Para tentar retomar a liderança do mercado premium no Brasil (perdida para a Audi em 2015), a Mercedes-Benz inicia 2016 apostando nos SUVs. Os inéditos GLC e GLE Coupé chegam às concessionárias na segunda quinzena de fevereiro, puxando a fila de novidades da marca alemã neste ano.

O que é o GLC

Baseado na nova geração do sedã Classe C (na nova nomenclatura da Mercedes, a sigla GL identifica a linha de SUVs, enquanto a letra seguinte refere-se ao modelo cuja plataforma serve de base), o GLC substitui o quadradão GLK. O utilitário esportivo é oferecido nas versões GLC 250 (a partir de R$ 222.900) e GLC 250 Sport (R$ 264.900). Levando em consideração o seu porte e faixa de preços, o modelo chega para concorrer com Audi Q5, BMW X3, Range Rover Evoque e Volvo XC60.

As duas variantes são equipadas com o motor de quatro cilindros de 2.0 litros turbo a gasolina de 211 cv de potência e 35,7 kgfm de torque. O novo câmbio automático de nove marchas (com borboletas para trocas manuais) envia a força do propulsor ao sistema de tração integral 4 MATIC.

De série, o SUV traz sete airbags, ar-condicionado de duas zonas, sistema start-stop (desliga e religa o motor automaticamente em paradas breves), sensor de chuva, faróis com acendimento automático, freio de estacionamento elétrico, controles eletrônicos de tração e estabilidade, piloto automático, rodas de 18 polegadas, entre outros itens.

A versão Sport tenta justificar o preço maior acrescentando o teto solar panorâmico, bancos dianteiros com ajustes elétricos e memória, rebatimento elétrico dos retrovisores, rodas aro 19, chave presencial, faróis full LED, central multimídia com GPS e touchpad, além do sistema que estaciona o carro sozinho em vagas paralelas e perpendiculares.

O que é o GLE Coupé

Derivado do jipão GLE (antigo Classe ML), o GLE 400 Coupé inaugura na Mercedes-Benz a proposta de cupê anabolizado, lançada pelo BMW X6. Embora não seja dos mais harmônicos, o visual tem a esportividade realçada pelas grandes entradas de ar do para-choque dianteiro e pelas enormes rodas de 21 polegadas.

Como o GLC, ele chega ao Brasil em duas configurações: GLE 400 Coupé (R$ 415.900) e GLE 400 Coupé Night (R$ 425.900). A motorização é sempre a 3.0 V6 biturbo a gasolina de 333 cv e 48,9 kgfm – também com transmissão automática de nove marchas e tração integral.

O GLE 400 Coupé sai de fábrica com ar-condicionado de três zonas, teto solar panorâmico, sete airbags, bancos revestidos em couro Nappa, central multimídia com GPS, DVD e câmera de ré, assistente automático de estacionamento, amortecedores adaptativos, chave presencial, faróis full LED com acendimento automático, sensor de chuva, assistente de partida em rampas, controle de velocidade em descidas, entre outros. A versão GLE 400 Coupé Night distingue-se apenas pelos retrovisores, spoiler dianteiro, grade frontal e rodas com acabamento na cor preta.

Impressões

O Carsale testou os dois modelos em rodovias do interior do estado de São Paulo. Começamos a avaliação com o GLE 400 Coupé, cuja proposta esportiva pôde ser notada logo nos primeiros quilômetros da avaliação. O motorzão V6 biturbo tem funcionamento suave, mas empurra o SUV de 2.180 quilos com muita disposição ao menor toque no acelerador. Mas basta selecionar um dos modos esportivos (Sport e Sport +) para que as respostas do motor fiquem mais ágeis e as marchas sejam esticadas até 6.000 rpm, deixando as acelerações e retomadas ainda mais vigorosas. Apesar das dimensões (1,73 m de altura, 2,12 m de largura e 4,90 m de comprimento), o GLE 400 Coupé tem estabilidade exemplar para um veículo do seu porte. Segundo a Mercedes-Benz, ele acelera de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos e chega aos 247 km/h de velocidade final.

Embora seja menor e menos potente, o GLC é mais agradável de guiar que o GLE 400 Coupé pelo fato de ter uma dirigibilidade mais parecida com a de um sedã. Ao entrar no SUV, o motorista só lembra que não está ao volante de um Classe C por conta da altura do assento. Em movimento, ele não faz feio. O motor de 211 cv dá conta de mover o GLC com boa agilidade. Os números de fábrica afirmam que o SUV atinge os 100 km/h em 7,3 segundos e chega aos 222 km/h de velocidade máxima. Assim como o modelo maior, os modos de condução Sport e Sport + privilegiam o desempenho com as alterações nos parâmetros do acelerador, câmbio, direção e suspensão – e ainda deixam a condução mais divertida.

Um ponto que merece elogios nos dois SUVs é o novo câmbio automático de nove marchas, que apresenta um funcionamento mais acertado que o da caixa automatizada de dupla embreagem utilizada em outros modelos da marca. As trocas de velocidade são mais ágeis e quase imperceptíveis.

Conectividade

Se os novos modelos da Mercedes-Benz (e de outras marcas alemã) mostram evolução em diversos quesitos, não se pode dizer o mesmo quando o assunto é conectividade. O sistema multimídia, inexplicavelmente, ainda é controlado pelo touch pad (foto acima) e por botões no console central, enquanto caros bem mais baratos são dotados de intuitivas telas sensíveis ao toque.

A partir de março, o sistema da Mercedes permitirá espelhar o conteúdo de smartphones da Apple por meio da tecnologia CarPlay. No entanto, a marca não confirmou se os veículos comercializados até fevereiro poderão atualizar o sistema e nem se os usuários poderão conectar dispositivos Android.

A Mercedes-Benz não revela a expectativa e nem o mix de vendas, mas confirma a previsão de aumentar as suas vendas com esses e os futuros lançamentos. A marca acredita que os novos modelos possam representar pelo menos 40% de sua participação no mercado em 2016.

Viagem a convite da Mercedes-Benz
Fotos: Estúdio Malagrine