Muito apreciadas na Europa, as peruas estão cada vez mais raras no Brasil. A participação desse tipo de carro no mercado nacional diminuiu na última década com a expansão do segmento de SUVs, que a cada ano traz uma quantidade considerável de lançamentos. Além do fator novidade (e do status), os utilitários esportivos caíram de vez no gosto dos brasileiros por serem mais versáteis, pois combinam espaço interno generoso com a capacidade de enfrentar a buraqueira das cidades com maior desenvoltura e ainda permitem encarar, sem preocupação, aquela estradinha de terra no passeio do fim de semana.

Desde novembro do ano passado, a CAOA vende no país a nova geração da Subaru Outback (apresentada no Salão de Chicago de 2014), definida pela marca japonesa como “CrosSUV” por combinar o estilo e a dirigibilidade das peruas com a robustez dos utilitários esportivos.

Oferecida em versão única a partir de R$ 167.990, a Outback traz um pacote de equipamentos de série condizente com um carro da sua faixa de preços: sete airbags, freios com ABS, controles de estabilidade e tração, direção elétrica, ar-condicionado de duas zonas, bancos de couro com regulagem elétrica para os dianteiros (e memória apenas para o do motorista), chave presencial, piloto automático, freio de estacionamento eletrônico, faróis de xenônio, teto solar elétrico, rodas de liga leve de 18 polegadas, central multimídia com tela sensível ao toque, conexões Bluetooth e USB, câmera de ré e sistema de áudio premium da marca Harman Kardon.

Mas o que realmente interessa no carro de uma marca famosa por desenvolver modelos de caráter esportivo e dinâmica afinada é a mecânica. Como todo Subaru, a Outback leva sob o capô um motor de cilindros contrapostos (boxer) e sistema de tração integral permanente. O propulsor aspirado de seis cilindros de 3.6 litros – vai na contramão da tendência atual focada na eficiência ao dispensar tecnologias como injeção direta e turbocompressor – gera 256 cv de potência a 6.000 rpm e 35,7 kgfm de torque a 4.400 rpm.

Para conter o consumo de gasolina do motorzão, a Subaru lançou mão da transmissão CVT (variação contínua) chamada de Lineartronic, que permite simular seis marchas no modo manual acionado pelas borboletas atrás do volante.

A Outback é uma perua de dimensões generosas (4,81 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 1,67 m de altura), que consegue acomodar o motorista e mais quatro ocupantes com folga, graças a boa distância entre-eixos de 2,74 metros. Quem vai no banco traseiro conta com bons espaços lateral, vertical e para as pernas, mas o passageiro do meio viaja com os joelhos um pouco elevados por causa do túnel central. Em compensação, há saídas do ar-condicionado e ganchos Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis. Já o porta-malas tem tampa com acionamento elétrico e leva 512 litros de bagagem (apesar de a CAOA divulgar apenas a capacidade máxima até o teto, que é de 1.048 litros).

SEM FRESCURA

Comparada a modelos da mesma faixa de preços (ou até mais baratos), a Outback é um carro com poucos mimos. A Subaru faz questão de enfatizar que os seus clientes priorizam o prazer ao dirigir a itens de conforto e conveniência. A perua até tem faróis com acendimento automático, sensor de chuva e uma central multimídia com um bom sistema de som, mas deixa de lado, por exemplo, o GPS e os sensores de estacionamento (bastante úteis na hora de manobrar um carro de quase cinco metros de comprimento).

Se fica devendo em algumas “firulinhas”, por outro lado, a perua compensa na hora de acelerar. Para entregar o máximo do conjunto mecânico, a Outback permite ao motorista alterar o mapeamento do motor, selecionando três modos de condução em botões no volante: Intelligent (proporciona uma condução mais suave, priorizando a economia de combustível), Sport (deixa as respostas do motor mais ágeis) e Sport Sharp (o mais agressivo favorece o desempenho ao elevar as rotações do motor e proporcionar uma tocada mais esportiva).

