A General Motors apresentou à imprensa brasileira, na última terça-feira (31), a segunda geração do sedã médio Cruze, que foi totalmente renovado e agora é importado da Argentina, trazendo um inédito motor 1.4 turboflex. O modelo chega às concessionárias em junho para demonstração, teste-drive e pré-venda, sendo que as entregas aos primeiros clientes estão programadas para julho. O novo Cruze é oferecido em três configurações, que partem de R$ 89.990 – a geração anterior custava entre R$ 81.190 e R$ 90.290.

Confira abaixo os preços e principais equipamentos de série de todas as versões:

Cruze LT (R$ 89.990): airbags frontais e laterais; freios com ABS (antitravamento); controles eletrônicos de estabilidade e tração; luzes de condução diurna; ganchos Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis; rodas de liga leve de 17 polegadas; ar-condicionado eletrônico; direção elétrica com regulagem de altura e profundidade; piloto automático; faróis de neblina; computador de bordo com três funções; volante multifuncional; central multimídia MyLink II com tela tátil de sete polegadas, espelhamento de smartphones por meio dos sistemas Android Auto e Apple Car Play. Há ainda o acréscimo de navegação no painel por setas e comandos de voz; assistente de partida em rampas; sistema start-stop; monitoramento de pressão dos pneus; espelhos externos com aquecimento; câmera de ré; sensor de estacionamento traseiro e alerta de valet (avisa o motorista por meio de um aplicativo no celular quando o carro se afasta mais de 500 metros).

Cruze LTZ (R$ 96.990): adiciona airbags de cortina; faróis com regulagem de altura e luzes diurnas de LED; sensor de chuva; faróis com acendimento automático e função “siga-me”; chave presencial; botão de partida do motor no painel; retrovisores com rebatimento elétrico; espelho interno antiofuscante; sensor de estacionamento dianteiro; rodas de 17″ escurecidas; computador de bordo com tela colorida e cinco funções; MyLink II com tela de 8 polegadas, GPS 3D integrado e comandos do sistema OnStar.

Cruze LTZ+ (R$ 107.450): acrescenta alertas de colisão frontal e de ponto cego; assistência de permanência na faixa; farol alto adaptativo; indicador de distância do veículo à frente; sistema de estacionamento automático (park assist) em vagas paralelas e perpendiculares; banco do motorista com regulagem elétrica e carregador de celular sem fio por indução eletromagnética (disponível para alguns modelos das marcas LG, Nokia e Samsung).

Desde a versão de entrada, o Cruze é equipado com o sistema de concierge OnStar, que disponibiliza serviços de emergência, rastreamento do veículo, pesquisas rápidas na internet, informações de trânsito, reservas e alertas de rodízio. O serviço é gratuito no primeiro ano e, por ora, a GM ainda não definiu o valor que será cobrado após esse período.

Coração e esqueleto de Astra europeu

Produto global da General Motors, o Cruze foi lançado na Ásia, Estados Unidos e Europa em 2008, mas chegou ao Brasil somente em 2011 para substituir o veterano Vectra. Diferentemente da geração anterior, projetado pela coreana Daewoo, o modelo foi desenvolvido nos Estados Unidos e na Alemanha, utilizando a arquitetura do Opel Astra. A estrutura fabricada com aços de alta resistência deixou o Cruze 6,2 centímetros mais comprido, 0,9 cm mais alto e com entre-eixos 1,5 cm maior, porém, 106 kg mais leve em comparação ao antecessor.

Já o conjunto mecânico é formado pelo motor de 1.4 litro com turbo e injeção direta de combustível (todo feito em alumínio) fabricado no México, que desenvolve 153 cv de potência e 24,5 kgfm de torque a 2.000 rpm – sendo que 90% dessa força está disponível a 1.500 rpm – e câmbio automático de seis marchas. A transmissão foi atualizada para suportar o o torque 30% superior que o do antigo propulsor 1.8 aspirado de 144 cv e 18,9 kgfm (quando abastecido com etanol).

De acordo com a GM, o novo Cruze acelera de 0 a 100 km/h em 9 segundos (contra 9,8 segundos do modelo anterior) e é cerca de 30% mais econômico que o antecessor. Segundo os dados informados pelo Inmetro, o sedã atingiu a nota A com as seguintes marcas: 11,2 km/l na cidade e 14 km/l na estrada rodando com gasolina e 7,6 km/l e 9,6 km/l, respectivamente, quando abastecido apenas com etanol.

