixos (2,46 metros) do Toyota contribua para uma ínfima vantagem no espaço para as pernas do passageiro que viaja atrás do motorista. O Etios também supera o rival na hora de acomodar as bagagens, pois o seu porta-malas de 270 litros de capacidade é 5 litros maior que o do March.

Por serem modelos de entrada, ambos contam com acabamento simples, mas o March mostra um pouco mais de capricho na qualidade dos materiais. O Etios tenta disfarçar a simplicidade com diferentes texturas e couro nos bancos e volante, enquanto o Nissan usa peças em black piano (plástico preto brilhante) em maior profusão.

Motores, desempenho e consumo

O March SL como o avaliado é equipado com o motor 1.6 de 16 válvulas flex, que gera 111 cv de potência a 5.600 rpm e 15,1 kgfm de torque a 4.000 rpm com etanol e/ou gasolina no tanque. A novidade é o câmbio CVT (relações contínuas e variáveis) cuja proposta é oferecer conforto ao motorista, principalmente no uso urbano.

Como quase todo carro equipado com esse tipo de transmissão, o March roda suave e facilita a tarefa do condutor em congestionamentos. Combinado à direção elétrica levinha e à suspensão macia, o câmbio CVT forma um conjunto bastante agradável para quem prioriza uma tocada mais confortável.

Rodando na estrada, o March mostra a sua vocação urbana por hesitar um pouco nas retomadas, exigindo acelerações mais vigorosas que, consequentemente, elevam demais o giro do motor e prejudicam o conforto acústico na cabine. Caso o motorista queira deixar o compacto um pouco mais esperto, é possível desligar o overdrive (sobremarcha) em um botão na alavanca do câmbio. Esse recurso permite ao propulsor trabalhar a rotações mais elevadas e deixa o compacto mais disposto em rodovias.

Já o Etios XLS automático leva sob o capô o motor de 1.5 litro de 16 válvulas com comando variável, que rende 102/107 cv a 5.600 rpm e 14,3/14,7 kgfm a 4.000 rpm (gasolina/etanol). O câmbio é automático de quatro marchas. Embora essa transmissão seja defasada em comparação com as dos rivais diretos do Etios – que utilizam caixas de seis velocidades -, na prática, o compacto da Toyota mostra um comportamento bem acertado.

O câmbio utilizado pela Toyota tem relações alongadas e programação que aproveita bem a elasticidade do motor. Como o March, o Etios é ágil e confortável de guiar na cidade. Na estrada ele também não faz feio e transmite segurança em ultrapassagens. A transmissão, entretanto, fica um pouco indecisa em subidas, levando um tempinho para reduzir à marcha ideal para a situação.

Ambos andam bem no uso cotidiano, mas o Etios leva uma pequena vantagem mesmo equipado com um motor menos potente. O comportamento dinâmico do carro da Toyota também agrada um pouco mais por conta da direção ligeiramente mais rápida e pela suspensão mais firme nas curvas.

Em termos de consumo, o March se mostrou um pouco melhor. Sempre abastecido com etanol, o modelo da Nissan marcas de 8,2 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada. Já o Etios, com o mesmo combustível, fez 7,9 km/l em regime urbano e 11,9 km/l no trecho rodoviário.

Etios leva a melhor por vantagem mínima

Os dois estão longe de custar pouco, mas o Etios vence o comparativo por entregar dinâmica mais acertada, desempenho ligeiramente superior e pacote de equipamentos parecido com o do concorrente por um preço de compra menor. Mas vale destacar que a vantagem do Toyota para o March é mínima, e pode ser revertida caso o consumidor consiga um desconto na hora de assinar o cheque em alguma concessionária Nissan.

Fotos: Renan Rodrigues e Divulgação