A Porsche mostrou no Salão de Frankfurt do ano passado a reestilização da atual geração (991) do modelo 911, que passa a ser equipado com motores turbo em todas as versões para atender os níveis de consumo e emissões estabelecidos pela União Europeia. Retocada visualmente e munida de propulsores atualizados e de uma série de recursos específicos para otimizar o desempenho nas pistas, a nova gama 911 já está disponível no Brasil em 14 configurações. Os preços começam em R$ 509 mil e chegam a R$ 1.277.000 (confira a tabela completa no final da matéria).

A versão de entrada Carrera (oferecida no Brasil pela primeira vez) e a Carrera S trocaram os motores boxer aspirados de seis cilindros de 3.4 e 3.8 litros, respectivamente, por um novo bloco de 3.0 litros biturbo. No 911 Carrera, o novo propulsor desenvolve 370 cv de potência e 45,9 kgfm de torque (0 a 100 km/h em 4,2 segundos e máxima de 293 km/h), enquanto no Carrera S esses números sobem para 420 cv e 51 kgfm graças à utilização de turbos maiores (2,9 segundos e 306 km/h), entre outros ajustes.

Além dos 20 cv extras em comparação com os motores antigos, que entregavam o torque máximo a elevados 4.500 giros por minuto, os novos propulsores disponibilizam toda a sua força entre 1.700 rpm e 5.000 rpm. Vale lembrar que todas as versões do 911 são equipadas com a caixa automatizada PDK de dupla embreagem e sete marchas. O câmbio manual será disponibilizado caso haja uma demanda significativa, segundo a Porsche.

No caso das variantes Turbo (540 cv e 72,5 kgfm) e Turbo S (580 cv e 76,5 kgfm), o motor é um 3.8 biturbo dotado de turbinas que variam a geometria das pás de acordo com a demanda de força. A versão mais potente é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em impressionantes 2,9 segundos e atingir a velocidade máxima de 330 km/h.

Tradicionalmente equipado com tração traseira, o 911 oferece o sistema de tração integral como opcional para as variantes Carrera e de série nas versões Targa, Turbo e Turbo S. A Porsche também disponibiliza itens que contribuem para a dinâmica do carro, como o eixo traseiro auto-esterçante (opcional no Carrera S) e o controle dinâmico de chassi PDCC (de série no Turbo S).

Deixando as atualizações mecânicas um pouco de lado, o Porsche 911 ganhou também uma nova central multimídia com tela sensível ao toque e compatível com a conexão Car Play da Apple (a Android Auto não está prevista para o equipamento).

Testamos as versões Carrera e Carrera S (com e sem opcionais) no autódromo Vello Città, em Mogi Guaçu (SP), no primeiro evento promovido oficialmente pela Porsche no país. Além de exercícios de slalom e de controle de largada, foi possível avaliar quatro diferentes especificações do 911 no desafiador traçado da pista.

Ambas as variantes disponíveis no teste são capazes de colar as costas dos ocupantes contra o encosto dos bancos em acelerações vigorosas – com clara vantagem dos Carrera S, que andavam bem à frente dos Carrera nas retas do autódromo -, mas o que realmente impressiona no 911 é o comportamento dinâmico irretocável. A direção bastante comunicativa, a rapidez do câmbio e o ânimo do motor formam um conjunto que passa confiança ao motorista a cada curva.

Obviamente que os Carrera S dotados de suspensão mais baixa, controle dinâmico de chassi e eixo traseiro auto-esterçante entram e contornam curvas mais rápidos que os 911 “puros”, mas a graça de dirigir um Porsche em um autódromo é ter o controle pleno do carro. Embora ande menos, o Carrera “básico” disponível no teste era o exemplar com comportamento e respostas mais naturais, com praticamente nenhuma interferência eletrônica na dirigibilidade. O modelo testado estava equipado com o sistema que permite escolher quatro modos de condução (zero, Individual, Sport e Sport +), alterando parâmetros da entrega de potência do motor, resposta do acelerador, velocidade do câmbio e atuação dos controles de estabilidade e tração.

O 911 é delicioso de guiar. Mesmo quem não tem habilidade de piloto profissional consegue se divertir sem sustos (em uma pista fechada, obviamente). A direção impressiona pela rapidez e as suspensões mantêm o carro na trajetória mesmo em manobras mais bruscas. O novo motor biturbo permite ao 911 sair das curvas com rapidez e entrega muita força nos trechos de subida e retas mais extensas. As respostas do 911 são bastante previsíveis para um carro com tamanho apelo esportivo quando comparado a rivais, como o Jaguar F-Type, por exemplo. O Porsche é bem mais tolerante a pequenos erros do condutor.

Após várias voltas no autódromo com os Carrera e Carrera S, ficou claro que o grande defeito de um Porsche, para a grande maioria dos mortais, é o preço. Infelizmente, esse tipo de carro é para poucos. Com a oferta da versão de entrada, a marca conseguiu deixar o modelo mais “acessível”. Caso o cliente não esteja satisfeito com nenhuma das opções disponíveis, ele pode encomendar um 911 com todos os opcionais oferecidos na Europa (o tempo de espera é de três meses).

Preços da linha Porsche 911 2016:

911 Carrera – R$ 509 mil
911 Carrera S – R$ 651 mil
911 Carrera Cabriolet – R$ 557 mil
911 Carrera S Cabriolet – R$ 696 mil
911 Carrera 4 – R$ 543 mil
911 Carrera 4S -R$ 685 mil
911 Carrera 4 Cabriolet – R$ 591 mil
911 Carrera 4S Cabriolet – R$ 730 mil
911 Targa 4 – R$ 591 mil
911 Targa 4S – R$ 730 mil
911 Turbo – R$ 997 mil
911 Turbo S – R$ 1.233.000
911 Turbo Cabriolet – R$ 1.044.000
911 Turbo S Cabriolet – R$ 1.277.000

Fotos: Divulgação