Durante o lançamento da tecnologia OnStar no Brasil, o vice-presidente da General Motors do Brasil, Marcos Munhoz, revelou alguns planos da empresa. As informações vão além dos R$ 13 bilhões anunciados em julho e confirma parte da estratégia da fabricante.

Camaro só V8

Questionado se a alta do dólar atrapalharia na importação do esportivo, Munhoz foi enfático: “atrapalha muito”. A justificativa é simples, desde o momento em que a GM decidiu importar o veículo para o Brasil, o dólar sofreu aumento de 60%, o que certamente afetará o preço final do novo modelo por aqui. Apesar disso, para o executivo, esse não é o maior problema, mas sim a instabilidade da moeda.

“No momento não há como prever se a moeda vai continuar valendo R$ 4 reais. O governo já deu sinais que possui reservas para fazer o dólar baixar e essa instabilidade é que atrapalha o planejamento”. Com isso, se o valor do câmbio for mantido e repassado integralmente para o consumidor, o novo Camaro, confirmado para o próximo ano, pode chegar por R$ 320 mil.

O esportivo tem vendas bem consideráveis no país graças, segundo o executivo, aos fãs do modelo, que possuem uma história com a marca. O possível novo valor afetaria na hora da compra, mesmo que os consumidores desse tipo de veículo possuam alto poder aquisitivo. Uma alternativa apresentada seria importar, inicialmente, a versão 2.0 turbo, mas a possibilidade foi totalmente descartada.

“Em poucas entrevistas vimos que no Brasil não adianta V6 e muito menos 2.0, por aqui, um carro como o Camaro, tem de contar com o V8″, revelou Munhoz.

Abaixo dos 30?

Spark, que poderia ser solução abaixo dos R$ 30 mil, não tem previsão de chegada ao Brasil

Spark, que poderia ser solução abaixo dos R$ 30 mil, não tem previsão de chegada ao Brasil

Antes de aposentar o Celta, a Chevrolet tentou quatro vezes substituir o modelo com um veículo abaixo dos R$ 30 mil, mas não conseguiu. Munhoz ainda revelou que todas as fabricantes também tentaram, mas falharam. O que gera expectativa sobre o City Car da Fiat e o Renault Kwid, que devem chegar nessa faixa de preço. Para o vice-presidente da GM, caso esses modelos falhem é sinal de que o brasileiro não quer mais carro de R$ 30 mil, mas sim veículos a partir de R$ 35 mil, onde todas as empresas já acertaram suas receitas.

Mudanças na Montana e fim do Classic?

A Montana, ainda com visual do Agile, deve permanecer assim por algum tempo. Isso se deve, claro, ao relativo sucesso do modelo em seu segmento. A picape compacta vendeu 18.129 unidades entre janeiro e agosto desse ano. Apesar de estar longe dos líderes Fiat Strada e Volkswagen Saveiro, a marca acredita que o desempenho é aceitável para a proposta do modelo e pelo seu tempo no mercado.

Sobre o sedã compacto Classic, Munhoz, que classifica o carro como fenômeno graças aos seus 21 anos de mercado, acredita em uma longa vida do veterano no Brasil. É bem verdade que a GM fez o mesmo anuncio com relação ao Celta no final do ano passado e, menos de um ano depois, o hatch não existe mais. A reportagem do UOL Carros apurou que o modelo deixará de ser fabricado na Argentina, de onde é importado atualmente, para dar lugar ao novo Cruze.

O que nos faz descrer dessa estratégia de aposentar o Classic são seus números de vendas, tanto aqui no Brasil quanto no país vizinho. Por aqui, até o oitavo mês do ano foram 22.647 unidades emplacadas — mais que o Renault Logan, por exemplo. Enquanto na Argentina, nos últimos três meses, o sedã disputou a liderança com o Volkswagen Gol, Ford Fiesta e Fiat Palio. No último ano a Chevrolet vendeu 82.851 veículos nas terras hermanas, desses, 25.375 unidades foram do Classic.

Dois lançamentos em 2015

O executivo também revelou que veremos duas boas novidades ainda este ano. Obviamente, o vice-presidente não entrou em detalhes de quais serão essas novidades. Se fossemos apostar, diríamos que as surpresas ficam por conta do Cobalt e Onix reestilizado, até pelos últimos flagras recebidos da dupla. Há também a possibilidade do Prisma ser apresentado com nova face.