No finalzinho de 2010 (três anos depois do lançamento na Europa), o Bravo estreava no Brasil com a missão de substituir o Stilo e manter a Fiat em uma posição de destaque entre os hatches médios. A tarefa parecia não ser das mais complicadas, pois, na época, a concorrência era formada basicamente pelas gerações mais antigas de Chevrolet Astra, Volkswagen Golf e Ford Focus (a segunda geração tinha apenas dois anos de mercado) e pelo surpreendente Hyundai i30 – mesmo importado da Coreia do Sul, chegou a dominar o mercado.

Além de contar com o fator novidade e do ter um visual interessante, o Fiat Bravo atraía os holofotes por chegar com recursos e equipamentos ausentes nos rivais. E isso tudo era acompanhado pela versão esportiva T-Jet, equipada com motor 1.4 turbo, que dava um diferencial ao modelo.

Apesar de ter vendido mais de 40 mil unidades em pouco mais de quatro anos de mercado, o Bravo nunca conseguiu se destacar no segmento. Em 2014, o modelo emplacou apenas 4.436 unidades, amargando a lanterna para o Hyundai i30 (5.180 unidades), Peugeot 308 (5.574), Volkswagen Golf (16.118), Chevrolet Cruze Sport6 (17.049) e Ford Focus (21.859). Para impulsionar as vendas do Bravo, a Fiat lançou em fevereiro a primeira reestilização do hatch, apresentada no final do ano passado durante o Salão do Automóvel de São Paulo.

As mudanças de estilo foram pontuais, com a adoção de para-choques redesenhados, novas rodas de liga leve e lanternas com molduras pretas. Além do reposicionamento de versões (a variante Absolute deu lugar à esportivada Blackmotion), o Bravo passou a sair de fábrica com a central multimídia UConnect de série em todas as configurações. O equipamento foi herdado de outros modelos da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), como o crossover Freemont. Com isso, a Fiat espera atender à demanda dos consumidores de hatches médios, que exigem um nível cada vez maior de sofisticação nos carros.

Disponível em quatro versões (os preços começam em R$ 63.170 para a Essence 1.8), o Bravo combina o conteúdo e o desempenho mais condizentes com os dos rivais da categoria na configuração topo de gamaT-Jet que parte de R$ 79.980, esta avaliada pelo Carsale.

Equipamentos como direção elétrica, volante multifuncional revestido em couro, faróis de neblina com função “cornering” (ilumina as curvas de acordo com o movimento da direção) e central multimídia com Bluetooth e comando de voz estão presentes desde a versão de entrada. O Bravo T-Jet complementa o pacote com ar digital de duas zonas, rodas de 17 polegadas exclusivas, teto solar, controle de tração, assistente de partida em rampas, ponteira de escape dupla, suspensão esportiva, além de detalhes estéticos, como pinças dos freios pintadas de vermelho e faróis com máscara negra.

Airbags laterais, de cortina e para o joelho do motorista estão disponíveis em um pacote opcional (R$ 3.696), bem como a central multimídia com GPS, tela de cinco polegadas e câmera de ré (R$ 2.392), bancos revestidos em couro (R$ 2.607) e faróis de xenônio e monitoramento da pressão dos pneus (R$ 5.210).

Diferentemente das outras versões, equipadas com o bloco de 1.8 litro flex de 132 cv, o Bravo T-Jet leva sob o capô o motor de 1.4 litro turbo movido apenas a gasolina, que rende 152 cv de potência e 21,1 kgfm de torque (entre 2.250 e 4.500 rpm). Embora pareça pequeno para o hatch de 1.435 quilos, o propulsor proporciona uma tocada divertida, principalmente por ser associado a um câmbio manual de seis marchas importado da Itália. A transmissão está longe de ser um primor em termos de precisão e, às vezes, teima em não engatar a primeira marcha, mas é um alento para quem gosta de ter o controle pleno do carro (especialmente em um segmento cada vez mais dominado pelas caixas automáticas e automatizadas).

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O Bravo T-Jet só faz jus ao emblema das faixas laterais a partir das 2.500 rpm, regime de rotações em que o motor começa a disponibilizar a força extra gerada pelo turbo. O hatch mostra boa esperteza quando provocado e o escape até emite um ronquinho grave e agradável de ouvir.

Mas a brincadeira fica interessante ao apertar o botão Overbooster, localizado à esquerda da central multimídia. O recurso funciona como se fosse um modo esportivo, pois eleva o torque do motor para 23 kgfm, enrijece a direção e deixa o carro mais arisco – dá até para ouvir um discreto assobio da turbina quando o vidro está aberto. Com o Overbooster ligado, o comportamento do Bravo T-Jet instiga o motorista a acelerar, principalmente na estrada, onde esbanja bom fôlego em ultrapassagens. De acordo com a Fiat, o veículo acelera de 0 a 100 km/h em 8,7 segundos e atinge a velocidade máxima de 206 km/h (confira na tabela abaixo os dados de desempenho e consumo aferidos pela equipe de engenheiros do Instituto Mauá de Tecnologia).

Fiat Bravo T-Jet

Teste Carsale-Mauá
Cidade
Estrada
0 a 100 km/h
Retomada 80 a 120 km/h
Frenagem 100 a 0 km/h
9,1 km/l13,5 km/l9,84 segundos8,06 segundos52,7 metros

Com acerto propositalmente mais rígido, as suspensões (McPherson na dianteira e eixo rígido atrás) do Bravo T-Jet mantêm o carro estável a velocidades mais altas e em curvas fechadas, porém não são do tipo que castiga os ocupantes quando é preciso trafegar em vias com asfalto irregular.

A cabine do Bravo T-Jet é bem acabada, sem ousadias estilísticas e acomoda bem quatro adultos. O motorista e o passageiro da frente usufruem ainda de bancos com abas mais largas e encosto confortável. O porta-malas, obviamente, não é um latifúndio como os de certos modelos de SUVs e minivans, mas disponibiliza bons 400 litros de capacidade.

Segundo a Fiat, a versão T-Jet representa somente 5% das vendas do hatch. De fato, é a melhor opção para quem realmente deseja um Bravo, pois possui um bom nível de equipamentos e ainda traz um toque de entusiasmo por conta da dirigibilidade agradável (com ressalvas para os engates do câmbio). Partindo para o lado racional, fica difícil considerar a sua escolha se comparar o Bravo T-Jet com os seus concorrentes, mais modernos e com maior apelo de mercado.

Ficha técnica

ModeloBravo Sporting Dualogic
PreçoR$ 79.980
Motortransversal, 1.4 litro, 16 válvulas, turbo, intercooler
Cilindrada (cm³)1.368
Potência152 cv a 5.500 rpm
Torque21,1 kgfm de 2.250 a 4.500 rpm (23 kgfm a 3.000 rpm com Overbooster)
Freios dianteirosDiscos ventilados
Freios traseirosDiscos sólidos
Suspensão dianteiraMcPherson
Suspensão traseiraEixo de torção, rodas semi-independentes
RodasLiga leve de 17 polegadas
Pneus215/45 R17
DireçãoElétrica
Peso em ordem de marcha (kg)1.435
Comprimento (metros)4,37
Largura (m)1,79
Altura (m)1,48
Distância entre-eixos (m)2,60
Tanque (litros)58
Porta-malas (litros)400
TransmissãoManual de seis marchas

Autor: Guilherme Silva
Fotos: Renan Rodrigues