No mercado há quase cinco anos, o Evoque se tornou uma das referências de design automotivo ao combinar as linhas arrojadas do conceito LRX (mostrado no Salão de Detroit de 2008) com o luxo e a versatilidade dos utilitários esportivos da Land Rover. Essa receita imediatamente agradou ao público e serviu de inspiração a outras marcas, como a Lexus (divisão de luxo da Toyota), que lançou em 2014 o crossover NX 200t para tentar abocanhar uma fatia desse nicho dominado pelo Evoque.

Enquanto o NX 200t é praticamente um novato na área (chegou ao Brasil em março do ano passado), o Evoque passou pela sua primeira reestilização na linha 2016. As rodas e os para-choques foram redesenhados – deixando o SUV mais parecido com os irmãos maiores da linha Range Rover – e os faróis e lanternas tiveram o posicionamento das luzes alterado. A cabine recebeu novos puxadores das portas dianteiras, central multimídia que espelha smartphones e computador de bordo e painel de instrumentos atualizados.

Com uma gama mais variada, o Evoque está disponível nas versões SE (R$ 217.500) SE Dynamic (R$ 231.800) e HSE Dynamic (R$ 265.800), equipadas com o motor 2.0 turbo a gasolina de 240 cv. Já o bloco de 2.2 litros turbodiesel de 190 cv está presente nas variantes SE (R$ 237.500) e HSE (R$ 258.200). Todas as configurações do Evoque são dotadas de câmbio automático de nove marchas e sistema Terrain Response, que gerencia os parâmetros do acelerador, transmissão e tração de acordo com o terreno.

Embora tenha sido lançado por aqui há menos de um ano, o NX 200t também traz novidades na linha 2016: novas rodas de liga leve e carregador de celular sem fio dentro do porta-objetos do console central. O crossover japonês é oferecido em uma versão “básica” (R$ 223.060) e na F-Sport (R$ 245.400), que adiciona elementos estéticos exclusivos, teto solar panorâmico, rodas de 18 polegadas, grade frontal em formato de colmeia, interior revestido em couro preto e vermelho, head up display (projeta informações do painel no para-brisas) e suspensão adaptativa variável. A única motorização disponível é a 2.0 turbo a gasolina de 238 cv de potência, associada a uma caixa automática de seis marchas. O Lexus também é dotado de tração integral.

Os dois modelos são bastante chamativos e atraem olhares a todo instante. Com linhas mais retilíneas, o Evoque tem mais cara de utilitário esportivo que o rival. Já o NX 200t tem aparência mais futurista, repleta de ângulos e vincos que, segundo a Lexus, foi inspirada em um diamante. Apesar do visual invocado de ambos, vale lembrar que o Evoque é baseado no quadradão Freelander 2, enquanto o Lexus é construído sobre a plataforma do sisudo Toyota RAV4.

Os carros das fotos estão configurados em suas versões topo de linha e, apesar da diferença de preços superior a R$ 20 mil, eles são parecidos na lista de equipamentos. Ambos contam com teto solar panorâmico, interior revestido em couro, piloto automático, ar-condicionado automático de duas zonas, bancos dianteiros com ajustes elétricos e central multimídia com DVD e TV digital. Enquanto o equipamento do Evoque é mais intuitivo, com tela sensível ao toque e dotado de sistema de som premium da marca Meridian, o do NX 200t possui grafismo mais defasado e é comandado pelo touchpad, um controle posicionado no console central.

Por outro lado, o Lexus compensa a comodidade na hora de acomodar as bagagens no porta-malas. O seu compartimento, além de ser maior (580 litros contra 420 litros do rival), possui abertura e fechamento automático por meio de botões na chave, painel e na própria tampa.

Em termos de segurança, ambos saem de fábrica com controles eletrônicos de estabilidade e tração, airbags frontais, laterais, de cortina e para os joelhos do motorista. Mas o NX 200t leva vantagem por disponibilizar bolsas infláveis laterais para os ocupantes do banco traseiro e para os joelhos do passageiro da frente.

Tanto o Evoque como o NX 200t levam três adultos sem aperto. Apesar de terem a mesma medida de distância entre-eixos (2,66 metros), o espaço para quem viaja atrás é ligeiramente superior no Range Rover. Os dois modelos são bem acabados internamente, mas o SUV inglês utiliza materiais de melhor qualidade e com montagem mais caprichada.

