Nesta segunda e última parte da coluna que escrevi na semana passada, vou listar mais alguns mitos e verdades sobre carros.

Quando comecei a pensar no assunto, percebi que havia muita coisa a ser dita. E foi por isso que achei melhor dividir o tema em dois textos.

Vamos aos tópicos desta semana:

– Manter o pé no pedal de embreagem: VERDADE
Muitos motoristas têm o hábito de dirigir com o pé na embreagem, seja por preguiça de deixá-lo no descanso do lado esquerdo, seja para agilizar as trocas de marcha. Uma coisa é certa: a embreagem terá um desgaste prematuro. Isso é tão verdadeiro que já avaliei muitos carros com baixa quilometragem nos quais o pedal estava “pesado”. Por outro lado, também já vi muitos veículos com quilometragens altas e pedal “leve”.

– Manter a mão na alavanca de câmbio: VERDADE
Outro hábito de motoristas preguiçosos que danifica as peças do câmbio de forma prematura.

– Uso de película escura no para-brisa: MITO
É permitido o uso de película nos vidros dos carros. Mas existe um limite estabelecido para cada um dos vidros. E o caso mais polêmico é o do para-brisa.

Ouço muitos motoristas dizerem que colocam a película mais “clarinha”, permitida por lei. Na realidade, ela precisa deixar passar no mínimo 75% de luminosidade no para-brisa para estar dentro da lei. Ocorre que este já é o índice que um vidro original consegue obter. Portanto, nada de película no para-brisa.

Vale lembrar que os vidros laterais dianteiros também têm um número bem conservador, de, no mínimo 70%. Ou seja, quase nada em relação ao vidro original.

Somente os outros vidros têm uma tolerância maior e podem ser mais escuros, com luminosidade mínima de 28%.

– Atravessar lombadas ou valetas na diagonal danifica a carroceria: MITO
Essa é antiga, geralmente passada de geração para geração. Não sei se fazia algum sentido no passado, quando a rigidez dos carros era bem menor. Hoje, contudo, isso não faz sentido algum. Não é uma simples valeta ou lombada que vai danificar uma estrutura tão parruda quanto a carroceria de um carro.

– Trocar discos de freio sempre que for trocar as pastilhas: MITO
Uma coisa não tem nada a ver com a outra. As pastilhas gastam mais do que os discos e por isso são trocadas com mais frequência. Portanto, não caia na história de quem fala que precisa trocar os discos sempre que for trocar as pastilhas de freio.

Se os discos ainda estiverem acima do limite mínimo para uso, uma simples retífica permitirá que eles rodem por mais alguns milhares de quilômetros.

– Trocar o filtro de óleo a cada duas trocas de óleo: VERDADE
Alguns fabricantes preveem no próprio manual a quantidade de trocas de óleo com filtro e sem filtro. Mas, no meu ponto de vista (e no de muitos mecânicos), não faz sentido trocar o óleo e deixar que um filtro com óleo antigo misture o novo com o velho. Além do mais, o custo do filtro é baixo. Portanto, não há razão para não fazer a troca em conjunto.

– Não se deve andar com vidros abertos em carros blindados: VERDADE
O vidro blindado é um conjunto de camadas de vários materiais. Com o tempo, essas camadas se descolam e formam o que chamamos de delaminação.

Um dos fatores que causam isso são as variações de temperaturas que o carro sofre ao longo dos anos. Vibração e torção da carroceria quando o carro está em movimento também podem contribuir para o problema.

Ao deixar o vidro aberto nessa situação, a chance de danificá-lo num curto prazo é grande. Portanto, além do motivo óbvio da segurança que um comprador de carro blindado busca, não é aconselhável dirigir com os vidros abertos.

– O consumo do álcool é 70% do consumo da gasolina em carros flex: MITO
Esse número mágico caiu na boca do povo de maneira totalmente equivocada. Assim como cada pessoa lida de forma diferente com certos alimentos, cada motor tem um rendimento diferente com cada tipo de combustível, e esse número varia muito de carro para carro.

Por exemplo: seu veículo pode consumir 50% mais de álcool em relação à gasolina, enquanto o do seu vizinho gasta apenas 15% a mais.

Não podemos usar essa média de 70% para todos os automóveis. E é por isso que recomendo que você faça o teste no seu veículo.

Encha o tanque com gasolina, meça o consumo e depois faça o mesmo com álcool. Compare os números, descubra a relação do seu carro e aplique-a na hora de comparar com os preços e poder tomar a decisão certa de qual combustível será mais amigo do seu bolso.

Se você leu a coluna da semana passada, notou que o tema “mitos e verdades” é bastante extenso. Não falta assunto para falarmos a respeito.

Por isso, assim como fiz no texto anterior, deixo aberto o espaço dos comentários para quem quiser acrescentar algo.

Se você não leu a primeira parte de “Mitos e verdades sobre carros”, clique aqui e confira.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.