O Cruze adotou a nova identidade visual da Chevrolet – presente no Cobalt, S10 e Traliblazer -, mas segue a atual tendência de sedãs com silhueta de cupê. O teto, cuja seção posterior forma praticamente um único volume com as linhas da traseira, dá uma aparência mais moderna e elegante ao sedã. Na dianteira, chamam a atenção os faróis espichados e a grade dividida por uma barra horizontal.

Já a traseira ganhou lanternas bipartidas e com formato mais harmônico que o do modelo anterior. A barra cromada que atravessa a tampa do porta-malas é um detalhe exclusivo do carro vendido no Brasil.

Por dentro, o Cruze manteve a boa ergonomia da primeira geração, porém, com notáveis melhorias no acabamento. Há material macio ao toque com dupla costura sobre o painel e plásticos de diferentes texturas na cabine. Mas alguns detalhes, como os pinos das travas da portas, poderiam ser mais caprichados. Se antes o sistema multimídia era um tanto confuso pelo excesso de botões, agora as teclas de comando estão melhor posicionadas e com um arranjo mais fácil de ser compreendido pelos usuários.

Com 2,70 metros de distância entre-eixos, a cabine acomoda bem quatro adultos (o espaço do passageiro do meio é mais indicado a uma criança). Passageiros com 1,80 m de altura encontram no banco traseiro bom espaço para as pernas e cabeça. O porta-malas acomoda 440 litros de bagagem (contra 450 litros do anterior).

Impressões

Ao entrar no Cruze, nota-se imediatamente a evolução em comparação ao antecessor. A posição de dirigir é facilmente encontrada, porém, não “encaixa” o motorista ao volante como o modelo anterior. No entanto, o condutor identifica rapidamente os principais comandos. Mas é em movimento que o Cruze mostra a sua evolução. O novo motor é mais esperto que o 1.8 aspirado em qualquer situação, especialmente em retomadas. A atualização do câmbio automático também contribui para o desempenho mais ágil e linear (borboletas para as trocas de marchas atrás do volante seriam muito bem-vindas). Na estrada a 120 km/h, o motor trabalha a pouco mais de 2.000 rpm.

Durante a nossa avaliação em rodovias, o Cruze registrou um consumo médio de 16,4 km/l com gasolina – alternando velocidades entre 100 km/h e 120 km/l.

Para mostrar a capacidade dinâmica do Cruze, a GM promoveu testes em seu campo de provas, em Indaiatuba (SP), onde foi possível submeter o carro a condições mais severas de rodagem. Na pista que simula curvas de alta e baixa velocidades, diferentes tipos de piso (asfalto ondulado, buracos e paralelepípedos) e relevo foi possível observar o comportamento do novo conjunto de suspensão – que agora conta com eixo de torção na traseira.

O rodar do Cruze ficou mais macio, mas não passa a sensação de estar a bordo de uma “barca”. O sedã é equilibrado e bem previsível em curvas mais rápidas, mesmo quando a sua trajetória é mudada repentinamente – esse comportamento também é favorecido pela boa aderência dos pneus Bridgestone Turanza de medidas 217/50 R17. Pouco depois de testarmos o novo Cruze, levamos à pista um exemplar da geração anterior para comparar as diferenças. O modelo antigo foi mais ruidoso nas acelerações e ao rodar sobre os trechos de piso irregular, onde as suspensões atingiam rapidamente o limite de absorção de impactos e comprometia o conforto dos ocupantes por conta do maior nível de vibração.

O Cruze deu um belo salto em termos de tecnologia, melhorou em desempenho e consumo e ficou mais confortável. Apesar da evolução, ainda é cedo afirmar se ele será capaz de chegar à liderança do segmento de sedãs médios. Credenciais para conquistar novos clientes ele tem, mas o atual líder, o Toyota Corolla, possui versões mais baratas que complementam o volume comercializado. Além disso, resta saber se a fábrica argentina conseguirá suprir as demandas dos mercados brasileiro e latino-americano. De qualquer forma, o Cruze apresenta uma importante e interessante evolução que remete aos tempos em que a linha da GM do Brasil era basicamente formada pelos modelos da alemã Opel.

Teste-drive a convite da General Motors do Brasil
Fotos: Divulgação