O Evoque também leva vantagem na posição de dirigir, que está mais para um hatch do que para um utilitário esportivo. As características de carro menor também são notadas na dirigibilidade mais ágil e no comportamento exemplar em curvas. O Lexus também é um carro bom de guiar, mas a sua direção tem assistência mais leve em velocidades altas e respostas mais lentas. No entanto, o modelo japonês trata melhor os ocupantes ao rodar sobre pisos esburacados devido a maior eficiência de sua suspensão na hora de filtrar as irregularidades – as rodas um pouco menores (18 polegadas contra as de aro 20 do Evoque) também contribuem para o conforto.

Equipados com motorizações de 2.0 litros com injeção direta de combustível e turbocompressor (o primeiro do tipo na história da Lexus), Evoque e NX 200t são parecidos em desempenho. Os propulsores garantem força suficiente para boas acelerações e retomadas logo abaixo das 2.000 rpm. Apesar dos 2 cv a menos, o motor do Lexus é um pouquinho mais esperto por entregar os 35,7 kgfm de torque a 1.650 rpm contra os 34,6 kgfm a 1.750 rpm do Evoque. Ambos são dotados de modos de condução esportivos, que privilegiam o desempenho aumentando a sensibilidade do acelerador e “esticando” as marchas. De acordo com os dados de fábrica, o NX 200t vai de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos e o Evoque cumpre a mesma tarefa em 7,5 segundos.

Além do funcionamento mais suave a giros altos, o conjunto mecânico do NX 200t consumiu um pouco menos de combustível durante o teste. Na cidade, a média do Lexus foi de 7 km/l ante 6,6 do Evoque. Em percurso rodoviário, as medições foram de 13 km/l para o NX 200t e 12,3 km/l no caso do Range Rover.

Mas a grande vantagem do Evoque aparece mesmo é fora do asfalto. Ele se comporta (bem) melhor nas estradas de terra e em pisos escorregadios graças ao sistema Terrain Response, que adapta as respostas do acelerador, do câmbio, da transmissão e da tração nas quatro rodas de acordo com o terreno a ser enfrentado. O recurso é acionado por botões no console central, assim como o assistente de frenagem em declives (freia o veículo automaticamente em descidas).

Estilosos e bons de guiar, Evoque e NX 200t são bastante parecidos em equipamentos e desempenho. O Lexus leva alguma vantagem em mimos de conveniência, mesmo custando menos, mas o Evoque garante a vitória apertada graças à dinâmica mais afinada e pela capacidade de enfrentar um off-road leve sem medo de ficar pelo caminho.

Fotos: Larissa Florencio

Ficha técnica

ModeloRange Rover Evoque HSE DynamicLexus NX 200t F-Sport
PreçoR$ 265.800R$ 245.400
Motorquatro cilindros em linha, 16 válvulas, duplo comando de válvulas, injeção direta, turbocompressor, a gasolinaquatro cilindros em linha, 16 válvulas, duplo comando de válvulas, injeção direta, turbocompressor, a gasolina
Cilindrada (cm³)1.9991.998
Potência240 cv a 5.500 rpm238 cv a 5.600 rpm
Torque (gasolina/etanol)34,6 kgfm a 1.750 rpm35,7 kgfm a 1.650 rpm
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBDDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos ventilados com ABS e EBDDiscos ventilados com ABS e EBD
Suspensão dianteiraIndependente, McPherson, molas helicoidais Independente, McPherson, molas helicoidais
Suspensão traseiraIndependente multi-linkIndependente double wishbone
RodasLiga leve de 18 polegadasLiga leve de 18 polegadas
Pneus225/65 R20235/55 R18
DireçãoElétricaElétrica
Peso em ordem de marcha (kg)1.5951.850
Comprimento (metros)4,354,63
Largura (m)1,981,84
Altura (m)1,631,64
Distância entre-eixos (m)2,662,66
Tanque (litros)7060
Porta-malas (litros)420580
TransmissãoAutomática de nove marhasAutomática de seis marchas
TraçãoIntegralIntegral