A Jaguar já havia apresentado o XE, o seu novo carro de entrada, ao mercado brasileiro em meados de agosto, revelando preços e detalhes técnicos do modelo. Com preços que variam entre R$ 169.900 e R$ 299 mil, o sedã chega às concessionárias na próxima quinta-feira (1º) para competir em um território dominado pelos alemães Audi A4 e A5, BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C.

Com uma tímida projeção inicial de vender aproximadamente 60 unidades por mês, o XE terá a responsabilidade de dobrar as vendas da Jaguar no Brasil no período de um ano, chegando a um total de 800 carros. O XE está disponível nas versões Pure (R$ 169.900), Pure Tech (R$ 177 mil), R Sport (R$ 199.900) e a topo de gama S (R$ 299 mil).

Assim como os rivais, o Jaguar XE tem o desenho caracterizado pela identidade visual de sua fabricante. A dianteira com linhas agressivas chama a atenção pela semelhança com os sedãs maiores XF e XJ. Essa impressão é reforçada pelos faróis afilados e pela grade dividida em dois elementos. Já a traseira conta com lanternas horizontais com assinatura de LED inspirada na iluminação do superesportivo F-Type.

Por dentro, o XE combina linhas clássicas com soluções modernas e criativas, como os painéis das portas salientes, a nova central multimídia e o botão seletor de marchas no console.

Conjunto mecânico

As configurações de entrada e intermediárias do XE são equipadas com um motor de quatro cilindros de 2.0 litros turbo a gasolina, que desenvolve 240 cv de potência a 5.500 rpm e 34,6 kgfm de torque entre 1.750 e 4.000 rpm. Já a versão S é movida por um bloco V6 de 3.0 litros Supercharged de 340 cv a 6.500 rpm e 45,8 kgfm a 4.500 rpm. Em comum, todas as variantes contam com câmbio automático de oito marchas e tração traseira.

De acordo com a Jaguar, o XE 2.0 turbo acelera de 0 a 100 km/h em 6.9 segundos ante 5.1 segundos do modelo mais potente. A velocidade máxima é limitada a 250 km/h para qualquer uma das versões.

Um dos trunfos do XE está na arquitetura modular que leva 75% de alumínio em sua composição, entre outros metais leves como magnésio, e aços de alta resistência. Essa estrutura permitiu ao sedã uma distribuição de peso próxima dos 50% sobre cada eixo. O sistema de suspensão, independente nas quatro rodas, também contribui para a boa dinâmica do carro.

O XE utiliza ainda direção elétrica progressiva, freios de alto desempenho, sistema de vetorização de torque, além de controles de estabilidade e tração. O modelo conta ainda com o All Surface Progress Control, um recurso que atua como um controle de cruzeiro de baixa velocidade (entre 3,6 km/h e 30 km/h), favorecendo a aderência em praticamente qualquer situação.

Versões, preços e principais equipamentos de série:

XE Pure 2.0 turbo 240 cv (R$ 169.900): bancos de couro; volante multifuncional; acabamento interno black piano; sistema start-stop; monitoramento da pressão dos pneus, faróis de xenônio com luz diurna de LED; All Surface Progress Control, sensor de estacionamento traseiro; assistente de partida em rampas; freio de estacionamento elétrico; retrovisores externos com aquecimento; GPS, entre outros.

XE Pure Tech 2.0 turbo 240 cv (R$ 177 mil): adiciona teto solar elétrico, câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiro e de chuva.

XE R Sport 2.0 turbo 240 cv (R$ 199.900): acrescenta ao pacote anterior, para-choques com desenho exclusivo; aerofólio traseiro; saias laterais; bancos esportivos com revestimento em couro de duas tonalidades; suspensão esportiva; faróis de xenônio adaptativos com assistente de facho alto; bancos dianteiros com regulagem elétrica e memória; sistema de som Meridian com 11 alto-falantes, coluna de direção com ajuste elétrico, rodas de 18 polegada na cor preta.

XE S 3.0 V6 Supercharged 340 cv (R$ 299 mil): equipamentos da versão R Sport, mais acabamento externo preto brilhante; rodas de aro 19; pinças de freio vermelhas; Head-up Display; sensor de estacionamento 360 º ; monitor de ponto cego com sensor de aproximação de veículos; detecção de tráfego traseiro; suspensão esportiva com amortecedores adaptativos.

Depois de a Jaguar revelar todos os detalhes do carro, faltava a parte mais importante: dirigi-lo. A marca promoveu um teste da versão mais potente em circuito fechado, enquanto as configurações com o motor de 240 cv puderam ser avaliadas em rodovias do interior do estado de São Paulo.

Ao volante do XE S é possível notar certa semelhança com o BMW Série 3 no que diz respeito à posição de dirigir. A ergonomia do Jaguar, no entanto, é um pouco melhor e o posicionamento dos comandos é mais fácil de ser decorado pelo motorista. Em movimento, o XE é um carro de tocada suave quando o condutor não o provoca. A suspensão, embora tenha acerto mais rígido, é confortável e com rolagem mínima nas curvas. Mas, ao pisar fundo no acelerador, o V6 emite um ronco encorpado e metálico, e empurra o sedã com muita disposição. Embora seja dotado de tração traseira, o XE S não se mostrou arisco nas curvas mais rápidas mesmo quando provocado. No modo esportivo, a transmissão permite ao motorista explorar os giros do motor e executa as trocas de marchas com rapidez. O sistema de vetorização de torque (controla as saídas de frente, atuando nos freios de maneira suave nas rodas do lado interno das curvas) contribui na hora de manter a trajetória do carro nas curvas.

Já no teste rodoviário, avaliamos uma unidade da versão R Sport, que de acordo com a Jaguar será a de maior demanda no mercado. Como os seus rivais de marcas premium, o XE agrada pelo ótimo acabamento interno e pelo conforto a bordo. O espaço para quem viaja no banco de trás, no entanto, é limitado a dois adultos, pois o túnel central é muito elevado e ocupa o espaço que seria destinado às pernas do passageiro do meio. No mais, o modelo oferece som de alta definição Meridian, interior revestido em couro, bancos dianteiros com regulagem elétrica, ar-condicionado automático digital de duas zonas com saídas para o banco traseiro, teto solar elétrico, entre outros.

O motor 2.0 turbo é outro ponto bastante positivo do XE, uma vez que o seu desempenho não fica muito distante do apresentado pela versão S V6. Por entregar o torque máximo em uma faixa mais ampla de rotações, o propulsor é bastante esperto e, durante o teste, não exigiu interferências do condutor, como reduzir marchas, para ganhar fôlego em ultrapassagens e retomadas. Graças à boa aerodinâmica, o XE é o tipo de carro que deslancha com facilidade e mantém o embalo mesmo após o motorista reduzir a aceleração. O bom comportamento do sedã inglês não deve em nada ao dos consagrados concorrentes germânicos.

O XE chega para competir em um segmento dominado pelas marcas alemãs e tem qualidades para incomodá-las. Além disso, ele conta com o “plus” de fazer parte de uma marca sempre lembrada pela tradição em fazer modelos de luxo. Por ter preço inicial na faixa dos R$ 170 mil, o Jaguar, no entanto, vai brigar apenas com as versões intermediárias do Audi A4 e BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C, que deverão continuar a hegemonia germânica com as variantes menos caras.

Teste-drive a convite da Jaguar Land Rover
Fotos: Divulgação