O uso de bicicletas nas grandes cidades tem aumentado – junto com as polêmicas que envolvem a convivência entre ciclistas e motoristas e à implementação de ciclovias – e muitos adeptos desse meio de transporte acabam optando por modelos elétricos, que garantem mais conforto e uma força extra na hora de encarar um trajeto um pouco maior. Por terem uma autonomia média de 30 a 40 quilômetros, é comum que as bicicletas elétricas sejam transportadas de carro até determinado ponto. E é nessa situação que os ciclistas devem tomar cuidado.

Pesando, em média, 20 quilos, as bikes movidas a eletricidade são bem mais pesadas que os modelos convencionais devido ao motor elétrico, à bateria e ao quadro reforçado. Levando em consideração essas características, a seguradora Allianz realizou em seu Centro de Tecnologia, na Alemanha, um teste de impacto para demonstrar o risco de transportar bicicletas elétricas em racks de teto ou suportes automotivos para bicicletas comuns.

“Muitos ciclistas usam os suportes de bicicletas comuns sem levar em consideração o acréscimo de peso. Os recentes testes da Allianz mostraram como os equipamentos atingem rapidamente os seus limites e podem colocar em perigo outros usuários mesmo em situações cotidianas de direção, como desviar, frear ou dirigir sobre pisos irregulares”, enfatizou Melanie Kreutner, engenheira de pesquisa do Centro de Tecnologia da Allianz.

Racks presos na barra de reboque são os mais adequados para transportar bicicletas elétricas, desde que a carga limite seja obedecida.

Em um teste realizado pela seguradora, três bicicletas elétricas (cada uma pesando 26,8 quilos) foram colocadas em um suporte traseiro projetado para transportar três bicicletas de até 15 quilos (totalizando 45 quilos). Sobrecarregado em 35,4 quilos, o equipamento foi submetido a uma simulação de manobra de desvio a 50 km/h. Durante o teste, o carro sofreu danos na lataria, teve uma lanterna quebrada e o suporte ainda amassou a esfera do engate.

Na prova em que o veículo roda sobre lombadas, buracos e terra batida, o fecho do equipamento se soltou, deixando uma das bicicletas presa apenas pelas tiras das rodas. Segundo a Allianz, o teste não pôde ser concluído devido o alto risco de uma das bicicletas ou do suporte inteiro se desprender do carro.

“Os testes concluíram que os suportes presos na barra de reboque são os mais adequados, pois se estiverem em racks de teto há o risco de se desprenderem e serem arremessadas em caso de acidente”, destaca Kreutner. “É importante conferir o quanto cada barra do suporte pode carregar e não apenas a carga máxima do equipamento, porque se a montagem individual for sobrecarregada, se romperá e não conseguirá segurar a bicicleta elétrica no lugar”. A Allianz ressalta que é válido fazer paradas durante o trajeto para certificar de que todos os fechos do equipamento estão intactos”.

Bicicletas elétricas em racks de teto

Duas bicicletas elétricas, pesando 24,5 quilos cada, foram presas a dois racks de teto de estabilidade variável. Um deles, o mais robusto, projetado para transportar uma bicicleta de até 20 quilos e o outro de carga máxima de 15 quilos. Em uma colisão frontal a 50 km/h, o suporte mais fraco foi incapaz de manter a bike na posição inicial – os fechos se romperam e ela foi lançada para frente. Já o equipamento mais forte, junto com a bicicleta, se desprendeu do teto do carro por conta do peso (veja no vídeo abaixo).

Fotos: Thule