“Carro chinês não é confiável”. “Vai comprar carro chinês? Tá louco?”. Quantas vezes você já ouviu ou mesmo falou isso? É comum esse tipo de afirmação acontecer, ora por preconceito ou desconhecimento. Mas JAC Motors do Brasil está disposta a provar que não é bem assim. Para isso, está emprestando para os jornalistas especializados no setor automotivo veículos da sua marca com mais 80 mil quilômetros rodados.

Uma semana com o JAC de 100 mil km

O Carsale teve a oportunidade de ficar uma semana com um exemplar do JAC J3 na configuração hatchback.O veículo foi adquirido pela JAC de um consumidor no Ceará, que utilizou o carro durante três anos e rodou exatos 102 mil quilômetros.

Este J3 em questão foi escolhido pela JAC, pois seguiu o plano de revisão da marca, assegurando os seis anos de garantia. Como se trata de um carro fabricado em 2012, o compacto ainda possui outros três anos de garantia.

Ao buscar o veículo na sede da empresa, na Zona Oeste de São Paulo, a pessoa responsável pela a entrega do carro nos deu um alerta: “o veículo está original”. Em seguida, veio a explicação de que não houve, por parte da JAC, qualquer tipo de “camuflagem” dos barulhos, ou seja, ele apresentará os ruídos comuns a um veículo 100 mil quilômetros. Além disso, segundo a fabricante, apenas o que está no plano de revisão foi, realmente, feito. Para comprovarmos se tal informação é verídica, levamos o carro, diretamente, a um centro automotivo na Zona Oeste de São Paulo.

Rumo à oficina

No caminho até a oficina a bordo do J3 fomos surpreendidos positivamente: as respostas do motor e câmbio estão suaves e o carro demonstra agilidade. Ainda assim, os barulhos dentro da cabine são intensos e, no asfalto irregular ficam mais perceptíveis, chegando a incomodar de tal forma que é necessário aumentar o volume do rádio para disfarçar os ruídos.

Na chegada ao centro automotivo RWJ, quem nos atende é o mecânico chefe Gregório de Souza, que rapidamente solicita que o carro seja colocado no elevador. Enquanto sobe o veículo, Gregório faz um comentário que nos deixou surpresos: “trabalho há quinze anos em centros automotivos e, desde que a JAC chegou ao Brasil, além da manutenção comum que faço nos carros da marca, só tive que resolver uma situação diferente em um veículo”. O carro citado pelo mecânico apresentou um problema na bieleta da barra estabilizadora, algo até certo ponto comum em qualquer veículo que utilize desse tipo de peça.

Motor do JAC J3: mecânico encontra pequeno vazamento de óleo

Quando o mecânico inicia a inspeção no nosso J3, encontra um problema: o motor apresenta um pequeno vazamento de óleo. O defeito não é grave e deve ser reparado na próxima manutenção da fabricante. Já os injetores e velas estão em bom estado, sendo que o segundo foi trocado, de acordo com o plano de revisão da JAC, aos 90 mil quilômetros. O exame segue e mais uma peça trocada é encontrada, a tampa do carter aparentava não ser original. Assim como a bieleta, a tampa pode necessitar de manutenção por conta de buracos.

Por fim, o veredito de Gregório: “no geral, o veículo está ótimo em termos mecânicos. Não há defeitos graves e não há a necessidade de troca de peças”. Ou seja, o compacto J3 está com saúde, mesmo após três anos de uso e mais de 100 mil quilômetros rodados. A questão que fica é: de onde vem o preconceito contra os chineses? Provavelmente do desconhecimento. Portanto, é possível que o tempo trará o que a JAC está procurando: confiança dos consumidores. O exemplo vem também do outro lado do mundo, com a sul-coreana Hyundai, duramente criticada anos atrás e altamente desejada atualmente.

Fotos: Renan Rodrigues