Diferentemente da maioria dos SUVs, voltada essencialmente para o uso no asfalto, a Outback é capaz de encarar um off-road moderado graças às soluções técnicas empregadas pela Subaru. Além das molduras plásticas na parte inferior dos para-choques e das saias laterais, que protegem a pintura de pedras soltas no chão, a tração integral e a boa altura em relação ao solo (21,3 cm) permitem enfrentar terrenos mais acidentados sem medo de ficar pelo caminho (respeitando os limites do carro, obviamente). O sistema X-Mode, que atua no controle de tração e no assistente de frenagem em descidas, favorece a aderência em pisos com pouca aderência e o controle em descidas.

No asfalto, a Outback mostra a vantagem dinâmica das peruas em relação aos SUVs e proporciona uma dirigibilidade pensada para quem gosta de guiar. Mesmo com o seu porte avantajado, ela transmite segurança em curvas graças ao comportamento soberbo das suspensões independentes. A tração integral atuando o tempo todo nas quatro rodas contribui para a estabilidade exemplar e mantém a perua em sua trajetória mesmo em manobras mais rápidas (durante o teste fomos obrigados a desviar de um gambá que atravessou a rodovia repentinamente e, felizmente, chegou a salvo no outro lado da pista).

Silenciosa, a Outback agrada pelo rodar suave proporcionado pelo motor que funciona em baixos regimes (1.900 rpm a 120 km/h) e trabalha harmoniosamente com o câmbio CVT. Se esse tipo de transmissão é um tanto artificial na hora de simular trocas de marchas no modo manual, ao menos garante boa dose de conforto em qualquer situação. Quando exigido, o propulsor empurra a perua de 1.675 quilos com disposição e ainda emite o agradável ronco metálico típico dos motores de seis cilindros. Segundo a Subaru, a Outback acelera de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos e chega aos 235 km/h de velocidade máxima.

O consumo médio de 6,5 km/l na cidade e 12 km/l na estrada, aferido durante a avaliação, pode ser considerado satisfatório se levarmos em consideração que se trata de um carro de quase 1.700 quilos movido por um motor de seis cilindros e tração nas quatro rodas.

Como os demais Subaru vendidos no Brasil, a Outback tem preço salgado que, diante da variedade de modelos alemães e coreanos no mercado, pode interferir na escolha de quem não conhece muito bem a história dos carros da fabricante nipônica. Bem construída, a perua tem como principal apelo a dirigibilidade e o conjunto mecânico bem acertado para conquistar novos donos e fidelizar ainda mais os clientes da Subaru. Mesmo seguindo a premissa de funcionalidade e robustez comum nos carros japoneses, deixando de lado conveniências e tecnologias cada vez mais presentes nos carros atuais, a Outback comprova ser versátil ao combinar a dinâmica de perua com a capacidade de rodar fora do asfalto dos SUVs.

Fotos: Guilherme Silva e Divulgação

Ficha técnica

ModeloSubaru Outback
PreçoR$ 167.990
Motorlongitudinal, seis cilindros contrapostos, 3.6 litros, 24 válvulas, a gasolina
Cilindrada (cm³)3.630
Potência256 cv a 6.000 rpm
Torque (gasolina/etanol)35,7 kgfm a 4.400 rpm
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Suspensão dianteiraIndependente, McPherson, molas helicoidais
Suspensão traseiraIndependente, braços sobrepostos, molas helicoidais
RodasLiga leve de 18 polegadas
Pneus225/60 R18
DireçãoElétrica
Peso em ordem de marcha (kg)1.675
Comprimento (metros)4,81
Largura (m)1,84
Altura (m)1,67
Distância entre-eixos (m)2,74
Tanque (litros)60
Porta-malas (litros)512 (1.048 até o teto)
TransmissãoCVT com simulação de seis marchas
TraçãoIntegral permanente
Aceleração de 0 a 100 km/h7,6 segundos
Velocidade máxima (km/h)235