Definitivamente, comprar um carro não é como comprar um simples pastel na feira. Numa comparação bastante abrangente, a aquisição de um automóvel tem mais relação com a compra de uma roupa. Não qualquer roupa, mas sim uma que sirva para todos os dias, em diferentes ocasiões. Trocá-la é caro, pois boa parte do dinheiro investido nela será perdida na substituição.

Se pensarmos por aí, fica fácil entender que a compra do carro deve ser certeira, no sentido de atender as necessidades de quem vai usar o veículo. E, hoje, com tanto modelo em circulação, é natural que o consumidor fique em dúvida sobre qual comprar.

Como Caçador de Carros, é parte do meu trabalho identificar o perfil e as necessidades do meu cliente para apresentar a ele aquela que acredito ser a melhor opção de compra. Parece óbvio, mas uma pessoa alta precisa de um carro espaçoso para dirigir com conforto. Se essa mesma pessoa tiver filhos grandes ou costuma dar carona para adultos, é aconselhável que o espaço traseiro também seja bom.

É com essas e outras informações do gênero que traço o perfil do meu cliente para poder filtrar as melhores opções, até chegar ao modelo ideal. Nesse briefing de identificação, um dos primeiros quesitos a ser definido é a carroceria.

A hatch, a mais popular do Brasil, também precisaria ser a mais versátil para atender tanta gente. A realidade, no entanto, é diferente. Ela atende bem os solteiros ou casais sem filhos, que geralmente não precisam de muito volume para bagagens. Também costuma ser adequada para quem roda muito em ciclos urbanos e necessita de agilidade e economia. Aos que gostam desse estilo, mas precisam de mais espaço interno e de bagagem, melhor então que seja um hatch médio. Alguns, com cerca de 400 litros de porta-malas, conseguem atender essa necessidade.

Já a sedã, a mais clássica das carrocerias, é minha top of mind quando se fala em carro. Os sedãs pequenos, em especial, entregam a economia e agilidade dos hatchs, com a vantagem de ter um bom porta-malas. É ideal para famílias com filhos que costumam viajar nos finais de semana ou solteiros que precisam de espaço para transportar objetos. Já os sedãs médios, geralmente com motores mais potentes, atendem bem quem roda muito em estrada e necessita de um carro mais confortável e adequado a velocidades de cruzeiro com rotações mais baixas.

A perua, por sua vez, é uma espécie em extinção. É cada vez mais raro encontrá-la em nossas ruas. O irônico é que ela é das mais versáteis, capaz de atender diferentes tipos de consumidores – solteiros, casais com filhos, jovens que viajam com amigos, profissionais que transportam objetos de trabalho e aventureiros que carregam bicicletas dentro do carro, por exemplo. O que mais aprecio nas peruas é a dirigibilidade, superior à dos utilitários esportivos e à das minivans.

Aliás, para quem já está no terceiro filho, a minivan é o tipo de carroceria ideal, já que prioriza o espaço interno. Com banco traseiro largo ou bancos individuais, permite que todos viagem com conforto. Melhor ainda quando oferece uma terceira fileira de bancos, capaz de levar caronas ou até mesmo mais filhos. As minivans têm centro de gravidade mais baixo que os utilitários esportivos, o que reflete em mais conforto e segurança.

Quanto ao utilitário esportivo, é certo que hoje ele se transformou em objeto de desejo de muitos motoristas. Seja pela imponência ou pelo status, esses grandalhões são como um atestado de sucesso. Porém, são menos versáteis. Espaço há até de sobra, mas as desvantagens são muitas: alto consumo de combustível, grandes dimensões externas, preço de seguro acima da média, manutenção mais cara e centro de gravidade mais alto são algumas delas. Só vejo vantagem para quem roda com frequência por estradas de terra, uma vez que isso pede carros mais altos, robustos e com tração nas quatro rodas.

Já a picape é inconcebível para quem não precisa transportar objetos grandes ou pesados. Tenha ela cabine simples, estendida ou dupla, a principal diferença desse tipo de carroceria é a caçamba. Nisso, ela é imbatível. Mas quem não precisa de caçamba deve saber que, ao comprar uma picape, terá um carro mais duro e desconfortável que um sedã, por exemplo.

Por fim, o esportivo. E, aqui, a compra é emocional. Espaço limitado para passageiros e seguro e manutenção caros já são o bastante para limitar a venda desse tipo de automóvel. Ele atende um solteiro ou no máximo um casal sem filhos. Se a família for grande, é bom que não seja o veículo principal. Também relaciono ao esportivo aquele perfil de consumidor que chegou à meia-idade, trabalhou bastante, sempre teve carros simples e agora vê a oportunidade de comprar um modelo que lhe dê prazer.

Importante dizer que pensei o conceito puro dessas carrocerias, sem considerar os que jogam em mais de um time, como um esportivo de quatro portas que atende uma família ou um utilitário derivado de carro pequeno. Também listei apenas as principais carrocerias – e deixei fora jipes, furgões, conversíveis, etc.

Vale destacar, ainda, que o certo para mim pode ser errado para você. Afinal, gosto é bastante subjetivo, e nisso não há certo ou errado. Sempre digo que, além de atender as necessidades, o carro tem de agradar o dono. Portanto, se você é um solteirão que tem um utilitário esportivo para rodar no dia a dia dentro da cidade, quem sou eu para dizer que você não fez uma ótima escolha?

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.

 

Fotos:Divulgação