A Peugeot apresentou na última segunda-feira (04) a linha 2017 do compacto 208. O modelo sofreu a sua primeira reestilização e, de quebra, ganhou novas versões e uma gama inédita de motores. Nas versões de entrada e intermediária, o 208 será equipado com o moderno bloco de três cilindros de 1.2 litro flex da família Puretech, que rende até com 90 cv de potência e 12,9 kgfm de torque quando abastecido com etanol. Esse propulsor, segundo a Peugeot, será responsável por 60% das vendas do modelo – a marca pretende passar a vender das atuais 700 para 1.000 unidades mensais.

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O motor conquistou o título de mais econômico do Brasil, de acordo com os testes de consumo do Inmetro. Ele foi classificado com a nota triplo A. As médias registradas pela entidade são de 10,9 km/l com etanol na cidade e 15,1 km/l com gasolina no mesmo ciclo. No circuito rodoviário os númeos são de 11,7 km/l com o combustível vegetal e 16,9 km/l com o derivado de petróleo.

No entanto, durante a nossa breve avaliação, o 208 abastecido com gasolina passou com facilidade dos 20 km/l rodando na estrada. Aliás, durante o lançamento, a Peugeot propôs um desafio de maior economia e, dirigindo de maneira pouco usual, houve quem conseguisse passar dos 27 km/l.

Para comprovar que tal economia é possível, a Peugeot, em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia, realizou uma viagem de São Paulo até Brasília. Para o teste, a entidade abasteceu o carro com gasolina Podium e lacrou o tanque. Os técnicos do instituto rodaram os 1.006 quilômetros de distância entre as cidades com média de 21,6 km/l e chegaram à Capital Federal com autonomia restante de 240 km.

Mas não é só em economia que o novo motor surpreende. A primeira impressão é que o 208 perderia agilidade, uma vez que o motor 1.5 de quatro cilindros gerava 3 cv de potência e 1 kgfm de torque a mais. No entanto, o propulsor garante boa agilidade no trânsito urbano. O comportamento do propulsor não lembra os três cilindros de litragem inferior de outras marcas, que apresentam um nível maior de vibração.

A preocupação da marca fica para quando o consumidor olhar para o lado, uma vez que todos os concorrentes em termos de preço são mais potentes. Para isso, a empresa aposta em uma extensa lista de equipamentos e na economia do novo motor.

Novo 208 GT: O esportivo diário

Uma característica marcante em um esportivo é sua suspensão, mais firme que das versões convencionais, mas isso não acontece no 208 GT. O acerto do conjunto, apesar de mais rígido, não compromete o conforto. Essa característica, no entanto, interfere um pouco no comportamento do carro em curvas mais rápidas, como notamos no teste no Autódromo de Eusébio, no Ceará.

O ponto forte do 208 GT é o motor THP 1.6 turbo de 173 cv de potência e 24,5 kgfm de torque, quando abastecido com etanol, que transforma o compacto em um foguetinho capaz de acelerar de a 100 km/h em bons 7.6 segundos e atingir os 220 km/h de velocidade máxima. Vale lembrar que o motor desenvolvido em parceria com a BMW entrega a maior parte da sua força a partir dos 1.800 rpm. Aliás, é nas acelerações mais fortes que lembramos que ele mostra ser um legítimo hot hatch, afinal, pois é possível ouvir o característico ruído do turbo mesmo com as janelas fechadas.

Essa diferença de comportamento tem um motivo, a marca francesa queria associar o desempenho ao uso diário, sendo assim, uma suspensão não tão rígida é bem vinda, do contrário, o modelo seria cansativo no uso diário.

Outra característica que entrega a tentativa de unir o uso diário com o alto desempenho é a direção, que se mostra bem leve em velocidades moderadas e vai ficando mais pesada conforme aceleramos. Porém, seus comandos são sempre bem diretos. Isso também explica a escolha pelo pneu Michelin Pilot Sport 3 205/45 R17 88V, com perfil um pouco mais alto que o convencional para um esportivo.

Planos da Peugeot

De acordo com a marca, o motor 1.2 Puretech será produzido nacionalmente a partir do momento que houver demanda suficiente, ou seja, cerca de 100 mil unidades anuais. Para atingir tal meta, algumas medidas deverão ser tomadas em breve. Entre elas a adoção do novo motor nos demais modelos do grupo PSA. Sendo assim, os Citroën C3 e Aircross devem ganhar o propulsor em breve.

Outra estratégia que facilitará a vida da marca é a chegada da versão turbinada desse motor, substituindo o atual 1.6 aspirado. A ideia já é estudada no país, mas não há previsão para ser colocada em prática. Sendo assim, a gama de motores da Peugeot e Citroën seria formada pelos blocos 1.2 Puretech aspirado e turbo nacionalizados, além do 1.6 THP que continuará sendo importado.

No entanto, o esforço maior da Peugeot, é mudar a sua imagem no Brasil. Para isso, a marca conta com estudos de mercado feitos pela Fipe e também pela consultoria Jato Dynamics. A primeira entidade aponta que com três anos de uso o 208 desvaloriza cerca de 31%, o mesmo que os principais rivais. A Jato demonstrou que os valores pagos por cestas de peças e revisões são ligeiramente mais baratos no caso do Peugeot.

Viagem a convite da Peugeot
Fotos: Divulgação