Todo produto tem um ciclo de vida. Com os carros, não é diferente. Ano após ano, os fabricantes fazem alterações na sua linha de produtos para renovar nosso desejo de compra.

Algumas mudanças são mais perceptíveis, principalmente quando feitas no design. Entretanto, são as pequenas alterações que passam despercebidas por nossos olhos, a ponto de confundirmos os anos dos modelos.

Uma mudança muito comum nos carros de 20 ou 30 anos eram as cores das setas. Imagino que o custo da cor (branca, âmbar ou fumê) na linha de produção fosse o mesmo – ou, no máximo, tivesse uma diferença irrisória. Ainda assim, os fabricantes insistiam em lançar carros com setas âmbares para depois de alguns anos apresentarem um “novo” produto, com setas brancas.

Curioso que, hoje em dia, como faróis e setas são peças únicas e (na maior parte dos casos) não apresentam mais diferença de cor, alguns adeptos da personalização automotiva pintam a parte lateral da lente de âmbar.

Gosto à parte, tenho certeza que se as lentes viessem assim de fábrica, essas pessoas iriam pintá-las de branco pela simples vontade de mudar o original.

E você, é capaz de identificar um carro que foi modificado?

Para não ser pego de surpresa e adquirir um veículo alterado pelo antigo dono, sugiro que faça uma pesquisa sobre o automóvel que está comprando e compare o que foi apresentado na época do lançamento com o que está avaliando. O Google é uma ótima ferramenta para nos auxiliar nesse comparativo.

Abaixo, listo os principais itens que costumam ser modificados:

# Conjunto óptico dianteiro – Além do caso das cores das setas, acima citado, uma alteração bem comum é na máscara do farol. Algumas são cromadas, outras pintadas de preto ou até mesmo na cor da carroceria. Como exemplo, cito a primeira geração do Citroën C3, que teve a máscara cromada alterada para preto nos modelos pós-2012. Já no Hyundai HB20, a cor da máscara tem relação com a versão, sendo preta nas de entrada e cromada na mais completa.

# Conjunto óptico traseiro – Outra alteração barata que os fabricantes gostam de fazer nas mudanças de ano do modelo. Além da cor da lente, é preciso verificar o layout da lanterna. Destaco a segunda geração do Honda Fit e suas belas lanternas vermelhas com gomos transparentes, que ficaram totalmente transparentes em algumas versões dos últimos anos dessa geração. Para manter o visual moderno, a Honda optou por deslocar as obrigatórias lanternas reflexivas para o para-choque. Perceba que a alteração dessa lanterna por um desavisado fere o Código de Trânsito Brasileiro por não ter as lanternas reflexivas, além de perder a originalidade.

# Rodas e calotas – O desenho das rodas até que dura mais – inclusive com direito a se tornar um clássico em alguns modelos. Já as “menosprezadas” calotas, por serem baratas, são alteradas quase todos os anos. Vale consultar as medidas adotadas pelo fabricante em cada ano e versão. O VW up! é um bom exemplo de vários desenhos e medidas diferentes. As calotas das versões de entrada têm o mesmo desenho, porém algumas são de 13 e outras de 14 polegadas. Já as rodas vão de 14 a 15 polegadas, com diferenças de desenho e cor.

# Grade e para-choques – Nos carros mais modernos, essas peças são marcas da identificação do modelo. As alterações podem ser simples mudanças de curvaturas até modificação total das peças. É o caso do Ford “New” Fiesta, que mudou bastante quando deixou de ser importado do México para se tornar nacional, em 2014. Nas minhas avaliações, já me deparei com um 2012 com frente do nacional. Ao ver essa discrepância, virei as costas e fui embora.

# Pintura de peças – O para-choque sem pintura ficou no passado. Já a grade, retrovisores e maçanetas pretas ainda são comuns em alguns modelos. É normal o dono pintar essas peças para dar uma refinada no visual. Também são comuns os apliques cromados – que nem sempre são de bom gosto, na minha opinião. Para saber o que veio de fábrica, só mesmo comparando com outros modelos de mesmo ano e versão.

# Emblemas – Aqui vigora uma sopa de letrinhas que muda de tamanho, fonte, lado e altura a cada ano. Alguns carros “velhos de guerra”, sem muita expressão no mercado e com pouca verba para mudanças mais profundas, recebem apenas um “tapa” nos emblemas. É o caso da Fiat Palio Weekend, que em determinado ano deixou de ser Palio para ser apenas Weekend. Um desavisado pode achar que o emblema foi retirado, quando a mudança foi feita pela própria Fiat.

Vale lembrar que as mudanças feitas no carro pelo proprietário muitas vezes visam apenas uma alteração estética. Entretanto, é bom ficar atento a possíveis modificações realizadas em virtude de uma batida que pediu a substituição de peças.

Até a próxima!

Foto: Carsale

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.